um blogfolio de coisas sonoras

30.12.13

2013

1. 2013 não foi um ano de ver muitos concertos. Mas não foi por isso que deixou de ser interessante. O último do ano foi o dos Tape no Café Oto, uma daquelas bandas que queria ver há já algum tempo. Vi os Winged Victory For The Sullen pela terceira vez e os Mountains pela segunda vez. Sem dúvida três bandas que são cada vez mais o estilo que tenho procurado ouvir cada vez mais. Não é difícil de ver o que eles têm em comum. Vi também um concerto do Mick Harvey bem ao perto no intimista Lexington (com primeira parte do Duke Garwood).

2. O arranjo de sons citadinos para a última música do álbum dos Dear Telephone, Taxi Ballad, foi algo que me deu algum alento na área de organização de sons no qual quero ser um aluno cada vez mais aplicado. É algo muito discreto e simples, mas penso que era exactamente isso que poderia caber num disco como aquele, considerado um dos melhores da cena portuguesa de 2013

3.Houve mesmo muito pouco tempo para vasculhar e editar gravações caseiras, e muito menos para fazer das edições da Guttapercha um acto contínuo. Ainda assim deu para lançar trim e pluviôse em nome próprio, para compilar corti001 e gutta004 e para deixar mais ou menos a meio o próximo registo de katzgraben (projecto em meditação) que tem saído muito lentamente em peças de vídeo separadas intituladas Stimmung.

4. 2013 foi também o ano de Frass e, num âmbito bem diferente, mais pessoal, de um discreto Vouga a ser projectado num evento da Art Assembly com participação da editora Touch (isto serviu um pouco como reflexão, talvez uma chamada para um trabalho mais concentrado nas imagens e na exploração sonora, sem dúvida uma área a explorar com verdadeira substância em 2014).

5. A escrita de 2014 foi andando em exercícios de gaveta e diários que só agora podem começar a fazer sentido. Talvez sejam os preparativos para algo mais concreto em 2014. Se o tempo o permitisse, um livro e uma tradução seriam uma certeza. Por enquanto mantêm-se um acto contínuo.


2013 revisitado pelo spotify

https://www.spotify.com/uk/2013/#

2013 revisitado pelo spotify

https://www.spotify.com/uk/2013/#

Lambchop - 2B2 (Mr. M)

23.12.13

Prémio melhor verso de 2013 e, já agora, melhor disco do ano

Mama ate the pygmy 
The pygmy ate the monkey 
The monkey has a gift that he is sending back to you

 

Prémio melhor verso de 2013 e, já agora, melhor disco do ano

Mama ate the pygmy 
The pygmy ate the monkey 
The monkey has a gift that he is sending back to you

 

Odisseia This Is My Jam

O TIMJ é uma das melhores redes de partilha musical que anda por aí e dá vontade de ser cada vez mais um usuário presente diariamente. Quase a acabar o ano ficam aqui pouco mais de 30 minutos de excertos de tudo que aconteceu nessa partilha (e por vezes descoberta) durante 2013.

Odisseia This Is My Jam

O TIMJ é uma das melhores redes de partilha musical que anda por aí e dá vontade de ser cada vez mais um usuário presente diariamente. Quase a acabar o ano ficam aqui pouco mais de 30 minutos de excertos de tudo que aconteceu nessa partilha (e por vezes descoberta) durante 2013.

Phosphorescent - Song For Zula (Muchacho)

14.12.13

prémio banda-sonora para um filme imaginário



Mountains - Centralia (Thrill Jockey)
Centralia é uma cidade fantasma em Pennsylvania e toda esta arquitectura sonora da dupla Holtkamp e Anderegg é uma autêntica avalancha em câmara lenta de detritos e lava a compor uma banda-sonora imaginada para espaços desertos e edifícios abandonados. Surge primeiro como um todo envolvente, depois com algumas cores acústicas que espreitam entre camadas densas de electrónica modular, e mais para a frente num aglomerado energético poderoso e devastador. Tudo é subtil: texturas, melodias, a composição. A electrónica e acústica tocam-se, embrulham-se, mas nunca se diluem uma na outra. Formam um todo compacto rico que prova que no drone há muito mais do que uma palavra singular.

prémio banda-sonora para um filme imaginário



Mountains - Centralia (Thrill Jockey)
Centralia é uma cidade fantasma em Pennsylvania e toda esta arquitectura sonora da dupla Holtkamp e Anderegg é uma autêntica avalancha em câmara lenta de detritos e lava a compor uma banda-sonora imaginada para espaços desertos e edifícios abandonados. Surge primeiro como um todo envolvente, depois com algumas cores acústicas que espreitam entre camadas densas de electrónica modular, e mais para a frente num aglomerado energético poderoso e devastador. Tudo é subtil: texturas, melodias, a composição. A electrónica e acústica tocam-se, embrulham-se, mas nunca se diluem uma na outra. Formam um todo compacto rico que prova que no drone há muito mais do que uma palavra singular.

Nils Frahm - Says (Spaces)

13.12.13

prémio melhor música de 2013 que nas mãos dos coldplay seria um desastre coldplayano

prémio melhor música de 2013 que nas mãos dos coldplay seria um desastre coldplayano

Os discos de 2013

Ando às voltas com os discos de 2013 e creio que apenas ouvi bem meia dúzia deles. Os outros são apenas títulos e capas, de gente que admiro, uns mais do que outros, que ouvi na diagonal enquanto fazia outra coisa qualquer. Se pensar em discos que ouvi repetidamente são talvez 3 ou 4. Os outros surgem como fragmentos onde apenas uma ou outra música me prende. Não sei se neste tempo de cultura de distração prestamos tanta atenção ao álbum como o objecto que se ouve como um todo. Dantes não ouvíamos todos os discos do ano porque não tínhamos acesso a eles de uma forma tão imediata. Hoje, por muito que queiramos, não conseguimos absorver assim tanta informação. Se por um lado o tempo não é assim tanto como parece, por outro a degustação continua a ser (e deve ser) lenta. Ouvir mais de dez discos como deve ser é impossível. Não existe tempo para tanto.

Voltando à questão inicial, de andar às voltas com as escolhas de 2013, e antes de anunciar seja o que for, é importante dizer o seguinte: por norma, não sou eu que escolho os discos, eles escolhem-me a mim. Explico: escolho os artistas que me dou a ouvir, sou um primeiro filtro, mas são depois os disco que se agarram. Às vezes nem são artistas que me dizem muito, nem álbuns muito bons. São músicas e gravações que apareceram no momento certo, no estado de espírito certo, na viagem de comboio certa, depois do concerto certo, no domingo ocioso certo.  É nisto que baseio as escolhas primordiais de 2013: os álbuns que ouvi muitas vezes do princípio ao fim por pura correnteza. O que posso fazer depois disso é listar alguns dos discos que não tive tempo para ouvir em 2013 (talvez o faça em 2014), ou aqueles dos quais posso extrair uma ou duas músicas importantes, ou ainda aqueles que ouvi assim de relance e que decerto me vão escolher um dia destes. Mais: o ano ainda não acabou e o natal é sempre uma altura em que muita música toca.




  1. Nick Cave & The Bad Seeds - Push The Sky Away
  2. Bill Callahan - Dream River
  3. Mountains - Centralia
  4. Brokeback - Brokeback and the Black Rock
  5. Low - The Invisible Way
  6. Mark Kozelek & Jimmy LaValle - Perils From the Sea
  7. Lubomyr Melnyk - Corollaries
  8. Yo La Tengo - Fade
  9. Pinkunoizu - The Drop
  10. My Bloody Valentine - m b v
  11. Julia Holter - Loud City Song
  12. David Bowie - The Next Day
  13. Mark Kozelek & Desertshore - Mark Kozelek & Desertshore
  14. Mice Parade -  Candela
  15. Mark Lanegan - Imitations
  16. Nils Frahm - Spaces
  17. David Lynch - The Big Dream
  18. The Flaming Lips - The Terror
  19. Mark Lanegan & Duke Garwood - Black Pudding
  20. Grouper - The Man Who Died In His Boat
  21. Tindersticks - Across six leap years
  22. Eluvium - Nightmare Ending
  23. Esmerine - Dalmak
  24. Mick Turner - Don't Tell The Driver
  25. Tim Hecker - Virgins
  26. The Fall - Re-Mit
  27. James Blackshaw & Lubomyr Melnyk - The Watchers
  28. L. Pierre - The Island Come True
  29. Mark Lanegan & Duke Garwood - Black Pudding
  30. The Marquis de Tren & Bonny Billy - SOLEMNS
  31. Mogwai - Les Revenants Soundtrack
  32. RocketNumberNine - MeYouWeYou
  33. Junip  - Junip
  34. David Grubbs - The Plain Where The Palace Stood
  35. Date Palms - The Dusted Sessions
  36. Ceramic Dog - Your Turn
  37. Teho Teardo & Blixa Bargeld - Still Smiling
  38. Califone - Stitches







Os discos de 2013

Ando às voltas com os discos de 2013 e creio que apenas ouvi bem meia dúzia deles. Os outros são apenas títulos e capas, de gente que admiro, uns mais do que outros, que ouvi na diagonal enquanto fazia outra coisa qualquer. Se pensar em discos que ouvi repetidamente são talvez 3 ou 4. Os outros surgem como fragmentos onde apenas uma ou outra música me prende. Não sei se neste tempo de cultura de distração prestamos tanta atenção ao álbum como o objecto que se ouve como um todo. Dantes não ouvíamos todos os discos do ano porque não tínhamos acesso a eles de uma forma tão imediata. Hoje, por muito que queiramos, não conseguimos absorver assim tanta informação. Se por um lado o tempo não é assim tanto como parece, por outro a degustação continua a ser (e deve ser) lenta. Ouvir mais de dez discos como deve ser é impossível. Não existe tempo para tanto.

Voltando à questão inicial, de andar às voltas com as escolhas de 2013, e antes de anunciar seja o que for, é importante dizer o seguinte: por norma, não sou eu que escolho os discos, eles escolhem-me a mim. Explico: escolho os artistas que me dou a ouvir, sou um primeiro filtro, mas são depois os disco que se agarram. Às vezes nem são artistas que me dizem muito, nem álbuns muito bons. São músicas e gravações que apareceram no momento certo, no estado de espírito certo, na viagem de comboio certa, depois do concerto certo, no domingo ocioso certo.  É nisto que baseio as escolhas primordiais de 2013: os álbuns que ouvi muitas vezes do princípio ao fim por pura correnteza. O que posso fazer depois disso é listar alguns dos discos que não tive tempo para ouvir em 2013 (talvez o faça em 2014), ou aqueles dos quais posso extrair uma ou duas músicas importantes, ou ainda aqueles que ouvi assim de relance e que decerto me vão escolher um dia destes. Mais: o ano ainda não acabou e o natal é sempre uma altura em que muita música toca.




  1. Nick Cave & The Bad Seeds - Push The Sky Away
  2. Bill Callahan - Dream River
  3. Mountains - Centralia
  4. Brokeback - Brokeback and the Black Rock
  5. Low - The Invisible Way
  6. Mark Kozelek & Jimmy LaValle - Perils From the Sea
  7. Lubomyr Melnyk - Corollaries
  8. Yo La Tengo - Fade
  9. Pinkunoizu - The Drop
  10. My Bloody Valentine - m b v
  11. Julia Holter - Loud City Song
  12. David Bowie - The Next Day
  13. Mark Kozelek & Desertshore - Mark Kozelek & Desertshore
  14. Mice Parade -  Candela
  15. Mark Lanegan - Imitations
  16. Nils Frahm - Spaces
  17. David Lynch - The Big Dream
  18. The Flaming Lips - The Terror
  19. Mark Lanegan & Duke Garwood - Black Pudding
  20. Grouper - The Man Who Died In His Boat
  21. Tindersticks - Across six leap years
  22. Eluvium - Nightmare Ending
  23. Esmerine - Dalmak
  24. Mick Turner - Don't Tell The Driver
  25. Tim Hecker - Virgins
  26. The Fall - Re-Mit
  27. James Blackshaw & Lubomyr Melnyk - The Watchers
  28. L. Pierre - The Island Come True
  29. Mark Lanegan & Duke Garwood - Black Pudding
  30. The Marquis de Tren & Bonny Billy - SOLEMNS
  31. Mogwai - Les Revenants Soundtrack
  32. RocketNumberNine - MeYouWeYou
  33. Junip  - Junip
  34. David Grubbs - The Plain Where The Palace Stood
  35. Date Palms - The Dusted Sessions
  36. Ceramic Dog - Your Turn
  37. Teho Teardo & Blixa Bargeld - Still Smiling
  38. Califone - Stitches







Rocketnumbernine - Matthew and Toby (MeYouWeYou)

28.11.13

Os grilos afinal fazem muito mais do que gri gri


Tom Waits (on Jim Wilson): "Wilson, he's always playing with time. I heard a recording recently of crickets slowed way down. It sounds like a choir, it sounds like angel music. Something sparkling, celestial with full harmony and bass parts - you wouldn't believe it. It's like a sweeping chorus of heaven, and it's just slowed down, they didn't manipulate the tape at all. So I think when Wilson slows people down, it gives you a chance to watch them moving through space. And there's something to be said for slowing down the world."

Os grilos afinal fazem muito mais do que gri gri


Tom Waits (on Jim Wilson): "Wilson, he's always playing with time. I heard a recording recently of crickets slowed way down. It sounds like a choir, it sounds like angel music. Something sparkling, celestial with full harmony and bass parts - you wouldn't believe it. It's like a sweeping chorus of heaven, and it's just slowed down, they didn't manipulate the tape at all. So I think when Wilson slows people down, it gives you a chance to watch them moving through space. And there's something to be said for slowing down the world."

Os sons das cidades


uma interessante série de documentários da DAZED digital chamada New Music Cities

Nick Cave & The Bad Seeds - Push the Sky Away (Push the Sky Away)

23.11.13

Low - Fearless (A Lifetime Of Temporary Relief)

a great song by Pink Floyd covered by Low. only available on the compilation A Lifetime of Temporary Relief: 10 Years of B-Sides & Rarities

22.11.13

4AD Sessions: Mark Lanegan

Bob Dylan - Like A Rolling Stone (Highway 61 Revisited)

Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.

How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but know you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And say do you want to make a deal?

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns
When they all come down and did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're drinkin', thinkin' that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you ain't got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Like A Rolling Stone

O recém criado video interactivo para a Like A Rolling Stone é uma obra de arte. Daquelas que é capaz de chegar ao mais humilde desconhecedor de artistas como Christian Marclay. Vale a pena ver, rever e rever. Sempre com um sorriso.
http://video.bobdylan.com/desktop.html

A ver também a exposição do Dylan escultor na Halcyon Gallery: http://www.halcyongallery.com/exhibitions até ao dia 24 de janeiro

21.11.13

Television - Marquee Moon (Marquee Moon)

I remember
how the darkness doubled
I recall
lightning struck itself.
I was listening
listening to the rain
I was hearing
hearing something else.
Life in the hive puckered up my night,
the kiss of death, the embrace of life.
There I stand neath the Marquee Moon Just waiting,
Hesitating...
I ain't waiting
I spoke to a man
down at the tracks.
I asked him
how he don't go mad.
He said "Look here junior, don't you be so happy.
And for Heaven's sake, don't you be so sad."
Well a Cadillac
it pulled out of the graveyard.
Pulled up to me
all they said get in.
Then the Cadillac
it puttered back into the graveyard.
And me,
I got out again.

18.11.13

Tortoise & Bonnie 'Prince' Billy - Daniel (The Brave and the Bold)

Arguably a cover that is much better than the original and much better than the others that can be found on the album The Brave and the Bold.

17.11.13

Fridge - Five Four Child Voice (Happiness)

Not my favourite track from Happiness but probably the one that tells something about the weekend

15.11.13

Mogwai - Secret Pint (Rock Action)

Come On Die Young is a dark album. The artcover is dark, the songs are sad. Rock Action is a different story and I'm always in a mood to listen to it. Secret Pint is a beautiful piece and a good example why Mogwai should sing more often.

14.11.13

The Jimi Hendrix Experience - Are you Experienced (Are You Experienced)

Hendrix is and will always be the best guitar player. Not because he was playing things that are impossible to play. I'm quite sure that there are a lot of technical Satrianis that can do that and even more complicated things. Yet Hendrix was unique and that uniqueness resides most of all on the the sound and experimentation. Are You Experienced is an authentic stone from another planet.

13.11.13

Tom Waits - Hold On (Mule Variations)

Mule Variations was probably the album that I've listened most in 1999. Once you start playing it you don't want to listen to anything else. The opening track Big in Japan gets inside you immediately and make you want to jump o the chair to imitate the brass instruments. But Hold On is the one that makes you cry for more from the genius composer, performer and, well, factotum that is Tom Waits. 

12.11.13

Vouga ou A Moagem

Foi com uma alteração de última hora (Sohrab viu-lhe negada a entrada no Reino Unido, sendo substituído por BJ Nilsen) que o evento Hidden Narratives of Empty Spaces, proposto pela Art Assembly com a colaboração da editora Touch, aconteceu no dia 9 de novembro no Peckham Pelican. Abriu com um mini-documentário de Amanda Lwin e logo de seguida passaram Vouga ou A Moagem, um vídeo meu que documenta o edifício da fábrica abandonada em Barcelos (Portugal) e as eventuais narrativas que esconde. A banda-sonora foi composta com os sons gravados de pequenas pedras que eram largadas no topo dos silos e que produziam um estrondo imenso. O volume da projecção estava demasiado alto para o silêncio da audiência, por isso foram 11 minutos de suspense e sustos. Seguiram-se ainda as actuações de Fari Bradley, Leslie Deere, Nicolas Freeman, Jiyeon Kim e BJ Nilsen.

David Dunn: Listening To What I Cannot Hear

David+Dunn
a ouvir a composição Listening To What I Cannot Hear de David Dunn, ecologista do som, na WIRE

Einstürzende Neubauten – Silence Is Sexy (Silence Is Sexy)

Einstürzende Neubauten have always attracted me for their concepts and paraphernalia of weird instruments. Musically I’ve always found it a bit difficult to listen to (industrial soundscapes and German language is quite a combination) until the day I bought Silence Is Sexy. It’s such a good album: incredible dynamics, lots of space, silence (obviously), some rhythmic textures that only Neubauten can create, and of course Blixa at his best (vocally and lyrically).

11.11.13

Dead Can Dance - Enigma Of The Absolute (Spleen and Ideal)

Spleen and Ideal was the first album I bough from Dead Can Dance and obviously I have a very close relationship I was living next to a church in Coimbra at the time and somehow I thought I wouldn't have to go in for spiritual cleansing if I listened to this Enigma Of The Absolute incessantly. That is the Gothic style that I know.

10.11.13

This Mortal Coil - Kangaroo (It'll End In Tears)

Today I'm listening for the first time to the original song by Big Star. It's quite amazing. Actually, I think to have a proper listen to 3rd. There are two well known versions of Kangaroo, one by Jeff Buckley, and this one by This Mortal Coil featuring Gordon Sharp (Cindytalk) on vocals. So intense.

Tape + Áine O'Dwyer + Slow Listener @ Café Oto 7.11.2013


Slow Listener não precisa mais do que um oktatrack para mostrar toda a desconstrução de sons gravados e manipulacão sintética de vozes. Sentado à mesa com apenas aquele pequeno aparelho, consegue convencer toda a gente que os gestos subtis de dedos nos botões não são apenas fruto do acaso, e que há ali uma qualquer intelectualidade complicada na forma como se articulam as ideias. Não consegue bem é invocar o estatuto de manipulador de drones à Basinski. Ou melhor, de desconstrutor de drones, porque meditação não é bem a dinâmica que boia nesta pequena peça que prepara a noite dos Tape. Repetição sim. "And that's it", diz, e sai timidamente do seu lugar com o aparelho debaixo do braço.

Áine O'Dwyer é um nome já familiar de outras paragens. Foi uma das muitas tocadoras de harpa que passaram pelo Daylight da Union Chapel. Na igreja era uma figura escondida ao longe, a tricotar sons que se perdiam na acústica imensamente sagrada do espaço. Aqui, no Café Oto, é um semblante de anjo mau (ou negro) com todas as expressões faciais de uma voz clara, a invocar fantasmas das profundezas da folk irlandesa sem nunca cair em ornamentos desnecessários. As duas peças extensas que apresentou foram apenas o embrulho cuidadosamente preparado para o total de cerca de seis temas divididos em duas partes (esses temas podem ser encontrados aqui). A estrutura duplicada de voz-instrumental-voz foi a perfeita dinâmica para a contemplação de uma voz delicada mas firme, e de momentos idílicos de harpa tão bem escutados ao pormenor por uma audiência silenciosa. Áine possui mistério e leva-nos para um lugar qualquer estranho. Aceitamos o convite de olhos fechados.

Os Tape, trio sueco de electrónica pós-rock, possuem qualidades únicas de virtuosos das coisas mínimas. Primeiro porque o arranjo final que apresentam é revestido com uma linguagem tão simples que esconde todo o trabalho meticuloso de composição. Além dessa linguagem simples possuem como trunfo o silêncio e os espaços: a música respira. Segundo, porque conseguem uma plástica perfeita entre instrumentos à partida distantes entre si: uma guitarra eléctrica vintage de sonoridade ancorada no blues-jazz ao bom estilo de um Marc Ribot; um trio de sintetizadores com design de 70s cuja sonoridade (apenas a sonoridade) invoca terrenos progressivos pisados, por exemplo, por uns Camel menos rockeiros; e uma parelha de sintetizadores modulares que espraiam sujidade nas frases melódicas e sustêm todo o vazio deixado pela ausência de outros instrumentos. A bateria é disso exemplo, na medida em que as peças de Revelationes perdem um pouco do pulsar rítmico original. Porém tal nunca coloca em causa a essência das canções que continuam a respirar uma certa densidade construtiva. Nos Tape, por muito que sejam criadas camadas sonoras distintas e que exista um conceito atonal muito presente nas ambiências electrónicas, a música líquida é essencialmente uma vestimenta de um esqueleto de canções em bruto, ou esboços de canções em construção, que na maioria das vezes são diluídas por qualidades sónicas experimentais. Assim, não é nada de estranhar a gravação mental imediata de frases melódicas, autênticos hooks da pop, a emergirem em abruptos assobios no caminho para casa.   

9.11.13

Neil Young with Crazy Horse - Change Your Mind (Sleeps With Angels)

This is the soul of Neil Young with Crazy Horse. A 14 minutes song from Sleeps With Angels tells everything about groove, improvisation and song craft. It's a very good album with very interesting and unique moments. Probably overshadowed by the grunge era.

8.11.13

Tape - Hotels (Revelationes)

I went to see Tape at café Oto yesterday. The three-piece Swedish band sounded very mysterious under the dim lights of the venue and I've recognised some of the songs from Revelationes. Yet I missed the great drum parts that they couldn't eventually perform live. Still it was one of the best gigs I've seen at café Oto.

7.11.13

Soulsavers - Revival (It's Not How Far You Fall, It's the Way You Land)

When I listen to this song I think of Berlin as I was listening obstinately to It's Not How Far You Fall, It's the Way You Land when I went there for the first and only time. I don't relate this song to the city, but somehow it makes me fell strong and willing to fly and feel good. Very powerful record and a lot of great covers.

6.11.13

Mark Lanegan - One Hundred Days (Bubblegum)

Some 3 years ago I was obsessed with this song from Bubblegum ». I'd listen to it on repeat on my way to work and I'd always play One Hundred Days three or four times before I turned the player off. I've also learned the lyrics and the chords, but they seemed to be now forgotten. Should play it more often: "you know somewhere the ship comes in every day".

5.11.13

VVAA - Uma Outra História

Various Artists - Uma Outra História - album cover
Muito pode ser dito sobre a música portuguesa da década passada. A cena indie afirmou-se com o espaço digital criado pela nova era da informação. As grandes editoras adoptaram uma nova abordagem muito mais próxima de um público ecléctico. Os formatos mais tradicionais ganharam uma projecção mais assente na contemporaneidade (o fado é o grande exemplo disso) e a distância entre os novos artistas e os "velhos do restelo" tornou-se curta e muito desfocada. Considero a compilação de versões Uma Outra História um exemplo maior do estado da "nação" na primeira década do século XXI. Mais do que uma amostra de cápsula onde cabem diferentes estilos, é um magnífico exemplo da qualidade única da música portuguesa. Mostra bem como bem se sabe interpretar a música dos outros (sejam eles estrangeiros ou não) e alicerça o potencial renascimento de tradicionalíssimos temas através de géneros improváveis (Procissão é um exemplo perfeito). No entanto, deixa em suspenso aquela velha questão da portugalidade e do valer a pena ou não assumir um inglês latinizado. Uns soam como qualquer boa pronúncia nórdica (Old Jerusalem), outros nem por isso (Zé Pedro + Alexandre Soares + Gui + Pedro Gonçalves + Jorge Coelho + Fred). Melhor exemplo ainda são a Ana Deus + Carlos Zíngaro + Regina Guimarães + The Zany Dislexic Band que conseguem ter a virtude mágica de adulterar uma complexa Venus In Furs  para o nosso contentamento.

Morphine - The Night (The Night)

It was one of the best gigs I've ever seen. Morphine played Coimbra few months before Mark Sandman collapsed on stage. They played for more than two hours and the audience was always calling them to come back. I remember seeing Sandman seating down when he ran out of more songs to play. He was exhausted. All their albums are great but The Night is my favourite.

4.11.13

Tom Waits - Ol' 55 (Closing Time)

Wake up, get out of bed, and realize you're taking a train to go to work and that "my time went so quickly". I'm not driving as in this song from Closing Time but I can tell "the sun's coming up".

3.11.13

Labradford - by Chris Johnston, Craig Markva, Jamie Evans, (E Luxo So)

Labradford was my soundtrack in September 2001. I was playing Mi Media Naranja on my minidisc when the 11.09 happened. I didn't realise at the time how badly serious it was. I saw some stuff on TV and only got really aware of that when a friend of mine called me to talk about it. I still think about it when I listen to Labradford although I don't relate their music to 11.09. E Luxo So is the album that I have on vinyl.

2.11.13

Neil Young - My My, Hey Hey (Out Of The Blue) (Live Rust)

I'm almost finish with Neil Young's biography and it would be inevitably to not listen to some of his music. Live Rust have been playing all afternoon.

1.11.13

Lou Reed - Power and Glory: The Situation (Magic and Loss)

Magic and Loss is my second favourite Lou Reed album (Transformer is on top, of course) and his best one from the 1990s. The sound of it is simple and punchy. Power and Glory: The Situation is a great example of it. "I want all of it".

31.10.13

The Velvet Underground - New Age (Loaded)

The Velvet Underground have released four brilliant albums. Loaded, the fourth, was the first one I bought on CD. It has Sweet Jane, Rock and Roll and some songs that people don't associate to VU immediately. New Age is one of them. Still one of my favourites to play on guitar.

The Velvet Underground - The South Bank Show

Será demasiado redutor considerar os VU a minha banda preferida? Mesmo não sendo um conhecedor absoluto de tudo aquilo que eles fizeram? Mesmo não sabendo todas as letras de cor? Tenho para mim aquilo que considero ser mais importante: toda uma sonoridade que condensa tudo aquilo que me diz algo: ruído e caos, canções e fragilidade, vozes que não são bem cantadas, letras misteriosas e cruas, urgência de eternidade, sensibilidade artística, improviso. Os VU têm tudo isso. 

30.10.13

Lou Reed - Satellite Of Love (Transformer)

Lou Reed, the too serious guy, the black angel, the inhabitant of the dark side, the noise feedback explorer, grumpy old man who could marry melody and cacophony, was the one, the only one, that could write Satellite Of Love. It would be extremely cheesy if not sang by Lou Reed. He could take risks with melody. He knew when it would be too much. That explains why we can't get tired of listening to Transformer, the perfect album.

29.10.13

The Velvet Underground - Sweet Jane (Loaded)

Sweet Jane is the perfect pop song. If I have to pick up only one song that shows the genius of Lou Reed it has to be this one. There are loads of different cool versions, but the slow paced version from Loaded still is the one that makes me feel hopeful about pop music and life in general.

28.10.13

Lou Reed - Coney Island Baby (Coney Island Baby)

Lou Reed died yesterday. He was one of the greatest. He founded one of the best bands that ever existed in this world and produced amazing albums such as Transformer, New York, Magic & Loss or The Raven. Walk On The Wild Side is one of those songs that enters one's life and never goes out. The same can be said about this Coney Island Baby. Soulful. Bye bye Lou.

27.10.13

Lou

Lou Reed, vocalista e guitarrista dos Velvet Underground, morreu hoje com 71 anos. São imensas as canções, as letras de poesia simples e mordaz, a guitarra algures entre três acordes (quatro, aliás) e as experiências sónicas, os cortes de cabelo entre andrógino e o foda-se, álbuns que vão do Metal Machine aos drones meditativos de Hudson River, as colaborações que culminam num improvável Lulu com os Metallica. Lou Reed nunca foi de muitos amigos. Aprendeu melhor do que ninguém o ofício de colocar as palavras e os acordes no sítio, a voz no registo perfeito, sendo falada quando preciso, e com todos os trunfos que um tipo singular pode ter, abriu alas a um talento único para compor músicas pop perfeitas. Com o passar dos anos tornou-se um guru cujo trabalho seria sempre sinónimo de qualidade e renascimento. É importante que se diga que destes há poucos: verdadeiros escritores de canções.

Aqui fica uma escolha do momento:

Lou

Lou Reed, vocalista e guitarrista dos Velvet Underground, morreu hoje com 71 anos. São imensas as canções, as letras de poesia simples e mordaz, a guitarra algures entre três acordes (quatro, aliás) e as experiências sónicas, os cortes de cabelo entre andrógino e o foda-se, álbuns que vão do Metal Machine aos drones meditativos de Hudson River, as colaborações que culminam num improvável Lulu com os Metallica. Lou Reed nunca foi de muitos amigos. Aprendeu melhor do que ninguém o ofício de colocar as palavras e os acordes no sítio, a voz no registo perfeito, sendo falada quando preciso, e com todos os trunfos que um tipo singular pode ter, abriu alas a um talento único para compor músicas pop perfeitas. Com o passar dos anos tornou-se um guru cujo trabalho seria sempre sinónimo de qualidade e renascimento. É importante que se diga que destes há poucos: verdadeiros escritores de canções.

Aqui fica uma escolha do momento:

Marc Ribot - Delauney Waltz (Silent Movies)

sunday afternoon feeling

O Ravi Shankar além de ter feito boa música e tocado bem cítara, também soube fazer boas filhas

26.10.13

Booker T. & the MG's - Chicken Pox (Melting Pot)

...because it's never late to catch it

25.10.13

Red House Painters - Drop (Ocean Beach)

Red House Painters were another band that I've discovered at the Portuguese summer festival Paredes de Coura and the first album I could borrow was Retrospective. Drop, from Ocean Beach, is one of their best songs. They've started their gig quite earlier to an audience that wasn't ready for them. I guess Mark Kozelek got very annoyed with so much whistling. Despite all that noise the gig was amazingly beautiful. They've removed the plastic background of the stage and pointed the stage lights to the trees behind the stage. I don't remember any song. Only a great gig and a stupid audience.

24.10.13

Um cruzamento de vozes entre os Smashing Pumpkins e os Radiohead, letras dos Velvet, texturas frias de Liverpool... só podem ser os Clinic

Yo La Tengo - Let's Save Tony Orlando's House (And Then Nothing Turned Itself Inside-Out)

Yo La Tengo was another band that I've discovered in the good old days of the Portuguese summer festival Paredes de Coura. Things I remember: pure valve rock; a great juxtaposition of melodic quiet stuff with abrasive electricity à la Velvet; a lot of improvisational noisy parts; an unexpected choreography for the song You Can Have It All; the best female drummer I've ever seen on stage. And Then Nothing Turned Itself Inside-Out is probably their melhancolliest album. Still my favourite.

23.10.13

Robert Forster fala-nos de um dos seus músicos preferidos, Bill Callahan, e do seu novo álbum Dream River na ABC radio.

The Flaming Lips - Waitin' for a Superman (The Soft Bulletin)

Seeing The Flaming Lips in Paredes de Coura was a revelation. All the visuals, the clever videos, the juxtapositions of “bad” and good”, of “noises” and “melody”, produced one of the best gigs I've ever seen. Then I've listened to the album The Soft Bulletin and I got its meaning immediately. Perhaps it wouldn't be so fast if I hadn't seen the gig before. It would take a while to penetrate in The Flaming Lips world without seeing them on stage. This is how pop should be.

22.10.13

Mercury Rev – Holes (Deserter’s Songs)

The 90s were not only about grunge. A lot of distinctive bands came out  with brilliant albums. The  Flaming Lips for example. Or Mercury Rev. For a while Deserter’s Songs was my favourite album of the decade. The cover was appealing and I’ve listened to Holes for the first time I thought “what a great opening track”, so beautiful, so anchored in the past but at the same time pointing out the future, so lennonesque. Deserter’s Songs will always be a great album.

21.10.13

Spiritualized – Sweet Talk (A&E)

I went to see Spiritualized at Rough Trade when they’ve released Songs in A&E. They’ve played and short but powerful set and I’ve stayed until the end to have a chat with Jason. I bought the album and got an autograph for J. as a birthday present. I think I gave him some of my demo recordings but never heard back from him. Yet it was a great evening and they were very friendly.

20.10.13

Robert Wyatt - Heaps of Sheeps (Shleep)

I bought Shleep on Friday, a great double 180gr vinyl for only 13 pounds. It’s one of those albums that open your mind to its simple composition, astute arrangements and sophisticated production. Wyatt is an unique musician and his voice is both fragile and strong at the same time. If Heaps of Sheep doesn’t grab your attention immediately you surely need to revise your music appreciation skills and taste.

Robert Wyatt - Shleep



Soltei-me um pouco das amarras digitais e comprei um vinil na Fopp: um álbum obrigatório do Robert Wyatt chamado Shleep por £13: é duplo, traz a versão em CD e mais uma série de músicas que provavelmente nunca ouvi. Foi uma compra imprevista. A ideia inicial era escolher um ou dois livros essenciais ao desbarato. Já tinha na mão o 1984 do Orwell e o Bring The Noise do Reynolds (mais uma compilação de artigos e entrevistas) por uma nota de cinco. Demorei um pouco na secção do Miles cujos CDs estavam a módicas £3 ou £4, mas quando vi o duplo vinil Shleep achei melhor não pensar muito e arrumei os livros. Tenho um "fraquinho" pelo Wyatt (quem é que não tem?) e um carinho especial por este disco. A canção Maryan, por exemplo, tem tudo aquilo que uma canção deve ter: sonho, tacto e carisma.

Pelo caminho vim a pensar na, falta-me aqui vocabulário, na oportunidade que é poder encontrar discos destes a £13 (com CD dentro para outras audições mais cómodas) e nas reticências que temos em os comprar de imediato, porque vivemos numa era em que a música se desmaterializa e perde o valor. Ocupa espaço, sim, não o podemos ouvir em todo o lado, sim, mas é um objecto com o qual criamos um mundo mais nosso, com alguma identidade e apego, coisas que nos fazem imensa falta nos dias de hoje.

19.10.13

Daler Nasarov - Girl From The Village (Luna Papa)

I'm not sure, but I think that Luna Papa is one of those films that I've started from the soundtrack. It's quite interesting to learn about a story of a film through its music. We construct images, scenes and sometimes an entire imaginary script. This soundtrack is extremely rich in terms of cultural influences and somehow there's something in it that reminds me of Portuguese music. The roots are deep.

18.10.13

Air - High School Lover (The Virgin Suicides)

I remember going to see The Virgin Suicides at the cinema and feeling completely absorbed by the sadness and melancholic sounds of the soundtrack. It sounded like a XXI Century Pink Floyd band with vocoder. The opening scene is just about the music, isn't it?

17.10.13

Neil Young – Guitar Solo, n. 5 (Dead Man)

One of my favourite directors, Jim Jarmusch, have decided to invite the charismatic Neil Young to compose the soundtrack for his movie Dead Man. Young then decided to record the soundtrack “by improvising (mostly on his electric guitar, with some acoustic guitar, piano and organ) as he watched the newly edited film alone in a recording studio”. The result is quite deep. There are erupting noises here and there, and although the compositions are mostly improvised, Young keeps his sense of melody acute and creates an organic piece that seems to come from inside the film.

16.10.13

Angelo Badalamenti feat. Julee Cruise – Mysteries Of Love (Blue Velvet)

Facing the impossibility to use the Song To The Siren by This Mortal Coil in Blue Velvet, Lynch requested an original song from Badalamenti. He came up with Mysteries Of Love and it was the first great result of a very fruitful collaboration between Lynch/Badalamenti and Julee Cruise. It’s dreamy, haunting and simply beautiful.   

15.10.13

Respiga

O tímido Bill tem um novo disco. Por aqui ficamos a saber que o Bill escreve primeiro e só depois compõe. Mas afinal o que é que aproxima os The National de Bon Iver? São os hinos emotivos de composições sentidas ou o aspecto (corte de cabelo incluido) de solicitador? Alguma coisa deveriam ambos aprender com o sr. Jason, que fez algo muito interessante numa música de uma banda que não conheço e, depois de ver um pouco de um video, não me apetece nada conhecer. Enquanto isso David Byrne segue a mesma onda de Thom Yorke e dá uma desancada nos serviços de streaming.

Ry Cooder – Paris, Texas (Paris, Texas OST)

It’s one of my favourite opening scenes in a film: a man walking in the desert. You’re immediately in a slow pace mood. Then the music just fits perfectly as it’s inside the man’s mind: a guitar walking in the desert. The Paris, Texas is a beautiful piece of work and probably the best that Ry Cooder ever done. It’s slow, melancholic and tender. A perfect soundtrack for a perfect film.

14.10.13

Ennio Morricone – Man With A Harmonica (Once Upon a Time in the West)

A great film, a great soundtrack: Once Upon A Time In The West. Morricone introduces vulgar instruments in his music and it simply works amazingly. The harmonica is the object that resonates through the entire film and it’s hard not to think of it whenever we think of a spaghetti film. Yet my favourite bit is the electric guitar. More than its lines is its sound: guttural, harsh, rough, rotten.

12.10.13

Tortoise - Ten-Day Interval (TNT)

TNT was coming slowly as ambient jazzy music and I was quite far to understand how rock Tortoise were. Some weird electronics, experiments, and occasionally some guitars were not enough. Then I saw two drummers, a myriad of instruments and it was a revelation. It all makes sense when you see them on stage.

11.10.13

Encontros imediatos: Scott Walker



Eremita, anacoreta, solitário são adjectivos de Scott Walker. Um ser esquisito, ancorado em supostas depressões, auto-renegado do estatuto pop dos Walker Brothers e de uma carreira a solo de crooner e intérprete de Brel. De vez em quando lança um disco, mas o palco é uma miragem. Tilt, The Drift, Bish Bosch, discos avant-garde intragáveis para muitos e mesmo para os devotos da série de 60s de I a IV. Não obedecem a normas, dividem opiniões, mas são autênticos objectos de estudo de académicos, intelectuais da musicologia, e gurus do século XX: Bowie, Eno.

Não muito depois do lançamento de um livro e de uma espécie de debate no café Oto, fica no ar, via mensagens em fóruns, que Walker é por vezes avistado em Chiswick a andar de bicicleta. Isto em si é uma porta aberta para encontrar o homem. Primeiro, porque Chiswick é local de romaria laboral. Segundo porque sabendo-se que o homem não se veste de preto, de fato e gravata, nem anda de limusina, seria porventura fácil de reparar nele na fila do supermercado ou entre uma multidão de transeuntes.

Em agosto de 2012, durante a hora do almoço, a caminhar de cabeça baixa no passeio com uma sandes na mão, o aqui anónimo trabalhador de escritório cruza-se com Walker. Não é o tipo aprumado todo Divine Comedy ou todo Eno. É um tipo de roupas largas beije, boné quase a tapar os olhos, a empurrar uma bicicleta carregada de sacos de compras. Os olhares cruzam-se. "Aquele era o Scott Walker. Será que era o Scott Walker?" O momento torna-se impossível. O músico anacoreta, o homem impensável, aquele que não vai para o palco, o mito.

Inversão de marcha. "Excuse me, are you Scott Walker?" Voz grave (era ele): "Yes". Silêncio. "Great to see you". Com um sorriso: "great to see you too". Tradução: mas quem caralho és tu? O imprevisto desarma e fica-se sem palavras. O embaraço do anacoreta por ter sido reconhecido na rua não ajuda. "I really admire you". Olhos abertos: "thank you". O que escreve isto em camera lenta, a nem sequer se lembrar de perguntar pelo boato de um novo disco (Bish Bosch), e ambos a seguirem caminhos opostos.

Bill Callahan - The Sing (Dream River)

Just got two tickets to see Bill Callahan at Royal Festival Hall in February 2014. I usually don't buy tickets in advance but somehow his new album Dream River set me in the mood for it. "Beer, thank you, beer, thank you"...

10.10.13

Piano Magic - The Season Is Long (Writers Without Homes)

Writers Without Homes was one of the albums that I've listened a lot when I moved to London. It was cold, dark and a lot of doubts were upon the air. I couldn't look properly into the future without getting rid of the past. This song (but not only this one), provided me comfort and a good feeling about life.

9.10.13

The Doors - Indian Summer (Morrison Hotel)

I've listen to Morrison Hotel so many times that I probably know it by heart. I don't remember the first time I've listened to it, it was long time ago, and I'd probably already know about some of the most obvious songs through a Best Of compilation. Indian Summer is a beautiful tender song that somehow reminds me of Elvis. I'm quite sure that Morrison was his admirer.

8.10.13

Jeff Buckley – Dream Brother (Grace)

It wasn't love at first sight. It took me a while to overcome its trendiness and listen to Grace as it is. Soon I've discovered that it’s a great album and sonically on top by rock standards. I’d call this post-grunge, a kind of sophisticated dreamy rock where opposed styles are put together, e.g.. Eternal Life vs. Hallelujah. Somehow it works as a whole.

7.10.13

Tindersticks - Across Six Leap Years



O novo disco dos Tindersticks pode ser ouvido por inteiro na Quietus. Foi gravado em jeito de retrospectiva pelos 21 anos de carreira e não pretende ser uma espécie de greatest hits, mas simplesmente mostrar o quão longe eles chegaram. Foi gravado em Abbey Road nos míticos estúdios de Abbey Road e vai ser lançado no próximo dia 14 de outubro.

É muito difícil avaliar intenções numa banda como os Tindersticks. Se por lado, a banda já não é a mesma, por outro lado souberam manter uma sonoridade institucional e têm lançado muito bons discos. Se não fosse por isto, dificilmente conseguiriamos olhar para a idea de uma retrospectiva sem a acusar de uma solução desesperada de uma banda sem ideias e, lamentavelmente, sem futuro. Mas este não é o caso dos Tindersticks. Passou o tempo deles, é certo, seja porque já não há correntes como havia nos anos 90, seja porque na era de expansão digital não existe, ironicamente, mais espaço para bandas duradouras. Mas os Tindersticks já vivem numa outra dimensão. Não são uma banda de maiorias, mas continuam a encher salas. Não são uma banda para estes jovens de agora, mas continuam a ser uma influência para outras vindouras. São, no fundo, aquilo que se tornou comum designar de banda de culto, e como banda de culto dão-se ao luxo de entrar em Abbey Road, com a maior naturalidade do mundo, para regravar uma série músicas menos óbvias.

Tim Buckley – Pleasant Street (Goodbye and Hello)

I've heard about Tim after is son Jeff. Sometimes it happens. Then I've discovered his music on a tribute album called Sing a Song for You: A Tribute to Tim Buckley (curiously an album where Tram were featured and me far from wondering that one day I would meet them and play with them). Much later I've decided to buy his first two albums and I became more familiar with his 12 string guitar sound and charismatic vocals. I obviously preferred Goodbye and Hello to the debut. Pleasant Street explains it.

4.10.13

Waging Heavy Peace


A propósito de estatutos e obediência a estilos, pode ler-se no livro auto-biográfico de Neil Young, Waging Heavy Peace, que a pressão das editoras na mercantilização de produtos consegue ser cega ao ponto de acusarem o artista Neil Young de não andar a produzir música à Neil Young. Cultura das massas: o povo define o artista e quer obriga-lo a ser aquilo que ele deve ser. Nisto vai beber a postura mercantil das editoras, ou de certas editoras, ao quererem definir expectativas e subjugar o músico a uma clara des-integridade artística. Young não  obedece a nada a que não seja ao seu próprio instinto criativo. Duas passagens ficam fossilizadas nesta lição de princípios: (1) nos anos oitenta sob aquela pressão contratual de fazer "um disco à Neil Young", Young lança coisas menores e sem graça nenhuma, como Neil and the Shocking Pinks: Everybody's Rockin' numa clara teimosia rebelde de fazer os engravatados da editora trepar paredes; (2) não muito diferente foi a "graça" de Tonite's The Night em que, Young, de absoluto reconhecimento mainstream pós-Harvest, grava um disco cru, eléctrico, e sem uma pinga de continuidade de um disco folk "à Neil Young". Os concertos também deixaram de ser à Neil Young para serem à Crazy Horse: Tonight's The Night é tocado do princípio ao fim em palco em frente a uma audiência desagradada a reclamar Old Man e Alabama. No final do set Young vira-se para a audiência e diz qualquer coisa como "Ok, agora vamos tocar aquilo que vocês estão estiveram até agora espera" e arranca novamente com Tonite's The Night do princípio ao fim.

Waging Heavy Peace


A propósito de estatutos e obediência a estilos, pode ler-se no livro auto-biográfico de Neil Young, Waging Heavy Peace, que a pressão das editoras na mercantilização de produtos consegue ser cega ao ponto de acusarem o artista Neil Young de não andar a produzir música à Neil Young. Cultura das massas: o povo define o artista e quer obriga-lo a ser aquilo que ele deve ser. Nisto vai beber a postura mercantil das editoras, ou de certas editoras, ao quererem definir expectativas e subjugar o músico a uma clara des-integridade artística. Young não  obedece a nada a que não seja ao seu próprio instinto criativo. Duas passagens ficam fossilizadas nesta lição de princípios: (1) nos anos oitenta sob aquela pressão contratual de fazer "um disco à Neil Young", Young lança coisas menores e sem graça nenhuma, como Neil and the Shocking Pinks: Everybody's Rockin' numa clara teimosia rebelde de fazer os engravatados da editora trepar paredes; (2) não muito diferente foi a "graça" de Tonite's The Night em que, Young, de absoluto reconhecimento mainstream pós-Harvest, grava um disco cru, eléctrico, e sem uma pinga de continuidade de um disco folk "à Neil Young". Os concertos também deixaram de ser à Neil Young para serem à Crazy Horse: Tonight's The Night é tocado do princípio ao fim em palco em frente a uma audiência desagradada a reclamar Old Man e Alabama. No final do set Young vira-se para a audiência e diz qualquer coisa como "Ok, agora vamos tocar aquilo que vocês estão estiveram até agora espera" e arranca novamente com Tonite's The Night do princípio ao fim.

Smog - Permanent Smile (Dongs Of Sevotion)

This is an album by Smog that I've been discovering recently, Dongs Of Sevotion, and the last track struck me immediately. I really like the sound of the drums and the hypnotic repetitive piano motifs in the background. Just a great finale in the style of Faith / Void from Sometimes I Wish We Were an Eagle.

3.10.13

A Winged Victory For The Sullen @ Village Underground 1.10.2013

Na Cecil Sharp House terminaram o concerto com Pärt. No Hackney Empire tocaram uma versão da Jesus Blood Never Failed On Me Yet. No Village Underground, para evitar previsibilidades, Adam Wiltzie cantou. Sim, cantou. Uma versão de Spirit Ditch dos Sparklehorse com prévia dedicatória a Mark Linkous. A voz saiu-lhe ténue e frágil ao jeito de Linkous e pela primeira vez pairou pop na música para piano e quinteto de cordas dos A Winged Victory For The Sullen. Ficou-lhes bem. Mais do que tudo invocou fantasmas que fizeram lembrar momentos de um concerto dos The Dead Texan com Sparklehorse há uns anos no Shepherds Bush Empire (algo parecido com isto). 

A razão que traz os AWFTS novamente a Londres não é a apresentação de um disco, nem mais um aniversário da editora Erased Tapes. Desta vez, trata-se da apresentação dos temas compostos recentemente para a peça de dança moderna Atomos de Wayne McGregor, brevemente em estreia no teatro Sadler's Wells. Para quem já teve a curiosidade de espreitar o estilo de McGregor, a escolha não é de todo estranha. Estranho talvez tenha sido os AWVFTS, como sublinhou Wiltzie no início do concerto, terem aceitado compor música num tão curto espaço de tempo (3 meses) tendo em conta que Adam Wiltzie "demora 14 anos a compor duas músicas apenas". 

É difícil situarmo-nos num concerto destes, anunciado como um ensaio, um teste, uma experiência antes da estreia da peça final Atomos. Por um lado, os novos temas soam a rascunhos inacabados em estado pré-gravação (é claramente óbvio que este tipo de música precisa do processo meticuloso de estúdio para adquirir forma), e por muito que sejam pérolas ainda em formação, apenas podem ser apreciadas como retalhos num vulnerável esqueleto de ensaio . Por outro lado, embora a nova música destes AWVFTS possua já de si uma qualidade cinematográfica, estes são temas que foram compostos para um banda-sonora, e como tal, são peças de um todo orgânico que deambulam sem o elemento principal para o qual foram pensadas. Por isso tudo, soam a interlúdios colados uns nos outros, disjuntas erupções vulcânicas colocadas entre as obras mais ensaiadas e cristalizadas como We Played Some Open Chords and Rejoiced, for the Earth Had Circled the Sun Yet Another Year ou Steep Hills of Vicodin Tears. 

Não sendo o alinhamento mais estruturado para a mais terna degustação dos minimalismos bonitos, é uma segura amostra das possibilidades do que pode vir a seguir num novo disco: sons ainda mais ancorados na guitarra-drone de Wiltzie; ambiências electrónicas mais artificiais e granuladas; cordas com mais arestas e ligeiramente afastadas da dormência ambiente. No topo destes elementos novos fica no ar uma possibilidade pop remota na versão de Spirit Ditch, em contraponto com a tendência óbvia dos AWVFTS em preencherem a ainda parca produção de originais com o repertório de Arvo Pärt ou Gavin Bryars. Mas algo nos diz que esta voz de Wiltzie vai acontecer apenas uma vez por outra. É uma pena, mas a missão dos AWVFTS neste mundo é outra. 

A Winged Victory for the Sullen - We Played Some Open Chords and Rejoiced, for the Earth Had Circled the Sun Yet Another Year (A Winged Victory for the Sullen)

I went to see AWVFTS for the third time and I guess I’ve been to all the gigs they’ve played in London until now. I can’t get tired of their music but I’m sure if I want to see them again. It’s probably one of my favourite acts of the moment and their album  A Winged Victory for the Sullen is one of those that I’ll always listen. They’ve played this “We Played Some Open…” wonderfully and did a great cover of a Sparklehorse song with Adam singing.

2.10.13

Sparklehorse - Spirit Ditch (Vivadixiesubmarinetransmissionplot)

I went to see A Winged Victory For The Sullen last night and the unexpected happened. They did a cover of this song by Sparklehorse from the album Vivadixiesubmarinetransmissionplot with Adam Wiltzie singing. Beautiful.

1.10.13

The Velvet Underground & Nico - Heroin (The Velvet Underground & Nico)

Two chords, a viola drone, amazing guitar feedbacks, slow vs. fast train rhythms, noise. This is Heroin. First time I’ve listened to it was in the Oliver Stone’s movie about The Doors in a scene expressively related to drug trips. Who’s this band? What the hell? Lou Reed? John Cale? The Velvet Underground & Nico, for everything that it represents in style, is probably my top album of all time.

30.9.13

La La La Ressonance + Black Bombaim


A manhã de segunda-feira começa com o cruzamento recente de estilos de La La La Ressonance e Black Bombaim: pós-rock vs. stoner rock; exploração mecânico-cerebral vs. cavalgadas proto-psicadélicas ruidosas; liberdade ancorada no free-jazz vs. liberdade de alicerce bruto nas profundezas do rock. O primeiro statement surge em dois blocos distintos: uma coisa primeira mais La La La; depois um rasgo de ruído de instrumentos diluídos nos efeitos e no drone. Depois, ainda uma terceira parte de percussões (novamente La La La) onde a fórmula repetida do riff se vem cruzar numa onda que perigosamente pisa as plataformas mais comuns do rock. Às vezes parece querer soar a Do Make Say Think, noutras progressões invoca o imaginário abstracto do krautrock mais eléctrico, mas na grande parte desse cruzamento tudo soa a duelo cru entre duas formações distintas, onde as justaposições nos lembram disso mesmo. Ao esqueleto krautrock acrescentam-se um sintetizadores paisagísticos que expandem os cruzamentos para outro universo, uma espécie de terceira dimensão que abre alas a outro tipo de guitarras, secas, num jeito sincopado sem algemas. Mas isso é apenas um retalho. O lugar puro das guitarras surge na comum desorientação provocada pelas distorções máximas acompanhadas pelo saxofone dos tempos mais desconcertantes dos TAUF. Aqui é apenas mais um elemento perdido no ruído e não um objecto isolado nos espaços vazios. Mas isso talvez possa ser dito de todos os elementos que, mais uns do que outros, vão marcando a sua presença naquilo que é uma constelação de pequenas peças que aos poucos vão fazendo todo o sentido na colagem cuidada de restos de força bruta. E o que resta disto? Um drone, uma vibração tenebrosa de terramoto, e uma plataforma exploratória da nova Pompeia dos tempos em que tudo já foi feito e nada se liberta da retromania das ideias mais puras do psicadelismo obscuro e da distroção tribal, que salvo raras excepções, culmina num amontoar de sons para um climax previsível o hemisfério pós-rock ou que caralho lhe queiram chamar. Depois disto, o melhor mesmo é cortar a fita magnética com uma tesoura e colar os pedaços noutros sítios.

Instrumentos Esquisitos: o Trautonium


O trautonium é um instrumento electrónico monofónico inventado em 1929 por Friedrich Trautwein, em Berlim, no laboratório radiofónico de Musikhochschule. Oskar Sala juntou-se a Trautwein e continuou o desenvolvimento do aparelho, o Mixtur Trautonium, até 2002.

O instrumento não possui teclado. O som é activado por através de um fio com resistência em contacto com uma placa de metal. O fio é sensível ao toque e permite a criação de vibrato com pequenos movimentos. O volume é controlado com a pressão dos dedos no fio e no bordo. Ao contrário do theremin, o trautonium pode ser tocado apenas com uma mão. Os primeiros sons eram produzidos com osciladores, mais tarde com tiratron (uma espécie de válvula electrónica) e depois com transistores.

A primeira apresentação ao público aconteceu no dia 20 de junho de 1930 por Oskar Sala e Paul Hindemith no Berliner Musikhochschule Hall. Nas décadas de 1940s e 1950s foi bastante utilizado e, anúncios publicitários e na criação de bandas-sonoras, sendo célebre a sua utilização no filme de Alfred Hitchcock, Os Pássaros (1963).

The Stooges - No Fun (The Stooges)

The Stooges is my favourite punk-rock album. I really like all the songs on it: from No Fun to We Will Fall. The sound is raw, rough and Iggy demonstrates how two or three chords are enough to make a great album. John Cale is the producer and it makes all the difference: the arrangements are minimal and repetitive; and the guitar sound is just at top front hitting your face as with the Velvets.

29.9.13

Pixies - Havalina (Bossanova)

Watching the Pixies playling their new stuff on Jools Holland makes me think how Bossanova was good.

Sound of Cinema: The Music that Made the Movies


Não é certamente o documentário mais completo sobre música e som no cinema, mas serve como uma boa introdução à evolução das prácticas sonoras ao longo dos tempos e atenta a alguns pormenores interessantes na leitura de filmes e cenas que se tornaram célebres. O primeiro episódio de Sound of Cinema: The Music that Made the Movies, apresentado por Neil Brand, recua aos primórdios do uso de música de orquestra por nomes como Max Steiner e Erich Wolfgang Korngold em filmes como King Kong e The Adventures Of Robin Hood, e acompanha evoluções ocorridas em filmes como Citizen Kane e Vertigo, de onde emerge Bernard Herrmannm um dos nomes mais importantes na composição de bandas sonoras clássicas para filmes. A música composta para a cena do chuveiro em Psycho é certamente uma das peças mais memoráveis. No segundo episódio Brand fala-nos do uso de música pop, rock e jazz, num claro abandono da fórmula orquestrada em favor de bandas-sonoras mais modernas e mais baratas. Mais baratas, mas não necessariamente menos perfeitas. É nesta nova tendência que surgem nomes maiores como John Barry, Ennio Morricone ou Angelo Badalamenti; mas também o uso de música não originalmente composta por directores exímios como Martin Scorcese e Quentin Tarantino. O terceiro episódio intitula-se New Frontiers e apresenta todas as grandes inovações proporcionadas por avanços tecnológicos como o foi a invenção do theremin a ilustrar estados psicológicos em filmes como Spellbound de Hitchcock e um infinito imaginário de filmes de ficção científica. Hitchcock é sem dúvida, mais uma vez, um dos directores que mais se aventura em novas estéticas e conceitos inovadores. No filme Os Pássaros não existe música. Todos os sons são recriações sintéticas de aves produzidos por um instrumento chamado trautonium (na fotografia em cima). Só por estes pormenores já vale a pena ver este novo documentário da BBC.

28.9.13

Johnny Cash - Hurt (American IV: The Man Comes Around)

Learning about country music in a BBC documentary. There's a lot of good stuff there, Patsy Cline, Hank Williams, even Dolly Parton. But Cash is Cash and, despite the vulgarization of Hurt, it still is one of his best covers from his American series.

27.9.13

John Cale - Heartbreak Hotel (Helen of Troy)

I still remember the first time I saw John Cale on TV in one of those Sunday afternoon popular programs. He performed live a couple of songs on acoustic guitar. Some time later I saw him playing Heartbreak Hotel on piano in a tribute event for Elvis. It is a very good cover and I got really impressed with its darkness and Cale’s despairing vocals. I bought  Close Watch: An Introduction to John Cale and that was indeed my introduction to Cale’s solo work.

26.9.13

Nico - It Was A Pleasure Then (Chelsea Girl)

First time I’ve listened to Nico’s solo songs was through The Velvet Underground box compilation Peel Slowly and See. My favourite song was (and still is) It Was A Pleasure Then (it was a pleasure then and now) that was part of Chelsea Girl. It was a truly revelation to listen to an electric  guitar being played that way, so softly, so distant, so enigmatically; and then the eruption of noisy feedbacks and the combination of beauty and “ugliness” became one of my first musical lessons and a deep rooted principle of self-composition. For life.

25.9.13

Respiga de mapas

A geografia da música pode tornar-se uma aventura na descoberta. Nomes que se ligam a outros nomes. Estilos que se ligam a outros estilos. Existe um número de websites que permitem fazer essas esquematizações que outrora nos ficavam seguras na memória. Aqui ficam três exemplos já adicionados nas listas à direita:

Respiga de mapas

A geografia da música pode tornar-se uma aventura na descoberta. Nomes que se ligam a outros nomes. Estilos que se ligam a outros estilos. Existe um número de websites que permitem fazer essas esquematizações que outrora nos ficavam seguras na memória. Aqui ficam três exemplos já adicionados nas listas à direita:

Concerto agendado para ver na próxima semana (pela terceira vez)

John Cale & Lou Reed - Open House (Songs For Drella)

It's a Czechoslovakian custom my mother passed on to me / The way to make friends Andy is invite them up for tea”. We don’t make many friends by inviting them for tea and we’re not Czechoslovakian. Yet we would invite friends to listen to this great album, Songs For Drella, written for Andy Warhol when Lou and John seemed to be friends. Most songs sound unfinished (and that’s the good quality of it) and Lou’s guitar is sometimes intrusive in the soundscape created by John Cale. It’s Lou and there’s nothing you can do about it. Is there anyone out there as good as him delivering a combination of spoken word and perfect lyrics?

24.9.13

Undercurrents + Wire




Uma versão usada do livro Undercurrents (em bom estado mas com uns sublinhados florescentes irritantes) chegou finalmente. Veio num embrulho dos Estados Unidos (coisas da Amazon) e por isso ficou por pouco mais de quatro libras, incluindo os portes de envio. Comprar livros usados na Amazon tem sido um hábito. Este Undercurrents é uma colecção de textos obrigatórios publicados na revista Wire. Alguns exemplos: Ian Penmen escreve sobre a forma como o microfone se tornou uma das invenções tecnológicas mais importantes do século XX ao permitir uma nova dinâmica de voz; Ken Hollings fala-nos dos mitos solares de gente estranha como Sun Ra e Stockhausen; Peter Shapiro tem por objecto o gira-discos como um instrumento; Mark Sinker leva-nos a considerações sobre Futurismo; e David Toop escreve sobre os limites da espontaneidade na música improvisada.

A chegada do livro coincide com o facto de me ter tornado novamente assinante da Wire. Não que eu tenha agora mais tempo para ler a revista de ponta-a-ponta, mas o livre acesso a todo o catálogo digital é algo muito apetecível. Em vez de perder tempo em googles e navegações sem destino, abro a revista digital (um pouco ao calhas) e procuro textos específicos. Ontem, por exemplo, encontrei este (até bem recente) sobre roncas de nevoeiro e faróis. Não sei como é que um evento destes me escapou. Uma verdadeira undercurrent. Lá está, se fosse assinante da Wire tal não teria acontecido.

Undercurrents + Wire




Uma versão usada do livro Undercurrents (em bom estado mas com uns sublinhados florescentes irritantes) chegou finalmente. Veio num embrulho dos Estados Unidos (coisas da Amazon) e por isso ficou por pouco mais de quatro libras, incluindo os portes de envio. Comprar livros usados na Amazon tem sido um hábito. Este Undercurrents é uma colecção de textos obrigatórios publicados na revista Wire. Alguns exemplos: Ian Penmen escreve sobre a forma como o microfone se tornou uma das invenções tecnológicas mais importantes do século XX ao permitir uma nova dinâmica de voz; Ken Hollings fala-nos dos mitos solares de gente estranha como Sun Ra e Stockhausen; Peter Shapiro tem por objecto o gira-discos como um instrumento; Mark Sinker leva-nos a considerações sobre Futurismo; e David Toop escreve sobre os limites da espontaneidade na música improvisada.

A chegada do livro coincide com o facto de me ter tornado novamente assinante da Wire. Não que eu tenha agora mais tempo para ler a revista de ponta-a-ponta, mas o livre acesso a todo o catálogo digital é algo muito apetecível. Em vez de perder tempo em googles e navegações sem destino, abro a revista digital (um pouco ao calhas) e procuro textos específicos. Ontem, por exemplo, encontrei este (até bem recente) sobre roncas de nevoeiro e faróis. Não sei como é que um evento destes me escapou. Uma verdadeira undercurrent. Lá está, se fosse assinante da Wire tal não teria acontecido.

Lou Reed - September Song (September Songs: The Music of Kurt Weill)

Most of the tracks performed on the tribute album September Songs: The Music of Kurt Weill are of top quality. My highlights: Nick Cave - Mack the Knife; PJ Harvey - Ballad of the Soldier's Wife; Elvis Costello - Lost in the Stars; Charlie Haden - Speak Low and William S. Burroughs - What Keeps Mankind Alive?. Yet, the cover of September Song by Lou Reed (he had another one on Lost in the Stars: The Music of Kurt Weill which is not as good) is just on of my favourite covers of all time. It has the perfect pace, the ideal dose of melancholy and it’s a very interesting adaptation of the original.

23.9.13

Avant-Garde Jazz 1950s-1960s

  1. Ornette Coleman – Lonely Woman
  2. Cecil Taylor Quartet – Wallering
  3. John Coltrane – A Love Supreme Part I: Acknowledgement
  4. Charles Mingus – Mode D - Trio And Group Dancers / Mode E - Single Solos And Group Dance / Mode F - Group And Solo Dance
  5. Eric Dolphy – Straight Up And Down - 1999 Digital Remaster
  6. Pharoah Sanders – Colors
  7. Max Roach – Freedom Day
  8. Bobby Hutcherson – Les Noirs Marchant - Rudy Van Gelder;2002 - Remaster
  9. Eric Dolphy – Iron Man
  10. Sonny Rollins – We Kiss In A Shadow
  11. Wayne Shorter – Chaos - Rudy Van Gelder 24Bit Mastering 00;2000 Digital Remaster
  12. Archie Shepp – Frankenstein
  13. Sun Ra – Voice of Space
  14. Alice Coltrane – Atomic Peace
  15. Art Ensemble Of Chicago – Old Time Religion

Mark Lanegan - Brompton Oratory (Imitations)

Mark Lanegan have released a new covers album called Imitations that seems to be the successor to beautifully crafted I’ll Take Care Of You (1999). There are songs originally written by Chelsea Wolfe, John Barry, Kurt Weill, John Cale or Neil Sedaka. This one is Brompton Oratory by Nick Cave & The Bad Seeds, probably my favourite from The Boatman’s Call (1997). One curious fact: Duff McKagan (Guns N’ Roses) plays the beautiful bass line.

22.9.13

Tape - Dust and Light (Revelationes)

This the opening track of my favorite 2011 album: Revelationes by tedTape. I can't precise exactly how I've discovered this band yet they capture my attention immediately. The sound itself is both rough and sophisticated. Truly love the muffled sounds they use (drums and electric guitar) and their sense of melody is both exquisite and simplistic.  

21.9.13

Efeitos opostos

The promise of the iPod and the download culture in general is that people will become open-minded, into music as a whole as opposed to a specific nook or niche of it. Yet the abundance, diversity and ease of access that we now enjoy seems to have actually had the opposite effect. p.121

Agora que existe uma facilidade tremenda na comunicação e na descoberta de música, parece estar a assistir-se ao desaparecimento de uma plataforma de verdadeira partilha e a um consequente fechar das mentes (ou será antes ao contrário?). Talvez não fosse algo tão imprevisível. É que ao mesmo tempo em que se abrem portas ao conhecimento e ao livre (ou pelo menos mais fácil) acesso a objectos musicais; assiste-se também a uma outra forma de ouvir música, limitada quer às constrições de qualidade e de tempo, quer ao vazio de ausência de um objecto. A questão aqui nem é o facto de se ouvir cada vez música com pequenos auscultadores de um iPod. Lembremos-nos apenas que o Walkman já anda por cá há anos. A questão é bem capaz de residir antes na superficialidade com que o ouvinte se liga intelectual e emocionalmente aos objectos musicais, hoje em dia numa clara vertigem para a desmaterialização. 

Três considerações em relação ao objecto-vinil e o que o diferencia do formato digital:

(1) ouvir um disco em vinil implica sempre uma série de rituais. Limpar a agulha, tirar o pó ao disco, virá-lo para ouvir o lado B. Existe o contacto com um objecto de música que deve ser cuidado. Por outro lado, a separação física entre o lado A e o lado B funciona como fronteira concreta entre duas partes distintas. O disco era pensado e gravado tendo em conta esse facto. Com o aparecimento do CD deixou de existir essa fronteira e o álbum passou a ter uma duração (demasiado) ampla (74 minutos) porque a tecnologia o permitiu. Com o mp3 essas fronteiras tornaram-se ainda mais indefinidas e definitivamente abstractas.

(2) o vinil ocupa espaço. A grande vantagem de poder coleccionar (e quiçá de ouvir) um maior número de álbuns acarreta consigo o desvanecer de um filtro padrão de qualidade. Havendo mais espaço para guardar música existe também um acumular de discos que certamente não os teríamos em objecto físico. Músicos que até nem são os nossos preferidos ou que até nem gostamos muito, mas vá lá, temos espaço para eles no disco duro ou num disco portátil. 

(3) o vinil tem um preço e sabemos que nesse preço está o objecto em si, a impressão do vinil, o design, a qualidade do papel. Com a desmaterialização toda essa relação física desaparece e ideia de propriedade é também ela abstracta. O objecto de propriedade é agora um iPod ou uma conta num serviço de streaming. A música pode ser comprada mas, sejamos francos, também pode ser trocada entre usuários de internet, através de um acto a que se tornou usual chamar download ilegal. Existe, portanto, uma clara desvalorização do ter objectos. Aquilo que as pessoas estavam dispostos a pagar por um disco transferiu-se para os reprodutores digitais, os computadores, os telemóveis, ou mesmo os auscultadores. 

Estas três tendências, entre muitas outras, condicionam muito a forma como se ouve música hoje em dia e talvez possam explicar em parte a ausência de abertura musical e partilha. Parece-me, aliás, não tenho dúvidas, que existe (ou existia) mais eficiência na partilha de cassetes entre amigos do que na partilha de um link para o YouTube via Facebook. Pode ser mais imediato, mas no seu âmago é um acto insípido que não prende o gosto comum por determinada música, álbum, ou artista. Posso constatar isso todos os dias no escritório. Toda a gente de auscultadores nas orelhas, mesmo (e até principalmente!) quando alguém resolve colocar algo a tocar nas colunas. É a prova que já não existem, nem se cultivam, lugares comuns para se fazer jus à experiência colectiva que a música possui e merece.

Thurston Moore - Benediction (Demolished Thoughts)

With benediction in her eyes, Our dearest gods are not surprised.You better hold your lover down, Tie him to the ground.Whisper "I love you,"One thousand times into his ear, kiss his eyes, And don't you cry girl, he won't disappear.But I know better than to let you down.With benediction in her mind, She'll never get you back in time.You better hold your lover down, And tie her to the ground.Simple pleasures strike like lighting, Scratches spell her name.Thunder demons swipe her halo, And then they run away.But I know better than to let her go.With benediction in her eyes, Our dearest gods are not surprised.You better hold your lover down, And tie her to the ground.Simple pleasures strike like lightening, Scratches cross her name.Whisper "I love you my darling, life is just a fling."But I know better than to let her go.I know better that to let you go.

20.9.13

Nick Cave & The Bad Seeds - Stranger Than Kindness (Your Funeral ... My Trial)

Your Funeral... My Trial is not the best album by Nick Cave but it includes two of his best songs. One is The Carny, the other this introspective Stranger Than Kindness. I've read somewhere that the song emerged while Blixa was experimenting some shadowy slide sounds on his guitar. It sounds mysterious, foggy, drugged, and somehow Cave’s lyrics fit perfectly: “You hold me so carelessy close / Tell me I'm dirty / Stranger than kindness”.

19.9.13

Hackround


  1. THE BONHAMIZER - Escolham uma música da lista, um estilo, e o resultado é uma versão dessa música como se fosse tocada pelo lendário baterista dos Led Zeppelin, John Bonham
  2. BOIL THE FROG – Escolham dois artistas e uma playlist será gerada com músicos que os conectam entre si
  3. REMIX OF THE CENTURY – Escolham as variáveis (e.g. número de semanas nos tops, amplitude, duração) e podem ouvir a mix de um século
  4. JOHHNY CASH HAS BEEN EVERYWHERE – uma música apenas e Cash a aparecer em todos os locais mencionados na letra da canção
  5. DRINKIFY – escolham o artista e o “barman” indica que bebida devem tomar
  6. EVERY NOISE AT ONCE – um mapa de géneros, sub-géneros e sub-sub-géneros musicais


Hackround


  1. THE BONHAMIZER - Escolham uma música da lista, um estilo, e o resultado é uma versão dessa música como se fosse tocada pelo lendário baterista dos Led Zeppelin, John Bonham
  2. BOIL THE FROG – Escolham dois artistas e uma playlist será gerada com músicos que os conectam entre si
  3. REMIX OF THE CENTURY – Escolham as variáveis (e.g. número de semanas nos tops, amplitude, duração) e podem ouvir a mix de um século
  4. JOHHNY CASH HAS BEEN EVERYWHERE – uma música apenas e Cash a aparecer em todos os locais mencionados na letra da canção
  5. DRINKIFY – escolham o artista e o “barman” indica que bebida devem tomar
  6. EVERY NOISE AT ONCE – um mapa de géneros, sub-géneros e sub-sub-géneros musicais