Soltei-me um pouco das amarras digitais e comprei um vinil na Fopp: um álbum obrigatório do Robert Wyatt chamado Shleep por £13: é duplo, traz a versão em CD e mais uma série de músicas que provavelmente nunca ouvi. Foi uma compra imprevista. A ideia inicial era escolher um ou dois livros essenciais ao desbarato. Já tinha na mão o 1984 do Orwell e o Bring The Noise do Reynolds (mais uma compilação de artigos e entrevistas) por uma nota de cinco. Demorei um pouco na secção do Miles cujos CDs estavam a módicas £3 ou £4, mas quando vi o duplo vinil Shleep achei melhor não pensar muito e arrumei os livros. Tenho um "fraquinho" pelo Wyatt (quem é que não tem?) e um carinho especial por este disco. A canção Maryan, por exemplo, tem tudo aquilo que uma canção deve ter: sonho, tacto e carisma.
Pelo caminho vim a pensar na, falta-me aqui vocabulário, na oportunidade que é poder encontrar discos destes a £13 (com CD dentro para outras audições mais cómodas) e nas reticências que temos em os comprar de imediato, porque vivemos numa era em que a música se desmaterializa e perde o valor. Ocupa espaço, sim, não o podemos ouvir em todo o lado, sim, mas é um objecto com o qual criamos um mundo mais nosso, com alguma identidade e apego, coisas que nos fazem imensa falta nos dias de hoje.