Muito pode ser dito sobre a música portuguesa da década passada. A cena indie afirmou-se com o espaço digital criado pela nova era da informação. As grandes editoras adoptaram uma nova abordagem muito mais próxima de um público ecléctico. Os formatos mais tradicionais ganharam uma projecção mais assente na contemporaneidade (o fado é o grande exemplo disso) e a distância entre os novos artistas e os "velhos do restelo" tornou-se curta e muito desfocada. Considero a compilação de versões Uma Outra História um exemplo maior do estado da "nação" na primeira década do século XXI. Mais do que uma amostra de cápsula onde cabem diferentes estilos, é um magnífico exemplo da qualidade única da música portuguesa. Mostra bem como bem se sabe interpretar a música dos outros (sejam eles estrangeiros ou não) e alicerça o potencial renascimento de tradicionalíssimos temas através de géneros improváveis (Procissão é um exemplo perfeito). No entanto, deixa em suspenso aquela velha questão da portugalidade e do valer a pena ou não assumir um inglês latinizado. Uns soam como qualquer boa pronúncia nórdica (Old Jerusalem), outros nem por isso (Zé Pedro + Alexandre Soares + Gui + Pedro Gonçalves + Jorge Coelho + Fred). Melhor exemplo ainda são a Ana Deus + Carlos Zíngaro + Regina Guimarães + The Zany Dislexic Band que conseguem ter a virtude mágica de adulterar uma complexa Venus In Furs para o nosso contentamento.
5.11.13
VVAA - Uma Outra História
Muito pode ser dito sobre a música portuguesa da década passada. A cena indie afirmou-se com o espaço digital criado pela nova era da informação. As grandes editoras adoptaram uma nova abordagem muito mais próxima de um público ecléctico. Os formatos mais tradicionais ganharam uma projecção mais assente na contemporaneidade (o fado é o grande exemplo disso) e a distância entre os novos artistas e os "velhos do restelo" tornou-se curta e muito desfocada. Considero a compilação de versões Uma Outra História um exemplo maior do estado da "nação" na primeira década do século XXI. Mais do que uma amostra de cápsula onde cabem diferentes estilos, é um magnífico exemplo da qualidade única da música portuguesa. Mostra bem como bem se sabe interpretar a música dos outros (sejam eles estrangeiros ou não) e alicerça o potencial renascimento de tradicionalíssimos temas através de géneros improváveis (Procissão é um exemplo perfeito). No entanto, deixa em suspenso aquela velha questão da portugalidade e do valer a pena ou não assumir um inglês latinizado. Uns soam como qualquer boa pronúncia nórdica (Old Jerusalem), outros nem por isso (Zé Pedro + Alexandre Soares + Gui + Pedro Gonçalves + Jorge Coelho + Fred). Melhor exemplo ainda são a Ana Deus + Carlos Zíngaro + Regina Guimarães + The Zany Dislexic Band que conseguem ter a virtude mágica de adulterar uma complexa Venus In Furs para o nosso contentamento.