
Não é certamente o documentário mais completo sobre música e som no cinema, mas serve como uma boa introdução à evolução das prácticas sonoras ao longo dos tempos e atenta a alguns pormenores interessantes na leitura de filmes e cenas que se tornaram célebres. O primeiro episódio de Sound of Cinema: The Music that Made the Movies, apresentado por Neil Brand, recua aos primórdios do uso de música de orquestra por nomes como Max Steiner e Erich Wolfgang Korngold em filmes como King Kong e The Adventures Of Robin Hood, e acompanha evoluções ocorridas em filmes como Citizen Kane e Vertigo, de onde emerge Bernard Herrmannm um dos nomes mais importantes na composição de bandas sonoras clássicas para filmes. A música composta para a cena do chuveiro em Psycho é certamente uma das peças mais memoráveis. No segundo episódio Brand fala-nos do uso de música pop, rock e jazz, num claro abandono da fórmula orquestrada em favor de bandas-sonoras mais modernas e mais baratas. Mais baratas, mas não necessariamente menos perfeitas. É nesta nova tendência que surgem nomes maiores como John Barry, Ennio Morricone ou Angelo Badalamenti; mas também o uso de música não originalmente composta por directores exímios como Martin Scorcese e Quentin Tarantino. O terceiro episódio intitula-se New Frontiers e apresenta todas as grandes inovações proporcionadas por avanços tecnológicos como o foi a invenção do theremin a ilustrar estados psicológicos em filmes como Spellbound de Hitchcock e um infinito imaginário de filmes de ficção científica. Hitchcock é sem dúvida, mais uma vez, um dos directores que mais se aventura em novas estéticas e conceitos inovadores. No filme Os Pássaros não existe música. Todos os sons são recriações sintéticas de aves produzidos por um instrumento chamado trautonium (na fotografia em cima). Só por estes pormenores já vale a pena ver este novo documentário da BBC.