um blogfolio de coisas sonoras

30.9.13

La La La Ressonance + Black Bombaim


A manhã de segunda-feira começa com o cruzamento recente de estilos de La La La Ressonance e Black Bombaim: pós-rock vs. stoner rock; exploração mecânico-cerebral vs. cavalgadas proto-psicadélicas ruidosas; liberdade ancorada no free-jazz vs. liberdade de alicerce bruto nas profundezas do rock. O primeiro statement surge em dois blocos distintos: uma coisa primeira mais La La La; depois um rasgo de ruído de instrumentos diluídos nos efeitos e no drone. Depois, ainda uma terceira parte de percussões (novamente La La La) onde a fórmula repetida do riff se vem cruzar numa onda que perigosamente pisa as plataformas mais comuns do rock. Às vezes parece querer soar a Do Make Say Think, noutras progressões invoca o imaginário abstracto do krautrock mais eléctrico, mas na grande parte desse cruzamento tudo soa a duelo cru entre duas formações distintas, onde as justaposições nos lembram disso mesmo. Ao esqueleto krautrock acrescentam-se um sintetizadores paisagísticos que expandem os cruzamentos para outro universo, uma espécie de terceira dimensão que abre alas a outro tipo de guitarras, secas, num jeito sincopado sem algemas. Mas isso é apenas um retalho. O lugar puro das guitarras surge na comum desorientação provocada pelas distorções máximas acompanhadas pelo saxofone dos tempos mais desconcertantes dos TAUF. Aqui é apenas mais um elemento perdido no ruído e não um objecto isolado nos espaços vazios. Mas isso talvez possa ser dito de todos os elementos que, mais uns do que outros, vão marcando a sua presença naquilo que é uma constelação de pequenas peças que aos poucos vão fazendo todo o sentido na colagem cuidada de restos de força bruta. E o que resta disto? Um drone, uma vibração tenebrosa de terramoto, e uma plataforma exploratória da nova Pompeia dos tempos em que tudo já foi feito e nada se liberta da retromania das ideias mais puras do psicadelismo obscuro e da distroção tribal, que salvo raras excepções, culmina num amontoar de sons para um climax previsível o hemisfério pós-rock ou que caralho lhe queiram chamar. Depois disto, o melhor mesmo é cortar a fita magnética com uma tesoura e colar os pedaços noutros sítios.