um blogfolio de coisas sonoras

4.10.13

Waging Heavy Peace


A propósito de estatutos e obediência a estilos, pode ler-se no livro auto-biográfico de Neil Young, Waging Heavy Peace, que a pressão das editoras na mercantilização de produtos consegue ser cega ao ponto de acusarem o artista Neil Young de não andar a produzir música à Neil Young. Cultura das massas: o povo define o artista e quer obriga-lo a ser aquilo que ele deve ser. Nisto vai beber a postura mercantil das editoras, ou de certas editoras, ao quererem definir expectativas e subjugar o músico a uma clara des-integridade artística. Young não  obedece a nada a que não seja ao seu próprio instinto criativo. Duas passagens ficam fossilizadas nesta lição de princípios: (1) nos anos oitenta sob aquela pressão contratual de fazer "um disco à Neil Young", Young lança coisas menores e sem graça nenhuma, como Neil and the Shocking Pinks: Everybody's Rockin' numa clara teimosia rebelde de fazer os engravatados da editora trepar paredes; (2) não muito diferente foi a "graça" de Tonite's The Night em que, Young, de absoluto reconhecimento mainstream pós-Harvest, grava um disco cru, eléctrico, e sem uma pinga de continuidade de um disco folk "à Neil Young". Os concertos também deixaram de ser à Neil Young para serem à Crazy Horse: Tonight's The Night é tocado do princípio ao fim em palco em frente a uma audiência desagradada a reclamar Old Man e Alabama. No final do set Young vira-se para a audiência e diz qualquer coisa como "Ok, agora vamos tocar aquilo que vocês estão estiveram até agora espera" e arranca novamente com Tonite's The Night do princípio ao fim.