um blogfolio de coisas sonoras

8.6.03

Quarteto Vocal Rossini nos Encontros de Música
Música clássica com risos à mistura

O Quarteto Vocal Rossini actuou no passado sábado à noite no auditório S. Bento Menni, nos IV Encontros de Música de Barcelos, dando um espectáculo intitulado “Noites Rossinianas” centrado na obra do grande compositor italiano do sec. XIX, Gioacchino Rossini.

Tendo como ponto de partida as criações da segunda fase da vida do compositor italiano, os músicos não se limitaram a um mero recital de canto e piano das suas óperas leves e bem humoradas. A actuação foi ainda enriquecida com uma ligeira encenação que foi ao encontro de um público diverso, mais ou menos conhecedor da obra do compositor. “As Gôndolas”, “ Os Marinheiros” e “A Regata”, assim como alguns duetos de amor, destacando-se “Os Amantes de Sevilha”, preencheram a primeira parte do concerto, seduzindo os espectadores com a sua notável inspiração melódica, finais alegres, ritmos invulgares e elegância das situações dramáticas.

Depois de um pequeno intervalo, regressaram ao palco para apresentar um conjunto de obras muito divertidas, sem seriedade nenhuma, muito bem adaptadas à acção dos cantores no palco. Entregues à exploração do elemento histriónico das óperas de Rossini, foram despertando suaves risos da plateia. Uma voz infantil e constipada, assim como vozes que miavam, foram dando a conhecer ao público o espírito divertido do compositor, apontado como criador da nova ópera bufa.

Os aplausos do público foram ainda premiados com um encore, que consistiu numa criação rossiniana em cânone perpétuo que parodiava os cantores de ópera, comparando as suas vozes aos sons produzidos por determinados animais. Foi assim, numa confusão de latidos, mios e cacarejos que o concerto chegou ao seu final.

Contudo, apesar da excelente qualidade do espectáculo e da boa acústica do auditório do Fórum S. Bento Menni para a realização de um concerto de música clássica, a afluência do público não correspondeu às expectativas, estando presentes apenas cerca de 80 pessoas. Segundo um espectador, “a falta de uma divulgação mais eficaz parece ser a razão para a existência de um grande número de lugares vazios”.

Março 2003