um blogfolio de coisas sonoras

7.6.03

6° Encontro Motard de Barcelos
Motas e strip: um estilo de vida

A Associação Clube Moto Galos organizou, no passado fim de semana, o 6° Encontro Motard de Barcelos. Num pequeno livro distribuído pela organização, que continha o programa das festas e os patrocínios de várias empresas e da Câmara Municipal de Barcelos, dava-se destaque ao regulamento e aos conselhos a seguir durante o encontro. Na nota de boas vindas do presidente da direcção do clube, Pedro Faria, apelava-se ao civismo e ao cuidado na estrada, terminando com um importante conselho: “(...) muita prudência na estrada, porque nunca é demais relembrar que os rails matam!”. É verdade, os rails matam. Mas a velocidade, as acrobacias, o não uso do capacete, o desrespeito pelas regras de trânsito, entre outros factores, também matam. Logo no primeiro dia, um violento acidente, na Av. Sidónio Pais, entre dois jovens motociclistas originou a morte de um deles. E se, por um lado, o acidente ocorreu fora do local da concentração ultrapassando, de certa forma, o campo de acção da entidade organizadora do evento, por outro lado, a falibilidade das campanhas de sensibilização não foi colmatada por uma segurança mais eficaz. Apesar das precauções das entidades policiais os motociclistas não deixaram de se aventurar nas ruas da cidade cometendo inúmeras infracções ao código da estrada.

Mesmo assim a festa não deixou de ser festa. Durante três dias, a cidade foi invadida por uma quantidade considerável de motociclistas de todo o país. Uns mais estereotipados, de calças e blusão de cabedal, lenço na cabeça e o emblema do clube a que pertencem nas costas; e outros mais do tipo “tenho-uma-mota-e-vou-lá-ver-o-que-se-passa”. Na sexta-feira já se notava o alvoroço e ruído. No parque da cidade realizava-se a feira motard e algumas exposições. Duas motas penduradas numa árvore não deixavam praticamente ninguém indiferente. “Olha, olha, aquela parece estar enforcada!” comentava alguém que passava.

A noite foi preenchida por concertos e shows de strip tease. No palco, os barcelenses Projecto Alfinete tiveram a difícil tarefa de abrir as hostilidades tentando despertar o público com o seu pop/rock alegre. Nem mesmo os Diablo, banda de covers de rock “musculado” e revivalista dos anos 80, com versões dos Xutos & Pontapés bem ao gosto da maior parte da assistência, conseguiram quebrar a apatia. As primeiras reacções apenas surgiram quando as strippers chegaram. Ouviram-se as primeiras assobiadelas quando elas, ainda vestidas, se dirigiam para os camarins. Mal a primeira entrou no palco, o vazio na plateia deixou de existir. Depois de mostrarem os seus atributos, deram lugar ao espectáculo de Quinzinho de Portugal com o seu “bacalhau pimba”.

No sábado, a tarde foi preenchida com a perícia “Lambreta Store” e com a demonstração Freestyle de André Colombo e Ronaldo. Depois do habitual passeio das tochas pelas ruas da cidade a noite continuou com os espectáculos dos Beatiful Noise e dos Quinta do Bill e com os afamados e esperados “intervalos” de strip tease. No domingo, despediram-se da cidade depois do usual passeio turístico pelo concelho.

Com a presença dos autores do álbum “Nómadas” a organização conseguiu ter um programa musical mais interessante do que o da Festa das Cruzes deste ano. Contudo, continua a persistir a questão do ruído. Apesar do local ter as condições necessárias para a realização do evento, está situado perto do hospital e de muitas residências, existindo cada vez mais a necessidade de organizar o evento numa zona periférica da cidade e com melhores condições de segurança.

E para o ano era bom distribuir alguns códigos da estrada por muitos participantes.

Maio 2003