“Cantigas do bairro” 1º de Maio
É disto que o povo gosta. Da apetitosa sardinha assada acompanhada de um naco de broa e de uma malga de bom vinho. Da música de fanfarra digna de muitos coretos esquecidos e das frequências agudas dos altifalantes que expelem música gravada de ranchos durante todo o dia. Das cores alegres e quentes das vestimentas dos desfiles e das pequenas luzes que piscam como uma árvore de natal. Das coreografias ensaiadas ao ritmo das cantilenas antigas que se repetem nas marchas. Das diversões e jogos que só aparecem uma vez por ano: tiro ao meco e badameco, “tiro” à rifa e afins. Também dos quatro póneis que andam lentamente à roda, numa espécie de fuga à tontura (tortura?) que só termina no cansaço (também) das crianças risonhas sentadas no dorso e no preço dos bilhetes (2 euros). Da música pimba ou popular (ou o que lhe queiram chamar, pouco importa) dos conjuntos afamados da zona que incitam ao bailarico com as suas versões de versões sintetizadas. Dos martelinhos, das pipocas, do algodão doce, da roulote de bifanas, febras e cachorros e dos foguetes. E não só.
Todos estes elementos típicos estiveram presentes na festa em honra de Santo António do Bairro 1º de Maio. Há quem diga que “as pessoas do bairro esperam o ano inteiro pela festa mal esta acaba”. Certamente. Logo na sexta-feira as pequenas ruas encheram-se de pessoas ansiosas pelo desfile. Ao longe, ouvia-se a música colorida da Banda Plástica de Barcelos, locomotiva sinfónica das marchas. Eram muitas as pessoas que esperavam pelos grupos e acolhiam com palmas e mimavam as crianças do Bairro 1º de Maio, aparentemente já cansadas da longa caminhada. “A cultura não é só para os grandes, é também para os pequenos” dizia o comentador, evidenciando a maioria de cores infantis presente. A escola de música de Arcozelo “Oops!”, com os seus arcos luminosos alusivos à escala das notas musicais, presenteou a assistência com uma composição original à qual deram o nome de “Marcha Oops!” – “Somos da escola Oops!/E aqui vamos cantar/Para o nosso santo António/E as festas animar”. Também num ambiente percussivo desfilou a escola do ATL de Arcozelo cantando a “Tianica” e o rancho folclórico da Casa de Saúde de S. João de Deus. A encerrar o desfile, a marcha das Donas de Casa com o carro alegórico da comissão de festas transportando o Santo António “verdadeiro”. Uma decoração com muitas luzes e que ia “desde o rolo da massa até à colher de pau”.
Por volta das 23h30, os Maxi Music (compostos por um teclista e um vocalista), subiam ao palco e percorriam um alinhamento de temas pimba e populares conhecidos (Quim Barreiros e outros), dando ritmo ao baile que se iniciou logo de seguida. As crianças subiram ao palco e preencheram o espaço vazio mas, como incomodavam a prestação enérgica do artista, tiveram de descer... No dia seguinte, a prestação de “Zé Manel Music Box e Sílvia Alexandra” foi muito idêntica. Musicalmente, os temas repetem-se. Papel químico. Visualmente, acrescentam-se luzes no palco, fumo, um PA mais potente, uma vocalista e quatro bailarinas. E o “Apita ao comboio” continua a entreter os bairristas. Outros, preferem o gosto do algodão doce. No domingo, a Banda D’Amizade e o grupo de danças de salão de Arcozelo deram continuidade. Diversão. O que importa mesmo é a diversão. “Santo António já se acabou”… É disto que o povo gosta.
junho 2003