um blogfolio de coisas sonoras

22.6.03

Festas populares no concelho
Martim festejou o Santo António

Chega o calor e começam as festividades dos santos populares. Em muitas localidades, como é o exemplo de Martim, há uma dedicação ao culto divino do santo padroeiro de seu nome de baptismo, Fernando de Bulhões. Nascido em Lisboa em 15 de Agosto de 1195, é tido como protector dos marinheiros, leiteiros, pobres, moças casadouras e curador de infertilidades. Associa-se a sua imagem de “santo casamenteiro” à folia dos meses quentes de Verão – uma altura encarada como de grande fecundidade da terra e das mulheres – numa aproximação entre o sagrado e o pagão, e alimenta-se o mito. O mito que cresceu a partir de 1950, quando o franciscano apadrinhou diversas uniões de classes mais pobres, por iniciativa do jornal "Diário Popular". Através de inscrições, os noivos casavam no dia 13 de Junho e ganhavam enxoval e equipamento doméstico. Em contrapartida, era exigida uma insólita garantia de virgindade, provada clinicamente. Propaganda do Estado Novo.

Hoje em dia, chega o calor e preenche-se a agenda dos artistas populares portugueses. Percorrem praticamente o país inteiro actuando em romagens, romarias e pequenas festividades. Pequenas festas que se tornam grandiosas para quem as organiza porque é algo que lhes pertence e que está intimamente relacionada com a sua cultura e as suas gentes. Os espaços e os programas são sempre muito parecidos assim como os cartazes pitorescos e coloridos que apresentam o programa e uma infinidade de patrocínios. Há sempre, ou quase sempre, fogo de artifício, roulotes de bifanas, música gravada nos altifalantes, carrinhos eléctricos para os mais jovens, a procissão “majestosa”, as “grandiosas” actuações dos “afamados” artistas, muita gente, folclore, bandas de casamentos e baptizados, entre outras coisas.

As festas de Martim em honra de Santo António não fogem à regra. Durante nove dias o santo foi venerado, tendo as actividades terminado no passado fim-de-semana com um programa cultural bastante diversificado: folclore com os grupos “Lavradeiras de Meadela” de Viana do Castelo e “Casa do Povo de Martim”, bandas de música, fanfarra e a “majestosa” procissão no domingo; a animação dos Zés Pereiras com Gigantones e as actuações da Orquestra Crystal e do famoso Emanuel no sábado; o encontro de concertinas e a actuação da “afamada artista” Ruth Marlene, que apresentou novos temas do seu mais recente trabalho, na sexta-feita, dia de Santo António. E, durante todo o fim-de-semana, fogo. Fogo de artifício, fogo preso, alvorada com salva de morteiros e “pirofantasia”.

junho 2003