um blogfolio de coisas sonoras

22.6.03

Exposição de pintura de Pedro Gomes (Pato) em S. João de Deus
Roma ominonis rolf amu a adiv a rad

Numa primeira leitura, desatenta, parece estarmos presente uma citação “latina” (ou melhor, “pseudo-latina”) qualquer. Mas não. A mensagem não é directa, deve ser lida ao contrário. Aquilo que parecia dizer algo relativo à velha capital italiana e que, por isso, nos parecia algo distante, transforma-se. A flor que se apresenta numa tela multicolor adquire uma nova dimensão deixando, por momentos, de ser uma simples flor. As letras invertidas que a acompanham transmitem a mensagem do barcelense Pedro Gomes (Pato) que expôs os seus quadros no passado fim-de-semana no auditório do Fórum S. Bento Menni. E foi mesmo só no fim-de-semana... O pretexto foi o convite da Escola de Dança de Barcelos que organizou, no mesmo espaço, o evento “Amar, com Amor & Amor para Amar”.

“Quando decidi começar a pintar, em 2000, comprei uma série de materiais e parti para a tela sem qualquer tipo de base teórica. Não consegui fazer nada. A cor não saía. Fiquei um ano a olhar para a tela”. Pedro Gomes é autodidacta e não teve qualquer tipo de formação artística, “apenas gostava de desenhar”. No seu pequeno “laboratório”, onde flutuam sons e imagens televisivas, constrói um mundo próprio e indiferente. Quase tudo o que sabe aprendeu com livros e através do contacto com outros pintores e suas obras e técnicas. Quase, porque na base da aprendizagem está o experimentalismo, a procura de algo através da prática e do erro próprio. É o que considera mais importante. Ao longo de três anos de auto-aprendizagem foi reunindo não apenas trabalhos em óleo, acrílico ou aguarelas, mas também foi explorando outras técnicas e materiais menos usuais. Isso reflecte-se na diversidade de quadros que apresenta. São experiências. Não basta ter uma boa escola, é necessário experimentar, explorar e, de certa forma, aproveitar o lado positivo de uma aprendizagem solitária que permite um olhar e um saber diferente.

Contudo, as imagens não vagueiam apenas por meros exercícios ou representações de naturezas mortas ou corpos femininos. A reflexão pessoal e o manifesto por valores e direitos humanos assumem destaque nas mãos que mancham de vermelho-sangue a tela geométrica aprisionada – “A aicnêtsixe ed mu res odarre zaf od etneconi mu res odapluc”. Por vezes, apenas uma leitura às avessas permite compreender e pensar.

Daqui para a frente pretende expor noutros locais e continuar a explorar e evoluir na experiência. Quando parte para, não pára. Continua…