De Bartok a Piazzolla
Alberto Castro de Bastos “começou a estudar música na Banda Musical de Oliveira, sua terra natal, com o seu pai, Cândido Bastos”. Agora, ostenta no seu currículo “aventuras pop” com Nuno Guerreiro, Sara Tavares, Luís Represas, ou mesmo os “dinossauros do rock” Scorpions. Toca clarinete.
David Ferreira, pianista, estudou na academia de Música de S. Pio X, em Vila do Conde, onde em 1997, com o professor Felipe Nabuco-Silvestre, concluiu o curso complementar de piano com 18 valores”. Agora, destaca-se no seu currículo ”recitais a solo e música de câmara em várias cidades de Portugal, Madrid (Universidade de Alcala), Berlim (Hochschule der Kunste), Riba del Garda (Itália) e recentemente em Atenas.
Rosa Maria da Silva Oliveira, “iniciou os seus estudos musicais como aluna de guitarra”. Mais tarde iniciou o estudo do saxofone na Escola de Música da Sociedade Filarmónica de Crestuma, ingressando logo de seguida no Conservatório de Música do Porto na Classe do Prof. Francisco Ferreira onde concluiu o 8.º Grau com a classificação final de 18 valores. Faz parte do quarteto de saxofones Unisax com os quais fez alguns concertos de destaque: Museu do Carro eléctrico, palácio da Bolsa, RTP, SIC, FNAC, etc.
São estes os três elementos dos Sotto Trio. O “intruso” que se vê na foto, responsável por ler e virar pautas, é Samuel Bastos, maestro da Banda Oliveira. Na passada quinta-feira à noite, deram um interessante concerto no auditório da Biblioteca Municipal, apresentando um programa em crescendo de vivacidade. Poderemos dividi-lo em três partes. A primeira, mais calma, iniciou-se com saxofone e piano nas interpretações de Suite Romantique (Planel) e à La Russe e À La Espagnole (ambas de Dubois). A sobriedade e contenção adequam-se ao estilo. O clarinete surgiu para as Danças Romenas (Bela Bartok) numa “segunda parte” de curtas peças: Joc Cu Bâtá; Brâul; Pe Loc; Buciumeana; Poarga Romanesca; e Maruntel. Clamavam festa numa rua qualquer cheia de gente. A disposição em trio acontece em Vocalise de Rachmaninoff. A terceira e última parte, mais longa, enche-se de vida com as interpretações de Astor Piazzolla partindo-se da tristeza para a força dos metais. Piazzolla adquiriu o respeito dos clássicos. Das interpretações brota uma ideia de liberdade de execução em construções muito próprias do autor. Verano Porteño, Outono Porteño, Invierno Porteño e Primavera Porteña foram os temas apresentados. Tango com saxofone e clarinete é sempre diferente, mas não faz esquecer o som carismático do bandoneon… Foi a melhor parte do concerto. No final, foram entregues ramos de flores. Vermelhas, claro.
O programa das Quintas Feiras Musicais prossegue no dia 28 de Abril com o concerto do quarteto de cordas Aquarelli.
abril 2005