um blogfolio de coisas sonoras

8.6.05

Encontro de arte experimental em Barcelos
Zoom: do cinema para as artes performativas

Assinalem as seguintes datas: 30 de Setembro e 1 de Outubro. Principalmente aqueles que se interessam pela música e pela sua bifurcação pós-vanguardista: entre o estilo electrónico de construção laptop com projecção sonora de abstraccionismos e o experimentalismo (sem época) com adaptação de instrumentos ditos “tradicionais”. A Zoom, nessas datas, promove uma extensão do Hertzoscópio intitulada, mais precisamente, “HERTZ_extended #1 – Encontros de Arte Experimental e Transdisciplinar”. O evento vai decorrer em dois auditórios comuns: o da Biblioteca Municipal (performances) e o do Museu de Olaria (workshop).

A referência fulcral do evento é João Castro Pinto, director artístico e produtor executivo do Hertzoscópio. Além da performance em “dueto laptop” com o austríaco Bernhard Loibner, que vai fechar o HERTZ, Castro Pinto vai apresentar o workshop intitulado “ACUSMATA – Breve História da Música Experimental/Arte Multimédia – conceitos básicos e técnicas de produção musical experimental e arte performativa” (com horário entre as 10h e as 13h e as 14h e as 17h, durante os dois dias, num total de 12 horas).

No primeiro dia, sexta-feira, Adriana Sá presenteia os amantes do experimentalismo com sensores de pressão, cítara preparada, samples, delay modulador e instrumentos de percussão lumínica. Hugo Barbosa acompanha-a num “live-video” que processa mediante sensores de luz. A segunda performance da noite fica a cargo de Paulo Raposo (laptop), fundador da editora SIRR (2001) e intitula-se “Persistência Reticular”.

No sábado, antes da actuação da dupla Pinto-Loibner, Draftank (digital turntable) e Manuel Mota (guitarra eléctrica) apresentam uma performance que combina o “glitch music” e o improviso, e ainda projecções de filmes super 8 digitalizados como “pano de fundo”. Promete. E como o cinema é a aposta forte da Zoom, no primeiro dia, pelas 24 horas, vai ser exibido o vídeo experimental de Joachim Montessuis (França), intitulado “La Danse des Fous”.


2005 dotado de dinâmica

Afinal de contas, Barcelos não está de todo condenada ao marasmo cultural e ao provincianismo folclórico paroquial. 2005, ao nível da música (mais dita não-comercial), regista já dois eventos que evidenciam alguma “luz ao fundo do túnel”: Subscuta – Ciclos de Som e Observação e o HERTZ_extended #1. Cada um no seu estilo, ambos põem à prova o anacronismo cultural citadino e injectam um pouco de adrenalina nas mentalidades musicais adormecidas e fechadas. O Subscuta arrasta cada vez mais gente, e a Zoom, através de uma plataforma cinematográfica (bem sucedida), pisa territórios de vanguardismo artístico. Espera-se que o “povo” acompanhe a evolução e a dinâmica de reacção esperada, e ainda mais uma coisa: que este cenário seja apenas o começo (experimental).

setembro 2005