um blogfolio de coisas sonoras

8.6.05

Quintas-Feiras Musicais – concerto pelo Colegium Musicumm de Gaia
Colagem de retalhos

Oito músicos no palco do Auditório da Biblioteca Municipal: quatro clarinetistas, um pianista, uma saxofonista, um cantor, e um contrabaixista.

Os clarinetistas (retalhos dos currículos apresentados) – Quarteto Ébano: Alberto Bastos, barcelense, ocupante do “lugar de solista B na Orquestra do Norte entre Novembro de 2000 e Agosto de 2004, onde trabalhou com vários solistas e maestros de mérito nacional e internacional, sendo de destacar: António Vitorino de Almeida, (…) José Carreras, (…), Scorpions (…)”; José Moura, gaiense, responsável desde 1995 pela “direcção da Sociedade Filarmónica de Crestuma” e colaborador da orquestra do Norte sob as orientações dos maestros José Ferreira Lobo, Ivo Cruz, António Baptista”; Manuel Moura, gaiense, a leccionar a “disciplina de clarinete no Conservatório Regional de Gaia, Escola Municipal da Póvoa do Varzim, Academias de Música de Espinho, Gulpilhares e Vilar do Paraíso; Marta Oliveira, colaboradora da Escola de Música da sociedade Filarmónica de Crestuma e (bónus curricular!) profissional em engenharia electrónica e computadores”.

O pianista: José Miguel Oliveira, natural de Santa Maria da Feira, pianista titular da Orquestra de Salão do Jardim Passos Manuel do Coliseu do Porto, entre Março de 2000 e Maio de 2003, e músico da “Praça da Alegria” durante três anos.

A saxofonista: Rosa Oliveira, professora da disciplina de Saxofone no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, Conservatório de Música de Águeda, Academia de Música de Barcelos e Centro de Estudos Musicais do Porto.

O contrabaixista: Artur Almeida, membro efectivo da Orquestra do Norte e (bónus curricular!) licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade do Porto.

O cantor: Rodrigo Lopes, barcelense, director do Coro de areias de Vilar, em Barcelos, e professor em Santa Maria de Portuzelo.

Todavia, sem esquecimento, acrescente-se ainda um novo elemento: Rui Dias, compositor responsável pelos arranjos do Colegim Musicummm de Gaia.

O programa: o concerto resumiu-se a uma colagem de retalhos e a uma experiência no palco pouco distante de um “ensaio programático com assistência”. A coerência e dinâmica viram-se numa primeira parte protagonizada pelo Quarteto de Clarinetes Ébano, com interpretações de Barry Ulman, Elliot Carter, Rossini e Gershwin (combinações bem conseguidas pela sintonia e proximidade dos instrumentos). Depois somaram-se retalhos e um “entra e sai” de músicos e instrumentos: “Viravizo” da ópera “La Sonambula” de Bellini (canto e piano); uma “pequena peça” de Joly Braga Santos (contrabaixo e clarinete); “Cinco danças eslavas” de Dvorák (piano e clarinete); e, no final, duas peças extremamente distantes entre si – “Santa maria” de Mascagni e “Summertime” de Gershwin – em ensemble (e com a única “aparição” do saxofone); e ainda, o bónus extra-programa de “Ave Maria”.

O público: continua a ser pouco. (No dia em que se espalhar a ideia de que ouvir um concerto de música clássica faz tão bem à saúde como, depois do jantar, vestir um fato de treino para uma caminhada pelas ruas da cidade, talvez o cenário da plateia se transforme.)

maio 2005