Dos horrores às cores
São três exposições completamente distintas. Na Sala Gótica (Câmara Municipal), cinco polaróides recriam a “galeria de horrores” da colecção de deformidades de Motecuhzoma, “o último imperador azteca aprisionado por Cortêz”: “estropiados acidentalmente”, “monstros de nascença”, figuras disformes para exposição que chegavam a custar somas fabulosas (“certos pais chegam a desejar pôr no mundo um monstro para ficarem ricos”). As cinco polaróides quase que suavizam por completo as figuras (de)formadas envolvendo-as num esbatimento enigmático (propositado?) a preto e branco, com pormenores em tons sanguíneos e purpúreos. A impressão a cera sobre tela aproxima as imagens da pintura. Percebem-se os contornos de um corpo inclinado para trás, uma mão que parece perfurar a pele, um estranho mamilo, um olho/umbigo inumano… as faces ocultas acabam por resumir-se a formas distorcidas abandonando o observador à experimentação da sua própria imaginação (e à dúvida).
Na Galeria Municipal, duas esculturas “abrem as portas” do Oriente, um “Oriente Íntimo”. Algumas fotografias já haviam sido expostas, há alguns meses atrás, na Galeria Dimensão: paisagens (o típico pôr-do-sol oriental), tapetes coloridos, rostos, construções em montanhas rochosas, templos. Um cenário repleto de cores (suspeitamente “amplificadas”). A diferença é marcada por objectos e pormenores. Raios de luz que entram geometricamente no espaço reservado, iluminando os objectos de retoques dourados (a leveza do fumo sugere aroma). Um rosto esbranquiçado de lábios vermelhos em formas esculpidas de amores de boneca. O laranja de colunas a sugerir movimento num contraste de sombras. Um guerreiro em desenho branco de formas “semi-sumo” de espada na mão. Vermelhos (mais do que) vivos, de paredes e objectos, cortados obliquamente pela luz. Rostos enrugados na zona dos pequenos olhos e rostos de putos sorridentes. Caligrafia vermelho-sangue de um esquisito alfabeto oriental. Um curioso papel de jornal na parede, um corte de cabelo reflectido num espelho já gasto. Os pormenores de caixas, de letras descoladas, de uma chave estranha, de um puxador. Esculturas alteadas por papéis. E cores, muitas cores. Um contraste quase absoluto e, ao mesmo tempo, artificial.
Lá fora, na Praceta Sá Carneiro, o famoso camião do autor das exposições, Mica Costa-Grande (fotógrafo aventureiro), expõe-se à chuva antes da partida (em breve) para as Américas. A exposição do veículo intitula-se “Meninos preparem a mochila” e completa-se num dos “cantos” do “Oriente Íntimo”: fotografias de família em diversos locais do Oriente, retalhos jornalísticos (onde se incluem imagens no Herman Sic e onde se destaca a imagem “marca-TVI” de Manuela Moura Guedes), o mapa da aventura (entre 1985 e 2005), e fotos do interior do camião 4x4, simpaticamente apelidado de Bartolomeu.
As exposições “Colecção Motecuhzoma” e “Oriente Íntimo” podem ser visitadas até ao dia 5 de Setembro. O camião Bartolomeu pode ser visitado até… ao dia da partida. A aventura acontece mais uma vez. Boa viagem…
Na Galeria Municipal, duas esculturas “abrem as portas” do Oriente, um “Oriente Íntimo”. Algumas fotografias já haviam sido expostas, há alguns meses atrás, na Galeria Dimensão: paisagens (o típico pôr-do-sol oriental), tapetes coloridos, rostos, construções em montanhas rochosas, templos. Um cenário repleto de cores (suspeitamente “amplificadas”). A diferença é marcada por objectos e pormenores. Raios de luz que entram geometricamente no espaço reservado, iluminando os objectos de retoques dourados (a leveza do fumo sugere aroma). Um rosto esbranquiçado de lábios vermelhos em formas esculpidas de amores de boneca. O laranja de colunas a sugerir movimento num contraste de sombras. Um guerreiro em desenho branco de formas “semi-sumo” de espada na mão. Vermelhos (mais do que) vivos, de paredes e objectos, cortados obliquamente pela luz. Rostos enrugados na zona dos pequenos olhos e rostos de putos sorridentes. Caligrafia vermelho-sangue de um esquisito alfabeto oriental. Um curioso papel de jornal na parede, um corte de cabelo reflectido num espelho já gasto. Os pormenores de caixas, de letras descoladas, de uma chave estranha, de um puxador. Esculturas alteadas por papéis. E cores, muitas cores. Um contraste quase absoluto e, ao mesmo tempo, artificial.
Lá fora, na Praceta Sá Carneiro, o famoso camião do autor das exposições, Mica Costa-Grande (fotógrafo aventureiro), expõe-se à chuva antes da partida (em breve) para as Américas. A exposição do veículo intitula-se “Meninos preparem a mochila” e completa-se num dos “cantos” do “Oriente Íntimo”: fotografias de família em diversos locais do Oriente, retalhos jornalísticos (onde se incluem imagens no Herman Sic e onde se destaca a imagem “marca-TVI” de Manuela Moura Guedes), o mapa da aventura (entre 1985 e 2005), e fotos do interior do camião 4x4, simpaticamente apelidado de Bartolomeu.
As exposições “Colecção Motecuhzoma” e “Oriente Íntimo” podem ser visitadas até ao dia 5 de Setembro. O camião Bartolomeu pode ser visitado até… ao dia da partida. A aventura acontece mais uma vez. Boa viagem…
agosto 2004