um blogfolio de coisas sonoras

7.6.04

Concerto pelo Grupo de Música de Câmara da Banda de Oliveira
Bis no Quaternário

Um ano depois da estreia na primeira edição do Quaternário, precisamente no dia 17 de Outubro de 2003, o Grupo de Música de Câmara da Banda de Oliveira regressou, no passado sábado à noite, ao Auditório de S. Bento Menni. Sob a direcção do jovem Samuel Castro Bastos (nascido em 1987) o programa do concerto manteve a sua estrutura habitual. No entanto, e o como seria de esperar, não se obedeceu a um repertório-papel-químico do anterior para uma execução mais experiente. Bem pelo contrário. Na segunda edição do Quaternário houve espaço para algumas modificações no alinhamento e para novos elementos ilustrativos da versatilidade musical de diferentes estilos. Claro que sobraram, por exemplo, os habituais e indefectíveis “La Concha Flamenca” de P. Artola e a “Abertura” de “Fall River” de Robert Sheldon, ou as “incursões no folk americano dentro do estilo das American Brass Bands”. Mas, na segunda parte do concerto, acentuou-se um outro brilho e notaram-se algumas alterações de relevo. Atente-se a troca do medley dos Abba pelo medley dos Queen: “I Want To Break Free”, “We Will Rock You” (com ritmo marcado por palmas), “Bohemian Rhapsody” (sem descurar qualquer pormenor frásico da célebre ópera rock), e “Bicycle” (o hit dos hits). Ou a eclética “Bands Around The World” de Paul Yoder e Harold Walters com uma apresentação sucessiva de bandeiras, impressas em cartão, consoante as passagens para um novo arranjo de determinado país. Por ordem: Inglaterra, Escócia, Alemanha, França, Espanha, Itália, Rússia, Japão, México, Estados Unidos da América e, por fim, Portugal. O único país que teve direito a uma bandeira “a sério” em rodopios e a um “medley dentro do medley” com quase todos os temas conhecidos das marchas populares. No fim ainda tocaram o inevitável “La Bamba”.

Não havia muito público mas, um ano depois, o Agostinho (lembram-se?) continua a marcar presença na primeira fila do Auditório. Entusiasmadíssimo. Tão entusiasmado com a música como com o jogo do Sporting que acontecia ao mesmo tempo… (fez questão de dizer a todos, no intervalo do concerto, que o resultado já estava em 2-0 para o Sporting). Mesmo assim, não trocou “a bola” pela vibração sonora dos metais (e, talvez, não trocaria mesmo que jogasse o clube cujo símbolo ostenta no relógio de pulso – o Porto). E lá estava o Agostinho na primeira fila. Sempre na primeira fila. Kispo colorido do Óquei Clube de Barcelos pousado na cadeira, camisa amarelo-torrado e uma “rigorosa” gravata de festa de sábado à noite. “A viajar para fora lá dentro”. E a vibrar com o tema extra do concerto – “La Bamba”. “Bis, bis…”

(O Agostinho é o mais falador de todos. É natural de Cabeceiras de Basto e há 13 anos que faz tratamento na Casa de Saúde de S. João de Deus. Quem dera que a generalidade das pessoas tivesse o mesmo gosto, o mesmo entusiasmo, a mesma postura, o mesmo prazer que ele tem por sair de casa e ver um espectáculo. As salas de espectáculo não estariam tão vazias. As audiências de “quintas de celebridades” não disparavam para a ignorância. E as “amplificações” de loucos futebóis certamente não atingiriam volumes tão insuportáveis).

Outubro 2004