No fim do mundo…
“Fica a 10 km depois do fim do mundo” – foi a expressão em tom hiperbólico usada por Pedro Cabral, baterista da banda barcelense Oratory, para descrever a viagem Barcelos-Carviçais-Barcelos realizada no passado domingo, e madrugada de segunda-feira após o concerto. Naturalmente… não é fácil. Ainda por cima, sob o calor abrasador tipicamente transmontano. As curvas são muitas e o sobe-e-desce das montanhas consegue ser tão desconfortável quanto é a paisagem em beleza.
No entanto, assinala-se no currículo a passagem por um dos festivais do roteiro de verão, por onde também passaram bandas como Therapy, Young Gods, Durutti Column, Mojave 3, Cousteau, Mão Morta ou Spiritualized. Nomes que impressionam, tendo em conta a dimensão do festival, bem pequena em relação aos principais festivais de verão (Sudoeste, Paredes de Coura, ou Vilar de Mouros), e com uma afluência de público àquem das expectativas (na sexta, por exemplo, registaram-se cerca de 2000 pessoas, um número pequeno para uma banda como Spiritualized). Mas não deixa de ser um bom exemplo a seguir, em termos de organização e de cartaz, por um Rock na Barragem, pretenso concorrente ao roteiro de festivais de verão (?).
Os barcelenses Oratory actuaram no terceiro dia do festival, um dia dedicado exclusivamente ao metal (o que não é muito normal em festivais de verão), com Prime, Thanatochizo e Anger. Foi o segundo concerto com o novo (ou melhor, “quase novo”) baterista Pedro Cabral, depois da saída de João Rodrigues. “Oito anos depois”, o baterista (que passou por bandas como This Isn’t Luxury, Stonehenge ou Le Cri Du Monde), regressou aos Oratory deparando-se com um cenário bem diferente. A banda abandonou os sons mais pesados e “assumiu um estilo único em Portugal” – “power metal” – com uma vocalista líder em agudos “quase-líricos” e melodias e letras profundamente épicas: “As time goes by / They know they‘ll find / The hidden gate to glory”. A versão de “Eternal Flame”, das Bangles, continua a ser o “quase-hino” auge dos concertos. Sem se saber ainda muito bem por culpa de quem, no final da noite de metal, as forças da natureza convocaram o elemento fogo em Carviçais (mais um incêndio!). É caso para citar: “the mysteries of the glorious nature are silently kept by the myths”. Ou terá sido (“sem querer”) fogo posto?
Depois de Carviçais, os Oratory actuam no festival de metal em Aveiro, no próximo dia 28 de Agosto. Entretanto, preparam o seu novo disco de originais (ainda em fase de pré-produção, nos estúdios da banda, Echo System) sucessor do internacionalizado Beyond Earth. Ficam alguns temas novos: “Blood Of The Fallen”, “As One”, “A Chance To Win”, “Angels Uprise” e “Behind The Glaring Eyes”.
agosto 2004