Duo de guitarra clássica no Subscuta
“Sonoridades Clássicas”
Ao quarto ciclo/mês de Subscuta o cenário transformou-se. O palco esvaziou-se de “aparelhos sonoros” e de duas estruturas de luzes laterais (raramente utilizadas: o ambiente foi sempre bastante soturno, raramente evidenciando as expressões faciais dos músicos). Na sua simplicidade despida, o palco albergava apenas duas cadeiras e dois tripés com pautas. O público, o do Subscuta, nem vê-lo. Apenas compareceram alguns, raros, que talvez tenham abraçado cegamente o ecletismo do evento e tenham decidido cumprir o ritual de sexta-feira à noite. Mas, se atendermos ao hábito (“aquele que faz os monstros”), as cerca de vinte e tal pessoas sentadas no auditório da Biblioteca Municipal, em nada condiziam com a imagem de um evento que tem apostado, claramente, numa tendência estilística alternativa (e aqui a música clássica nada deve). Mais parecia a composição do cenário dos “silêncios incómodos” das Quintas Musicais: pouca gente, um palco frio, uma distância enorme entre o público e os músicos. Oxalá o maestro António Vitorino d’Almeida venha para Barcelos de calças de ganga…
Do concerto registam-se: os virtuosismos dos guitarristas Rui Gama e Paulo Barros, sons bonitos, construções musicais aproximadas (com excepção das composições de Léo Brouwer), vibrações de nylon apaziguadoras e um sério convite ao adormecimento dos sentidos menos precisos (alguém no público havia dito que não precisava de estar de olhos abertos para contemplar a musicalidade. É verdade). Registam-se ainda as palmas imprudentes, sempre que houve espaço para elas, em “desrespeito” dos cânones comportamentais do estilo clássico, e, por momentos, os risos e falas das crianças “em recreio”, a reportarem a música para bandas-sonoras italianas (apesar das crianças não falarem italiano…) e para “brincadeiras” sonoras ambientais de Virgínia Astley e René Aubry.
O programa dividiu-se em duas partes. Na primeira parte: Sonate en Mi Mineur (Allegro mosso e Andantino mosso) de Padre José Galles (1761-1836); Sonata em Ré de Padre António Soler (1729-1783); Variazioni, Concertanti e Op. 130 de Mauro Giuliani (1781-1829); e Bajo la Palmera de Isaac Albéniz (1860-1909). Depois do intervalo tocaram as peças mais distintas, quer em estilo, quer em temporalidade de registo: Micro Piezas – Hommage à Darius Milhaud I, II, III e IV, do progressivo compositor cubano, nascido em 1939, Léo Brouwer,. De seguida, tocaram cinco peças para duas guitarras, do compositor mexicano Manuel Ponce (1882-1948): Scherzino Maya, Arrulladora Mexicana, Intermezzo, Scherzino, e Scherzino Mexicano. Finalizaram com Tarantella e Toccata de Pierre-Petit (1781-1829).
Na próxima sexta, as “sonoridades clássicas” vão ser “fabricadas” pelo quarteto de saxofones Sax Unlimited. Espera-se um outro cenário.
Junho 2004