(1) O Retromania de Simon Reynolds não se fica apenas pela dissecação da nostalgia e na tendência retro para escutar música nos dias de hoje. Fala-nos também de um tempo em que o ouvir música surge cada vez mais diluído em outras actividades (como música de fundo) ou cada vez mais como um refúgio num espaço ruidoso (como uma forma de abstracção de ambientes não desejados). Isto, obviamente, apenas possui uma ligação triangular com a ideia retro, na medida em que ambas as tendências resultam do avanço tecnológico da era digital. Bem vistas as coisas, quer o mp3 e seus derivados, quer a possibilidade alargada de armazenamento, têm vindo a condicionar irreversivelmente a forma com se ouve música.
(2) Na mesma tangente, Reynolds afirma (a respeito do avanço tecno-digital) que os nossos ganhos são também as nossas perdas. Acrescenta que a vida em rede não é nada bom para o nosso bem estar psicológico, deixa-nos exaustos, corrói a nossa capacidade de concentração e de viver o momento. Ouvir música nos dias de hoje é uma experiência diferente. Outrora era o próprio tédio (o não haver nada para fazer) que condicionava a leitura completa e repetente de um disco. Hoje em dia, numa era de acesso sem limites, o tédio vem do aborrecimento por excesso. São demasiados discos ainda por ouvir, demasiadas músicas dispersas nos confins do portátil, super-saturação.
(3) Super-saturação parece ser também uma preocupação dos artistas. O fruto tecnológico provocou uma obsessão pelo documentar e o arquivar nas redes sociais, deixando um claro vazio na real experiência de ver e ouvir um concerto. “Está toda a gente cada vez mais interessada em exteriorizar a experiência e não de a interiorizar”diz-se num comunicado do festival polaco Unsound que proibe os espectadores e a imprensa de tirar fotografias. O importante aqui não é apenas o de obrigar aqueles que tiram fotos a viver o momento mas também o de impedir estes de incomodarem aqueles que o querem fazer. Será possível? Num festival como o Unsound, onde pontua uma certa franja mais atenta das audiências, é muito provável que sim. Mas talvez tal não seja possível na grande maioria de eventos musicais onde, cada vez mais, há mais entretenimento do que outra coisa qualquer. Que o digam a Fiona Apple, Karen O ou os Savages.
(4) Lembremo-nos também (e isto convém sempre repetir) que o Unsound, assim como outros tantos festivais, tem fotógrafos profissionais, transmitem concertos em directo e publicam vídeos de arquivo. Eis uma boa razão, na grande maioria dos casos, para não andar com máquinas e telemóveis sempre a disparar em todas as direcções em cada minuto. Mas, na verdade, assiste-se antes a uma canalização via redes sociais de tudo aquilo que deve ser vivido e uma consequente vulgarização das experiências que se tornam insípidas e puras expansões do ego. É a retromania do presente. E isto não é coisa boa.
(3) Super-saturação parece ser também uma preocupação dos artistas. O fruto tecnológico provocou uma obsessão pelo documentar e o arquivar nas redes sociais, deixando um claro vazio na real experiência de ver e ouvir um concerto. “Está toda a gente cada vez mais interessada em exteriorizar a experiência e não de a interiorizar”diz-se num comunicado do festival polaco Unsound que proibe os espectadores e a imprensa de tirar fotografias. O importante aqui não é apenas o de obrigar aqueles que tiram fotos a viver o momento mas também o de impedir estes de incomodarem aqueles que o querem fazer. Será possível? Num festival como o Unsound, onde pontua uma certa franja mais atenta das audiências, é muito provável que sim. Mas talvez tal não seja possível na grande maioria de eventos musicais onde, cada vez mais, há mais entretenimento do que outra coisa qualquer. Que o digam a Fiona Apple, Karen O ou os Savages.
(4) Lembremo-nos também (e isto convém sempre repetir) que o Unsound, assim como outros tantos festivais, tem fotógrafos profissionais, transmitem concertos em directo e publicam vídeos de arquivo. Eis uma boa razão, na grande maioria dos casos, para não andar com máquinas e telemóveis sempre a disparar em todas as direcções em cada minuto. Mas, na verdade, assiste-se antes a uma canalização via redes sociais de tudo aquilo que deve ser vivido e uma consequente vulgarização das experiências que se tornam insípidas e puras expansões do ego. É a retromania do presente. E isto não é coisa boa.