A manhã de segunda-feira começa com o cruzamento recente de estilos de La La La Ressonance e Black Bombaim: pós-rock vs. stoner rock; exploração mecânico-cerebral vs. cavalgadas proto-psicadélicas ruidosas; liberdade ancorada no free-jazz vs. liberdade de alicerce bruto nas profundezas do rock. O primeiro statement surge em dois blocos distintos: uma coisa primeira mais La La La; depois um rasgo de ruído de instrumentos diluídos nos efeitos e no drone. Depois, ainda uma terceira parte de percussões (novamente La La La) onde a fórmula repetida do riff se vem cruzar numa onda que perigosamente pisa as plataformas mais comuns do rock. Às vezes parece querer soar a Do Make Say Think, noutras progressões invoca o imaginário abstracto do krautrock mais eléctrico, mas na grande parte desse cruzamento tudo soa a duelo cru entre duas formações distintas, onde as justaposições nos lembram disso mesmo. Ao esqueleto krautrock acrescentam-se um sintetizadores paisagísticos que expandem os cruzamentos para outro universo, uma espécie de terceira dimensão que abre alas a outro tipo de guitarras, secas, num jeito sincopado sem algemas. Mas isso é apenas um retalho. O lugar puro das guitarras surge na comum desorientação provocada pelas distorções máximas acompanhadas pelo saxofone dos tempos mais desconcertantes dos TAUF. Aqui é apenas mais um elemento perdido no ruído e não um objecto isolado nos espaços vazios. Mas isso talvez possa ser dito de todos os elementos que, mais uns do que outros, vão marcando a sua presença naquilo que é uma constelação de pequenas peças que aos poucos vão fazendo todo o sentido na colagem cuidada de restos de força bruta. E o que resta disto? Um drone, uma vibração tenebrosa de terramoto, e uma plataforma exploratória da nova Pompeia dos tempos em que tudo já foi feito e nada se liberta da retromania das ideias mais puras do psicadelismo obscuro e da distroção tribal, que salvo raras excepções, culmina num amontoar de sons para um climax previsível o hemisfério pós-rock ou que caralho lhe queiram chamar. Depois disto, o melhor mesmo é cortar a fita magnética com uma tesoura e colar os pedaços noutros sítios.
30.9.13
La La La Ressonance + Black Bombaim
A manhã de segunda-feira começa com o cruzamento recente de estilos de La La La Ressonance e Black Bombaim: pós-rock vs. stoner rock; exploração mecânico-cerebral vs. cavalgadas proto-psicadélicas ruidosas; liberdade ancorada no free-jazz vs. liberdade de alicerce bruto nas profundezas do rock. O primeiro statement surge em dois blocos distintos: uma coisa primeira mais La La La; depois um rasgo de ruído de instrumentos diluídos nos efeitos e no drone. Depois, ainda uma terceira parte de percussões (novamente La La La) onde a fórmula repetida do riff se vem cruzar numa onda que perigosamente pisa as plataformas mais comuns do rock. Às vezes parece querer soar a Do Make Say Think, noutras progressões invoca o imaginário abstracto do krautrock mais eléctrico, mas na grande parte desse cruzamento tudo soa a duelo cru entre duas formações distintas, onde as justaposições nos lembram disso mesmo. Ao esqueleto krautrock acrescentam-se um sintetizadores paisagísticos que expandem os cruzamentos para outro universo, uma espécie de terceira dimensão que abre alas a outro tipo de guitarras, secas, num jeito sincopado sem algemas. Mas isso é apenas um retalho. O lugar puro das guitarras surge na comum desorientação provocada pelas distorções máximas acompanhadas pelo saxofone dos tempos mais desconcertantes dos TAUF. Aqui é apenas mais um elemento perdido no ruído e não um objecto isolado nos espaços vazios. Mas isso talvez possa ser dito de todos os elementos que, mais uns do que outros, vão marcando a sua presença naquilo que é uma constelação de pequenas peças que aos poucos vão fazendo todo o sentido na colagem cuidada de restos de força bruta. E o que resta disto? Um drone, uma vibração tenebrosa de terramoto, e uma plataforma exploratória da nova Pompeia dos tempos em que tudo já foi feito e nada se liberta da retromania das ideias mais puras do psicadelismo obscuro e da distroção tribal, que salvo raras excepções, culmina num amontoar de sons para um climax previsível o hemisfério pós-rock ou que caralho lhe queiram chamar. Depois disto, o melhor mesmo é cortar a fita magnética com uma tesoura e colar os pedaços noutros sítios.
Instrumentos Esquisitos: o Trautonium
O trautonium é um instrumento electrónico monofónico inventado em 1929 por Friedrich Trautwein, em Berlim, no laboratório radiofónico de Musikhochschule. Oskar Sala juntou-se a Trautwein e continuou o desenvolvimento do aparelho, o Mixtur Trautonium, até 2002.
O instrumento não possui teclado. O som é activado por através de um fio com resistência em contacto com uma placa de metal. O fio é sensível ao toque e permite a criação de vibrato com pequenos movimentos. O volume é controlado com a pressão dos dedos no fio e no bordo. Ao contrário do theremin, o trautonium pode ser tocado apenas com uma mão. Os primeiros sons eram produzidos com osciladores, mais tarde com tiratron (uma espécie de válvula electrónica) e depois com transistores.
A primeira apresentação ao público aconteceu no dia 20 de junho de 1930 por Oskar Sala e Paul Hindemith no Berliner Musikhochschule Hall. Nas décadas de 1940s e 1950s foi bastante utilizado e, anúncios publicitários e na criação de bandas-sonoras, sendo célebre a sua utilização no filme de Alfred Hitchcock, Os Pássaros (1963).
The Stooges - No Fun (The Stooges)
The Stooges is my favourite punk-rock album. I really like all the songs on it: from No Fun to We Will Fall. The sound is raw, rough and Iggy demonstrates how two or three chords are enough to make a great album. John Cale is the producer and it makes all the difference: the arrangements are minimal and repetitive; and the guitar sound is just at top front hitting your face as with the Velvets.
29.9.13
Pixies - Havalina (Bossanova)
Watching the Pixies playling their new stuff on Jools Holland makes me think how Bossanova was good.
Sound of Cinema: The Music that Made the Movies

Não é certamente o documentário mais completo sobre música e som no cinema, mas serve como uma boa introdução à evolução das prácticas sonoras ao longo dos tempos e atenta a alguns pormenores interessantes na leitura de filmes e cenas que se tornaram célebres. O primeiro episódio de Sound of Cinema: The Music that Made the Movies, apresentado por Neil Brand, recua aos primórdios do uso de música de orquestra por nomes como Max Steiner e Erich Wolfgang Korngold em filmes como King Kong e The Adventures Of Robin Hood, e acompanha evoluções ocorridas em filmes como Citizen Kane e Vertigo, de onde emerge Bernard Herrmannm um dos nomes mais importantes na composição de bandas sonoras clássicas para filmes. A música composta para a cena do chuveiro em Psycho é certamente uma das peças mais memoráveis. No segundo episódio Brand fala-nos do uso de música pop, rock e jazz, num claro abandono da fórmula orquestrada em favor de bandas-sonoras mais modernas e mais baratas. Mais baratas, mas não necessariamente menos perfeitas. É nesta nova tendência que surgem nomes maiores como John Barry, Ennio Morricone ou Angelo Badalamenti; mas também o uso de música não originalmente composta por directores exímios como Martin Scorcese e Quentin Tarantino. O terceiro episódio intitula-se New Frontiers e apresenta todas as grandes inovações proporcionadas por avanços tecnológicos como o foi a invenção do theremin a ilustrar estados psicológicos em filmes como Spellbound de Hitchcock e um infinito imaginário de filmes de ficção científica. Hitchcock é sem dúvida, mais uma vez, um dos directores que mais se aventura em novas estéticas e conceitos inovadores. No filme Os Pássaros não existe música. Todos os sons são recriações sintéticas de aves produzidos por um instrumento chamado trautonium (na fotografia em cima). Só por estes pormenores já vale a pena ver este novo documentário da BBC.
28.9.13
Johnny Cash - Hurt (American IV: The Man Comes Around)
Learning about country music in a BBC documentary. There's a lot of good stuff there, Patsy Cline, Hank Williams, even Dolly Parton. But Cash is Cash and, despite the vulgarization of Hurt, it still is one of his best covers from his American series.
27.9.13
John Cale - Heartbreak Hotel (Helen of Troy)
I still remember the first time I saw John Cale on TV in one of those Sunday afternoon popular programs. He performed live a couple of songs on acoustic guitar. Some time later I saw him playing Heartbreak Hotel on piano in a tribute event for Elvis. It is a very good cover and I got really impressed with its darkness and Cale’s despairing vocals. I bought Close Watch: An Introduction to John Cale and that was indeed my introduction to Cale’s solo work.
26.9.13
Nico - It Was A Pleasure Then (Chelsea Girl)
First time I’ve listened to Nico’s solo songs was through The Velvet Underground box compilation Peel Slowly and See. My favourite song was (and still is) It Was A Pleasure Then (it was a pleasure then and now) that was part of Chelsea Girl. It was a truly revelation to listen to an electric guitar being played that way, so softly, so distant, so enigmatically; and then the eruption of noisy feedbacks and the combination of beauty and “ugliness” became one of my first musical lessons and a deep rooted principle of self-composition. For life.
25.9.13
Respiga de mapas
A geografia da música pode tornar-se uma aventura na descoberta. Nomes que se ligam a outros nomes. Estilos que se ligam a outros estilos. Existe um número de websites que permitem fazer essas esquematizações que outrora nos ficavam seguras na memória. Aqui ficam três exemplos já adicionados nas listas à direita:
Respiga de mapas
A geografia da música pode tornar-se uma aventura na descoberta. Nomes que se ligam a outros nomes. Estilos que se ligam a outros estilos. Existe um número de websites que permitem fazer essas esquematizações que outrora nos ficavam seguras na memória. Aqui ficam três exemplos já adicionados nas listas à direita:
John Cale & Lou Reed - Open House (Songs For Drella)
“It's a Czechoslovakian custom my mother passed on to me / The way to make friends Andy is invite them up for tea”. We don’t make many friends by inviting them for tea and we’re not Czechoslovakian. Yet we would invite friends to listen to this great album, Songs For Drella, written for Andy Warhol when Lou and John seemed to be friends. Most songs sound unfinished (and that’s the good quality of it) and Lou’s guitar is sometimes intrusive in the soundscape created by John Cale. It’s Lou and there’s nothing you can do about it. Is there anyone out there as good as him delivering a combination of spoken word and perfect lyrics?
24.9.13
Undercurrents + Wire
Uma versão usada do livro Undercurrents (em bom estado mas com uns sublinhados florescentes irritantes) chegou finalmente. Veio num embrulho dos Estados Unidos (coisas da Amazon) e por isso ficou por pouco mais de quatro libras, incluindo os portes de envio. Comprar livros usados na Amazon tem sido um hábito. Este Undercurrents é uma colecção de textos obrigatórios publicados na revista Wire. Alguns exemplos: Ian Penmen escreve sobre a forma como o microfone se tornou uma das invenções tecnológicas mais importantes do século XX ao permitir uma nova dinâmica de voz; Ken Hollings fala-nos dos mitos solares de gente estranha como Sun Ra e Stockhausen; Peter Shapiro tem por objecto o gira-discos como um instrumento; Mark Sinker leva-nos a considerações sobre Futurismo; e David Toop escreve sobre os limites da espontaneidade na música improvisada.
A chegada do livro coincide com o facto de me ter tornado novamente assinante da Wire. Não que eu tenha agora mais tempo para ler a revista de ponta-a-ponta, mas o livre acesso a todo o catálogo digital é algo muito apetecível. Em vez de perder tempo em googles e navegações sem destino, abro a revista digital (um pouco ao calhas) e procuro textos específicos. Ontem, por exemplo, encontrei este (até bem recente) sobre roncas de nevoeiro e faróis. Não sei como é que um evento destes me escapou. Uma verdadeira undercurrent. Lá está, se fosse assinante da Wire tal não teria acontecido.
Undercurrents + Wire
Uma versão usada do livro Undercurrents (em bom estado mas com uns sublinhados florescentes irritantes) chegou finalmente. Veio num embrulho dos Estados Unidos (coisas da Amazon) e por isso ficou por pouco mais de quatro libras, incluindo os portes de envio. Comprar livros usados na Amazon tem sido um hábito. Este Undercurrents é uma colecção de textos obrigatórios publicados na revista Wire. Alguns exemplos: Ian Penmen escreve sobre a forma como o microfone se tornou uma das invenções tecnológicas mais importantes do século XX ao permitir uma nova dinâmica de voz; Ken Hollings fala-nos dos mitos solares de gente estranha como Sun Ra e Stockhausen; Peter Shapiro tem por objecto o gira-discos como um instrumento; Mark Sinker leva-nos a considerações sobre Futurismo; e David Toop escreve sobre os limites da espontaneidade na música improvisada.
A chegada do livro coincide com o facto de me ter tornado novamente assinante da Wire. Não que eu tenha agora mais tempo para ler a revista de ponta-a-ponta, mas o livre acesso a todo o catálogo digital é algo muito apetecível. Em vez de perder tempo em googles e navegações sem destino, abro a revista digital (um pouco ao calhas) e procuro textos específicos. Ontem, por exemplo, encontrei este (até bem recente) sobre roncas de nevoeiro e faróis. Não sei como é que um evento destes me escapou. Uma verdadeira undercurrent. Lá está, se fosse assinante da Wire tal não teria acontecido.
Lou Reed - September Song (September Songs: The Music of Kurt Weill)
Most of the tracks performed on the tribute album September Songs: The Music of Kurt Weill are of top quality. My highlights: Nick Cave - Mack the Knife; PJ Harvey - Ballad of the Soldier's Wife; Elvis Costello - Lost in the Stars; Charlie Haden - Speak Low and William S. Burroughs - What Keeps Mankind Alive?. Yet, the cover of September Song by Lou Reed (he had another one on Lost in the Stars: The Music of Kurt Weill which is not as good) is just on of my favourite covers of all time. It has the perfect pace, the ideal dose of melancholy and it’s a very interesting adaptation of the original.
23.9.13
Avant-Garde Jazz 1950s-1960s
- Ornette Coleman – Lonely Woman
- Cecil Taylor Quartet – Wallering
- John Coltrane – A Love Supreme Part I: Acknowledgement
- Charles Mingus – Mode D - Trio And Group Dancers / Mode E - Single Solos And Group Dance / Mode F - Group And Solo Dance
- Eric Dolphy – Straight Up And Down - 1999 Digital Remaster
- Pharoah Sanders – Colors
- Max Roach – Freedom Day
- Bobby Hutcherson – Les Noirs Marchant - Rudy Van Gelder;2002 - Remaster
- Eric Dolphy – Iron Man
- Sonny Rollins – We Kiss In A Shadow
- Wayne Shorter – Chaos - Rudy Van Gelder 24Bit Mastering 00;2000 Digital Remaster
- Archie Shepp – Frankenstein
- Sun Ra – Voice of Space
- Alice Coltrane – Atomic Peace
- Art Ensemble Of Chicago – Old Time Religion
Mark Lanegan - Brompton Oratory (Imitations)
Mark Lanegan have released a new covers album called Imitations that seems to be the successor to beautifully crafted I’ll Take Care Of You (1999). There are songs originally written by Chelsea Wolfe, John Barry, Kurt Weill, John Cale or Neil Sedaka. This one is Brompton Oratory by Nick Cave & The Bad Seeds, probably my favourite from The Boatman’s Call (1997). One curious fact: Duff McKagan (Guns N’ Roses) plays the beautiful bass line.
22.9.13
Tape - Dust and Light (Revelationes)
This the opening track of my favorite 2011 album: Revelationes by tedTape. I can't precise exactly how I've discovered this band yet they capture my attention immediately. The sound itself is both rough and sophisticated. Truly love the muffled sounds they use (drums and electric guitar) and their sense of melody is both exquisite and simplistic.
21.9.13
Efeitos opostos
The promise of the iPod and the download culture in general is that people will become open-minded, into music as a whole as opposed to a specific nook or niche of it. Yet the abundance, diversity and ease of access that we now enjoy seems to have actually had the opposite effect. p.121
Agora que existe uma facilidade tremenda na comunicação e na descoberta de música, parece estar a assistir-se ao desaparecimento de uma plataforma de verdadeira partilha e a um consequente fechar das mentes (ou será antes ao contrário?). Talvez não fosse algo tão imprevisível. É que ao mesmo tempo em que se abrem portas ao conhecimento e ao livre (ou pelo menos mais fácil) acesso a objectos musicais; assiste-se também a uma outra forma de ouvir música, limitada quer às constrições de qualidade e de tempo, quer ao vazio de ausência de um objecto. A questão aqui nem é o facto de se ouvir cada vez música com pequenos auscultadores de um iPod. Lembremos-nos apenas que o Walkman já anda por cá há anos. A questão é bem capaz de residir antes na superficialidade com que o ouvinte se liga intelectual e emocionalmente aos objectos musicais, hoje em dia numa clara vertigem para a desmaterialização.
Três considerações em relação ao objecto-vinil e o que o diferencia do formato digital:
(1) ouvir um disco em vinil implica sempre uma série de rituais. Limpar a agulha, tirar o pó ao disco, virá-lo para ouvir o lado B. Existe o contacto com um objecto de música que deve ser cuidado. Por outro lado, a separação física entre o lado A e o lado B funciona como fronteira concreta entre duas partes distintas. O disco era pensado e gravado tendo em conta esse facto. Com o aparecimento do CD deixou de existir essa fronteira e o álbum passou a ter uma duração (demasiado) ampla (74 minutos) porque a tecnologia o permitiu. Com o mp3 essas fronteiras tornaram-se ainda mais indefinidas e definitivamente abstractas.
(2) o vinil ocupa espaço. A grande vantagem de poder coleccionar (e quiçá de ouvir) um maior número de álbuns acarreta consigo o desvanecer de um filtro padrão de qualidade. Havendo mais espaço para guardar música existe também um acumular de discos que certamente não os teríamos em objecto físico. Músicos que até nem são os nossos preferidos ou que até nem gostamos muito, mas vá lá, temos espaço para eles no disco duro ou num disco portátil.
(3) o vinil tem um preço e sabemos que nesse preço está o objecto em si, a impressão do vinil, o design, a qualidade do papel. Com a desmaterialização toda essa relação física desaparece e ideia de propriedade é também ela abstracta. O objecto de propriedade é agora um iPod ou uma conta num serviço de streaming. A música pode ser comprada mas, sejamos francos, também pode ser trocada entre usuários de internet, através de um acto a que se tornou usual chamar download ilegal. Existe, portanto, uma clara desvalorização do ter objectos. Aquilo que as pessoas estavam dispostos a pagar por um disco transferiu-se para os reprodutores digitais, os computadores, os telemóveis, ou mesmo os auscultadores.
Estas três tendências, entre muitas outras, condicionam muito a forma como se ouve música hoje em dia e talvez possam explicar em parte a ausência de abertura musical e partilha. Parece-me, aliás, não tenho dúvidas, que existe (ou existia) mais eficiência na partilha de cassetes entre amigos do que na partilha de um link para o YouTube via Facebook. Pode ser mais imediato, mas no seu âmago é um acto insípido que não prende o gosto comum por determinada música, álbum, ou artista. Posso constatar isso todos os dias no escritório. Toda a gente de auscultadores nas orelhas, mesmo (e até principalmente!) quando alguém resolve colocar algo a tocar nas colunas. É a prova que já não existem, nem se cultivam, lugares comuns para se fazer jus à experiência colectiva que a música possui e merece.
Thurston Moore - Benediction (Demolished Thoughts)
With benediction in her eyes, Our dearest gods are not surprised.You better hold your lover down, Tie him to the ground.Whisper "I love you,"One thousand times into his ear, kiss his eyes, And don't you cry girl, he won't disappear.But I know better than to let you down.With benediction in her mind, She'll never get you back in time.You better hold your lover down, And tie her to the ground.Simple pleasures strike like lighting, Scratches spell her name.Thunder demons swipe her halo, And then they run away.But I know better than to let her go.With benediction in her eyes, Our dearest gods are not surprised.You better hold your lover down, And tie her to the ground.Simple pleasures strike like lightening, Scratches cross her name.Whisper "I love you my darling, life is just a fling."But I know better than to let her go.I know better that to let you go.
20.9.13
Nick Cave & The Bad Seeds - Stranger Than Kindness (Your Funeral ... My Trial)
Your Funeral... My Trial is not the best album by Nick Cave but it includes two of his best songs. One is The Carny, the other this introspective Stranger Than Kindness. I've read somewhere that the song emerged while Blixa was experimenting some shadowy slide sounds on his guitar. It sounds mysterious, foggy, drugged, and somehow Cave’s lyrics fit perfectly: “You hold me so carelessy close / Tell me I'm dirty / Stranger than kindness”.
19.9.13
Hackround
- THE BONHAMIZER - Escolham uma música da lista, um estilo, e o resultado é uma versão dessa música como se fosse tocada pelo lendário baterista dos Led Zeppelin, John Bonham
- BOIL THE FROG – Escolham dois artistas e uma playlist será gerada com músicos que os conectam entre si
- REMIX OF THE CENTURY – Escolham as variáveis (e.g. número de semanas nos tops, amplitude, duração) e podem ouvir a mix de um século
- JOHHNY CASH HAS BEEN EVERYWHERE – uma música apenas e Cash a aparecer em todos os locais mencionados na letra da canção
- DRINKIFY – escolham o artista e o “barman” indica que bebida devem tomar
- EVERY NOISE AT ONCE – um mapa de géneros, sub-géneros e sub-sub-géneros musicais
Hackround
- THE BONHAMIZER - Escolham uma música da lista, um estilo, e o resultado é uma versão dessa música como se fosse tocada pelo lendário baterista dos Led Zeppelin, John Bonham
- BOIL THE FROG – Escolham dois artistas e uma playlist será gerada com músicos que os conectam entre si
- REMIX OF THE CENTURY – Escolham as variáveis (e.g. número de semanas nos tops, amplitude, duração) e podem ouvir a mix de um século
- JOHHNY CASH HAS BEEN EVERYWHERE – uma música apenas e Cash a aparecer em todos os locais mencionados na letra da canção
- DRINKIFY – escolham o artista e o “barman” indica que bebida devem tomar
- EVERY NOISE AT ONCE – um mapa de géneros, sub-géneros e sub-sub-géneros musicais
The Cure – Lullaby (Disintegration)
Although The Cure are a band that I haven’t played a lot at home, they’re probably one of the first bands that I've noticed some cult following among friends. It was very cool to listen to The Cure in late 1980s and early 1990s. Lullaby is an amazing song (Disintegration is probably The Cure’s best album) and I remember being absolutely hypnotised by its bass line in clubs at late night. I also remember watching the videoclip on TV. Good old TV times.
18.9.13
Roundup
- Os Pixies aventuram-se em novas gravações sem Kim Deal. A nova baixista chama-se Kim Shattuck e o primeiro lançamento do ano é um ep simplesmente intitulado EP1. Não foi só a querida baixista que perderam. Perderam também a sonoridade que lhes dava o estatuto de banda alternativa por excelência.
- Os Mazzy Star também estão de regresso com o disco Seasons Of the Day que pode ser ouvido na íntegra aqui. Continuam iguais a si mesmos. O guitarrista David Roback diz que “estiveram sempre a compor e a gravar. Apenas não lançaram nada publicamente”.
- Duas novas séries a apontar: Complete Communion, uma nova coluna dedicada ao jazz da Quietus; e New Music Around The World do The Guardian que se dedica à pesquisa de blogs (e música) pelo mundo fora.
- Mark Lanegan lança mais um álbum de covers intitulado Imitations. Inclui versões de John Cale, Nick Cave, Andy Williams, Kurt Weill, Frank Sinatra, entre outros.
Joy Division - Shadowplay (Unknown Pleasures)
“To the center of the city where all roads meet waiting for you”. That was the perfect line for a first dive in urban post-punk music. The live version from Still sounds a little better than the one from Unknown Pleasures. The distorted guitar has its roots in punk although it sounds quite heavy metal. I remember a band doing a cover of this song in one of the first local gigs I’ve been to. Four chords and that’s it. Ok, and quite a lot of poetry by Ian Curtis.
17.9.13
Encontros imediatos: Robert Wyatt
Num dia cinzento, numa data indefinida (apenas me lembro que o Michael Nyman tocava nesse dia na Union Chapel), vi o Robert Wyatt com a esposa em King’s Cross sentados numa esplanada. Ia eu de autocarro para a British Library onde passei a tarde. Quando saí, vi-os novamente numa outra esplanada da zona. Atravessei a rua para falar com ele, quanto não fosse para lhe dizer que o admirava, mas não fui capaz. Entrei no café e fiquei a observá-los de dentro e a ver se ganhava algum alento para dizer qualquer coisa. Pedi um café e um muffin. Durante cerca de uma hora em que lá estive apenas uma pessoa o reconheceu. Um tipo todo frique. Trocaram umas palavras e só. Mais ninguém. São milhares de pessoas que andam ali por Kings Cross e... “quem é o Robert Wyatt?” Talvez quase ninguém o conheça, porque o Robert Wyatt, não é propriamente alguém que passe despercebido numa esplanada.
The Fall - New Big Prinz (I Am Kurious Oranj)
Bend Sinister is probably my favourite Fall album, not I Am Kurious Oranj. But this track is probably the one that I’d be listening non-stop if I had to. Without blinking. The repetitive bass line is extremely addictive and the guitar part by Brix might tell a lot about myself. Post-punk hammering the soul.
16.9.13
Public Image Ltd. - Rise (Album)
The perfect PIL single is coming from an album called Album which is sonically from post-punk and dangerously touching a hard-rock sediment. Yet it’s probably one of the most uplifting songs by PIL (the guitar brings happiness) and, as usual, Johnny’s angry vocals and lyrics ("Anger is an energy") never let it go too far from the core punk attitude.
15.9.13
Mark Kozelek & Jimmy LaValle - Somehow The Wonder Of Life Prevails (Perils From The Sea)
Perils From The Sea has been playing a lot here. The album is an exquisite combination of Mark Kozelek stories and minimal electronic by The Album Leaf. Somehow The Wonder Of Life Prevails is the last song of the album and the strings arrangements really emphasize the aura of a sad departure.
14.9.13
Julia Holter - Maxim's I (Loud City Song)
Her voice sounds like a fairy mystery and the music is something that can't be deciphered yet. There are dreamy soundscapes, jazzy combo arabesques, some pop oriental frequencies. A possible vague description of Julia Holter's new album Loud City Song via its second track Maxim's I.
13.9.13
Steamroom 1-8
Jim O'Rourke é uma daquelas figuras imprevisíveis, um factótum na música (e nas artes) e uma máquina imparável de criação ecléctica.Nasceu em Chicago, passeou-se por Nova Iorque e agora vive no Japão. Já tocou com esta gente toda: Thurston Moore, Lee Ranaldo, Derek Bailey, Mats Gustafsson, Mayo Thompson, Brigitte Fontaine, Loren Mazzacane Connors, Merzbow, Nurse with Wound, Phill Niblock, Fennesz, Organum, Phew, Henry Kaiser, Flying Saucer Attack, etc. Os estilos vão do jazz ao noise, passando pela electrónica e pelo rock. Aqui há uns dias atirou-nos com uma série de gravações em modo drone. São 8 ao todo e podem ser escutadas (e/ou compradas) livremente no bandcamp.
Steamroom 1-8
Jim O'Rourke é uma daquelas figuras imprevisíveis, um factótum na música (e nas artes) e uma máquina imparável de criação ecléctica.Nasceu em Chicago, passeou-se por Nova Iorque e agora vive no Japão. Já tocou com esta gente toda: Thurston Moore, Lee Ranaldo, Derek Bailey, Mats Gustafsson, Mayo Thompson, Brigitte Fontaine, Loren Mazzacane Connors, Merzbow, Nurse with Wound, Phill Niblock, Fennesz, Organum, Phew, Henry Kaiser, Flying Saucer Attack, etc. Os estilos vão do jazz ao noise, passando pela electrónica e pelo rock. Aqui há uns dias atirou-nos com uma série de gravações em modo drone. São 8 ao todo e podem ser escutadas (e/ou compradas) livremente no bandcamp.
Kraftwerk - Klingklang (Kraftwerk 2)
Before Kraftwerk went intensely electronic and liberated themselves from more common instruments, they were exploring the krautrock common ground. They’re second album opened with this Klingklang comprising 17 minutes of muted drum-machines, repetitive minimalistic motifs, and a free speech flute. Its tempo is never constant which makes the repetitive unpredictable and shows that there are many ways to create dynamics without loudness.
12.9.13
Ashra - Sunrain (New Age On Earth)
I have no idea how I’ve discovered New Age On Earth. It started playing somewhere and I’ve immediately got captivated by the hypnotic repetitive motifs of Sunrain. Synthesizers take the command and this is arguably one of the strongest possibilities of krautrock without electric instruments (guitar, bass, drums) and electronic music as we know it today.
11.9.13
Ornette Coleman - Science Fiction (1972)
Chaos and words. Have you noticed the way the baby crying erupts in the middle of the track? Wow... I haven't heard anything like this before.
Neu! - Hallogallo (Neu!)
The cover is just a big orange NEU! On top of a white background. It doesn’t say much about the music (or maybe it does?), but does it really matter when we’re listening to krautrock? Hallogallo starts very repetitive and keeps the same repetitiveness until the end. Two rhythmic guitars sustain the drums and the reversed guitar coordinates the dynamics. As simple as that. Who needs songs?
10.9.13
Discos Voadores: Robert Wyatt - A Short Break
Em 1992 Robert Wyatt gravou por casa, em quatro pistas, vinte minutos de memórias de Portugal nos anos 1950s. Na capa esverdeada vê-se um barco e um miúdo (o próprio) na praia. Parece ser na Nazaré. Mas poderia ser noutro lugar da costa lusitana. Wyatt refere-se à sua própria imagem como um fantasma (a presença de fantasmas é uma constante na obra de Wyatt) e às peças de A Short Break como representações abstactas de cinco fotografias: uma com barcos, uma com mulheres da beira-mar, uma (a da capa) com o próprio a entrar na água, uma com uma mulher de negro, víuva talvez, com uma bacia na cabeça, e uma dele (parece) de calções junto a um autocarro. As canções soam incompletas, rascunhos vagos, melodias dispersas: Tubab significa europeu rico, Kutcha é um molho, Venti Latir é uma dança como uma ventoinha eléctrica, da palavra francesa ventilateur. Não são palavras inventadas. São palavras da língua wolof falada na África Ocidental, principalmente no Senegal, mas também na Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali, República Dominicana e Mauritânia. Wyatt retirou-as do glossário do livro Our Grandmothers’ Drums de Mark Hudson. Títulos de origem africana que Wyatt assimila num trajecto óbliquo de influências melódicas do jazz, como se este fosse beber às suas raízes mais profundas. Os arranjos são simplificados a um número mínimo de instrumentos (todos tocados por Wyatt) e, de uma certa forma, transportam uma espécie de melancolia de uma vaga ideia de férias longíquas num lugar, país, onde existem “diferentes formas de viver”. Esse país já não existe, mas Wyatt deixa-nos aqui um registo que, mesmo sendo meros rascunhos, invoca um lugar-fantasma revivido em fotografias a preto-e-branco.
Cluster - In Ewigkeit (Sowiesoso)
Slowly repetitive. Smooth electronic sounds. Some few strange sonic eruptions. These are the main elements to describe the last track on Sowiesoso by the krautrock duo Cluster. The song plays for more than 7 minutes but it could play for longer. It’s dreamy and relaxing. Mysterious and enigmatic. A good Cluster self-portrait.
9.9.13
Can - Sing Swan Song (Ege Bamyasi)
I can't remember very well how and when I've discovered Can. Perhaps someone told me about them long time ago and I've been listening to them in pieces. I recognise the songs and some of the passages of their first albums but it’s hard for me to identify the titles and describe the songs structure with precision. Can is one the bands that I need to spend more time with. I really the way the acoustic guitar and the bass intermingle with each other in this song.
8.9.13
Discos Voadores: Love And Rockets - Seventh Dream Of Teenage Heaven
Com o fim dos Bauhaus em 1983 e a relutância de Peter Murphy em participar numa reunião, a Daniel Ash coube a decisão sábia de, juntamente com David J e Kevin Haskins, formar os Love and Rockets. Assim, não só se libertou do peso do nome da banda gótica, mas também experimentou uma nova sonoridade, despreendida do glam mais óbvio e do obscurantismo dos nichos do pós-punk. O nome Love and Rockets, retirado de um título de comics, aparece em 1985 com o primeiro álbum Seventh Dream Of Teenage Heaven. É um disco de essência rock repleto de laivos de electrónica pop, sem nunca comprometer o lado alternativo de um trio de músicos que passaram anos a viver do culto dos castelos e dos dráculas. Comprometem sim, a ideia de que os Bauhaus seriam uma banda esgotada em si mesma, cada vez mais num beco sem saída para lá dos ambientes teatrais. Aqui fica o testemunho de que há muito para lá dessa ideia e dos desígnios ensaísticos de Peter Murphy, claramente prisioneiro de ideias fechadas. Os Love and Rockets provam que há um outro mar a explorar e uma forma de reinventar as origens sem invocar demasiados góticos óbvios. Aqui fala-se do instrumental que encerra o disco, Saudade, que poderia muito bem fazer parte dos melhores momentos da 4AD em playlists infinitas pela noite dentro.
Love & Rockets - Saudade (Seventh Dream of Teenage Heaven)
Although the 12-string acoustic guitar was very prominent with Bauhaus it is with Love & Rockets that Daniel Ash reveals a very special touch on his instrumental approach. It is deeply rooted in folk tradition and Saudade sounds both post-punk and Fado-esque (is this possible?).
7.9.13
Neil Young with Crazy Horse - Cortez The Killer (Zuma)
He came dancing across the water With his galleons and guns Looking for the new world In that palace in the sun. On the shore lay Montezuma With his coca leaves and pearls In his halls he often wondered With the secrets of the worlds. And his subjects Gathered 'round him Like the leaves around a tree In their clothes of many colors For the angry gods to see. And the women all were beautiful And the men stood Straight and strong They offered life in sacrifice So that others could go on. Hate was just a legend And war was never known The people worked together And they lifted many stones. They carried them To the flatlands And they died along the way But they built up With their bare hands What we still can't do today. And I know she's living there And she loves me to this day I still can't remember when Or how I lost my way. He came dancing across the water Cortez, Cortez What a killer.
6.9.13
Tom Barman & Guy Van Nueten - River Man (Tom Barman & Guy Van Nuete)
The cover of River Man (Nick Drake), and the album itself, doesn't only reveal the sonic aesthetics and influences of Tom Barman, the ultimate leader of dEUS; it really sounds like the perfect soundtrack of the end of the Antwerp boom era, that coincides with the departure of Stef Kamil Carlens to Zita Swoon and the lost souls in dEUS.
5.9.13
dEUS – Suds & Soda (Worst Case Scenario)
This is the opening song of Worst Case Scenario (if we count Intro as an intro) by the Belgium dEUS. What a blast! A violin that stings, vocals as distorted as guitars, “Friday” raging in repetitive hypnotic bites, a sense of melody juxtaposed with noise. dEUS were the cool band of the 90s. Jazzy, Beefheartesque, and exquisitely electric. Stef Kamil Carlens, Tom Barman and Roudy Trouve in the same band, a sparkling line-up that, unfortunately didn't last long. It’s probably their best album, although In a Bar, Under the Sea is a great sequel. These two with the EP My Sister = My Clock are dEUS at their core.
4.9.13
Moondog Jr. – Ice Guitars (Everyday I Wear a Greasy Black Feather on My Hat)
A perfect guitar riff, a weird harmonium drone background sound and a heavy rock drum style are the most prominent elements of this track by Moondog Jr. from the album Everyday I Wear A Greasy Feather On My Hat. Moondog Jr. (later Zita Swoon) were in the very Antwerp style explorers of lo-fi experimental rock and Beefheart’s deconstructive jazz rock legacy. Stef Kamil Carlens gets the central role that he was lacking in dEUS and, still surrounded by great musicians, ignites a very prolific second step towards a new calling.
3.9.13
Rodrigo Leão em Hollywood
Depois de tantas dicas cinemáticas, quer no tempo dos Madredeus com Lisbon Story, quer no recente documentário Portugal, Um Retrato Social, quer num álbum simplesmente intitulado Cinema, Rodrigo Leão alcança o mais puro mainstream das bandas-sonoras com The Butler. Abre-se uma porta a plataformas internacionais e quiçá a prespectiva de um percurso que venha finalmente a ser reconhecido.
Existem dois pontos a assinalar à primeira audição: a) o facto de o tema da banda-sonora ter-se inspirado (ou desinspirado?) na faixa Cinema que abre o álbum com o mesmo nome; b) e dos arranjos se apresentarem claramente formatados às convenções musicais de blockbusters.
Esta banda-sonora não acrescenta nada novo à obra de RL e, sinceramente, espera-se que esta não seja a vereda de um dos músicos portugueses mais importantes dos últimos tempos.
Zita Swoon - Ragdoll Blues (I Paint Pictures on a Wedding Dress)
In 1999 I saw Zita Swoon playing at the student festival Queima das Fitas, in Coimbra, Portugal. It was an incredible gig. A parafernalia of instruments on stage, weird customs, Carlens dressed as a woman, dancing and jumping, one of the guitarists as a cowboy, the double bass player had a funny moustache, electric guitars in a duel, two amazing covers (Money, Money by Abbba; and You Can't Always Get What You Want by The Stones), and an audience that quickly surrendered to the exquisite unknown group from Belgium. Well, they were not really unknown, Carlens had left dEUS to form Moondong Jr. and then Zita Swoon. My room mate bought the album I Paint Pictures on a Wedding Dress and I guess it was playing all the time around the flat.
2.9.13
Kiss My Jazz - Small Town Lovers Stroll (In a Service Station)
One of my favourite albums. Mr. Roudy Trouvé, former member of dEUS at his best. This song starts with birds and an acoustic guitar that testifies the prominence of a quasi-samba style. Yet the album is very diverse. Some songs are sang by this character called Viking something who seems to be the perfect clash to Trouve's spoken word style. In A Service Station CD hides a "ghost album". If you rewind track number one you'll find In A Ghosttruck. It's the only CD that I know that has this feature. Anyway, the album is just great: live recorded, jazzy, noisy, great songs, different styles, excellent musicians from Belgium. One of my life albums.
1.9.13
Retromania
(1) O Retromania de Simon Reynolds não se fica apenas pela dissecação da nostalgia e na tendência retro para escutar música nos dias de hoje. Fala-nos também de um tempo em que o ouvir música surge cada vez mais diluído em outras actividades (como música de fundo) ou cada vez mais como um refúgio num espaço ruidoso (como uma forma de abstracção de ambientes não desejados). Isto, obviamente, apenas possui uma ligação triangular com a ideia retro, na medida em que ambas as tendências resultam do avanço tecnológico da era digital. Bem vistas as coisas, quer o mp3 e seus derivados, quer a possibilidade alargada de armazenamento, têm vindo a condicionar irreversivelmente a forma com se ouve música.
(2) Na mesma tangente, Reynolds afirma (a respeito do avanço tecno-digital) que os nossos ganhos são também as nossas perdas. Acrescenta que a vida em rede não é nada bom para o nosso bem estar psicológico, deixa-nos exaustos, corrói a nossa capacidade de concentração e de viver o momento. Ouvir música nos dias de hoje é uma experiência diferente. Outrora era o próprio tédio (o não haver nada para fazer) que condicionava a leitura completa e repetente de um disco. Hoje em dia, numa era de acesso sem limites, o tédio vem do aborrecimento por excesso. São demasiados discos ainda por ouvir, demasiadas músicas dispersas nos confins do portátil, super-saturação.
(3) Super-saturação parece ser também uma preocupação dos artistas. O fruto tecnológico provocou uma obsessão pelo documentar e o arquivar nas redes sociais, deixando um claro vazio na real experiência de ver e ouvir um concerto. “Está toda a gente cada vez mais interessada em exteriorizar a experiência e não de a interiorizar”diz-se num comunicado do festival polaco Unsound que proibe os espectadores e a imprensa de tirar fotografias. O importante aqui não é apenas o de obrigar aqueles que tiram fotos a viver o momento mas também o de impedir estes de incomodarem aqueles que o querem fazer. Será possível? Num festival como o Unsound, onde pontua uma certa franja mais atenta das audiências, é muito provável que sim. Mas talvez tal não seja possível na grande maioria de eventos musicais onde, cada vez mais, há mais entretenimento do que outra coisa qualquer. Que o digam a Fiona Apple, Karen O ou os Savages.
(4) Lembremo-nos também (e isto convém sempre repetir) que o Unsound, assim como outros tantos festivais, tem fotógrafos profissionais, transmitem concertos em directo e publicam vídeos de arquivo. Eis uma boa razão, na grande maioria dos casos, para não andar com máquinas e telemóveis sempre a disparar em todas as direcções em cada minuto. Mas, na verdade, assiste-se antes a uma canalização via redes sociais de tudo aquilo que deve ser vivido e uma consequente vulgarização das experiências que se tornam insípidas e puras expansões do ego. É a retromania do presente. E isto não é coisa boa.
(3) Super-saturação parece ser também uma preocupação dos artistas. O fruto tecnológico provocou uma obsessão pelo documentar e o arquivar nas redes sociais, deixando um claro vazio na real experiência de ver e ouvir um concerto. “Está toda a gente cada vez mais interessada em exteriorizar a experiência e não de a interiorizar”diz-se num comunicado do festival polaco Unsound que proibe os espectadores e a imprensa de tirar fotografias. O importante aqui não é apenas o de obrigar aqueles que tiram fotos a viver o momento mas também o de impedir estes de incomodarem aqueles que o querem fazer. Será possível? Num festival como o Unsound, onde pontua uma certa franja mais atenta das audiências, é muito provável que sim. Mas talvez tal não seja possível na grande maioria de eventos musicais onde, cada vez mais, há mais entretenimento do que outra coisa qualquer. Que o digam a Fiona Apple, Karen O ou os Savages.
(4) Lembremo-nos também (e isto convém sempre repetir) que o Unsound, assim como outros tantos festivais, tem fotógrafos profissionais, transmitem concertos em directo e publicam vídeos de arquivo. Eis uma boa razão, na grande maioria dos casos, para não andar com máquinas e telemóveis sempre a disparar em todas as direcções em cada minuto. Mas, na verdade, assiste-se antes a uma canalização via redes sociais de tudo aquilo que deve ser vivido e uma consequente vulgarização das experiências que se tornam insípidas e puras expansões do ego. É a retromania do presente. E isto não é coisa boa.
Retromania
(1) O Retromania de Simon Reynolds não se fica apenas pela dissecação da nostalgia e na tendência retro para escutar música nos dias de hoje. Fala-nos também de um tempo em que o ouvir música surge cada vez mais diluído em outras actividades (como música de fundo) ou cada vez mais como um refúgio num espaço ruidoso (como uma forma de abstracção de ambientes não desejados). Isto, obviamente, apenas possui uma ligação triangular com a ideia retro, na medida em que ambas as tendências resultam do avanço tecnológico da era digital. Bem vistas as coisas, quer o mp3 e seus derivados, quer a possibilidade alargada de armazenamento, têm vindo a condicionar irreversivelmente a forma com se ouve música.
(2) Na mesma tangente, Reynolds afirma (a respeito do avanço tecno-digital) que os nossos ganhos são também as nossas perdas. Acrescenta que a vida em rede não é nada bom para o nosso bem estar psicológico, deixa-nos exaustos, corrói a nossa capacidade de concentração e de viver o momento. Ouvir música nos dias de hoje é uma experiência diferente. Outrora era o próprio tédio (o não haver nada para fazer) que condicionava a leitura completa e repetente de um disco. Hoje em dia, numa era de acesso sem limites, o tédio vem do aborrecimento por excesso. São demasiados discos ainda por ouvir, demasiadas músicas dispersas nos confins do portátil, super-saturação.
(3) Super-saturação parece ser também uma preocupação dos artistas. O fruto tecnológico provocou uma obsessão pelo documentar e o arquivar nas redes sociais, deixando um claro vazio na real experiência de ver e ouvir um concerto. “Está toda a gente cada vez mais interessada em exteriorizar a experiência e não de a interiorizar”diz-se num comunicado do festival polaco Unsound que proibe os espectadores e a imprensa de tirar fotografias. O importante aqui não é apenas o de obrigar aqueles que tiram fotos a viver o momento mas também o de impedir estes de incomodarem aqueles que o querem fazer. Será possível? Num festival como o Unsound, onde pontua uma certa franja mais atenta das audiências, é muito provável que sim. Mas talvez tal não seja possível na grande maioria de eventos musicais onde, cada vez mais, há mais entretenimento do que outra coisa qualquer. Que o digam a Fiona Apple, Karen O ou os Savages.
(4) Lembremo-nos também (e isto convém sempre repetir) que o Unsound, assim como outros tantos festivais, tem fotógrafos profissionais, transmitem concertos em directo e publicam vídeos de arquivo. Eis uma boa razão, na grande maioria dos casos, para não andar com máquinas e telemóveis sempre a disparar em todas as direcções em cada minuto. Mas, na verdade, assiste-se antes a uma canalização via redes sociais de tudo aquilo que deve ser vivido e uma consequente vulgarização das experiências que se tornam insípidas e puras expansões do ego. É a retromania do presente. E isto não é coisa boa.
(3) Super-saturação parece ser também uma preocupação dos artistas. O fruto tecnológico provocou uma obsessão pelo documentar e o arquivar nas redes sociais, deixando um claro vazio na real experiência de ver e ouvir um concerto. “Está toda a gente cada vez mais interessada em exteriorizar a experiência e não de a interiorizar”diz-se num comunicado do festival polaco Unsound que proibe os espectadores e a imprensa de tirar fotografias. O importante aqui não é apenas o de obrigar aqueles que tiram fotos a viver o momento mas também o de impedir estes de incomodarem aqueles que o querem fazer. Será possível? Num festival como o Unsound, onde pontua uma certa franja mais atenta das audiências, é muito provável que sim. Mas talvez tal não seja possível na grande maioria de eventos musicais onde, cada vez mais, há mais entretenimento do que outra coisa qualquer. Que o digam a Fiona Apple, Karen O ou os Savages.
(4) Lembremo-nos também (e isto convém sempre repetir) que o Unsound, assim como outros tantos festivais, tem fotógrafos profissionais, transmitem concertos em directo e publicam vídeos de arquivo. Eis uma boa razão, na grande maioria dos casos, para não andar com máquinas e telemóveis sempre a disparar em todas as direcções em cada minuto. Mas, na verdade, assiste-se antes a uma canalização via redes sociais de tudo aquilo que deve ser vivido e uma consequente vulgarização das experiências que se tornam insípidas e puras expansões do ego. É a retromania do presente. E isto não é coisa boa.
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