um blogfolio de coisas sonoras

31.10.13

The Velvet Underground - New Age (Loaded)

The Velvet Underground have released four brilliant albums. Loaded, the fourth, was the first one I bought on CD. It has Sweet Jane, Rock and Roll and some songs that people don't associate to VU immediately. New Age is one of them. Still one of my favourites to play on guitar.

The Velvet Underground - The South Bank Show

Será demasiado redutor considerar os VU a minha banda preferida? Mesmo não sendo um conhecedor absoluto de tudo aquilo que eles fizeram? Mesmo não sabendo todas as letras de cor? Tenho para mim aquilo que considero ser mais importante: toda uma sonoridade que condensa tudo aquilo que me diz algo: ruído e caos, canções e fragilidade, vozes que não são bem cantadas, letras misteriosas e cruas, urgência de eternidade, sensibilidade artística, improviso. Os VU têm tudo isso. 

30.10.13

Lou Reed - Satellite Of Love (Transformer)

Lou Reed, the too serious guy, the black angel, the inhabitant of the dark side, the noise feedback explorer, grumpy old man who could marry melody and cacophony, was the one, the only one, that could write Satellite Of Love. It would be extremely cheesy if not sang by Lou Reed. He could take risks with melody. He knew when it would be too much. That explains why we can't get tired of listening to Transformer, the perfect album.

29.10.13

The Velvet Underground - Sweet Jane (Loaded)

Sweet Jane is the perfect pop song. If I have to pick up only one song that shows the genius of Lou Reed it has to be this one. There are loads of different cool versions, but the slow paced version from Loaded still is the one that makes me feel hopeful about pop music and life in general.

28.10.13

Lou Reed - Coney Island Baby (Coney Island Baby)

Lou Reed died yesterday. He was one of the greatest. He founded one of the best bands that ever existed in this world and produced amazing albums such as Transformer, New York, Magic & Loss or The Raven. Walk On The Wild Side is one of those songs that enters one's life and never goes out. The same can be said about this Coney Island Baby. Soulful. Bye bye Lou.

27.10.13

Lou

Lou Reed, vocalista e guitarrista dos Velvet Underground, morreu hoje com 71 anos. São imensas as canções, as letras de poesia simples e mordaz, a guitarra algures entre três acordes (quatro, aliás) e as experiências sónicas, os cortes de cabelo entre andrógino e o foda-se, álbuns que vão do Metal Machine aos drones meditativos de Hudson River, as colaborações que culminam num improvável Lulu com os Metallica. Lou Reed nunca foi de muitos amigos. Aprendeu melhor do que ninguém o ofício de colocar as palavras e os acordes no sítio, a voz no registo perfeito, sendo falada quando preciso, e com todos os trunfos que um tipo singular pode ter, abriu alas a um talento único para compor músicas pop perfeitas. Com o passar dos anos tornou-se um guru cujo trabalho seria sempre sinónimo de qualidade e renascimento. É importante que se diga que destes há poucos: verdadeiros escritores de canções.

Aqui fica uma escolha do momento:

Lou

Lou Reed, vocalista e guitarrista dos Velvet Underground, morreu hoje com 71 anos. São imensas as canções, as letras de poesia simples e mordaz, a guitarra algures entre três acordes (quatro, aliás) e as experiências sónicas, os cortes de cabelo entre andrógino e o foda-se, álbuns que vão do Metal Machine aos drones meditativos de Hudson River, as colaborações que culminam num improvável Lulu com os Metallica. Lou Reed nunca foi de muitos amigos. Aprendeu melhor do que ninguém o ofício de colocar as palavras e os acordes no sítio, a voz no registo perfeito, sendo falada quando preciso, e com todos os trunfos que um tipo singular pode ter, abriu alas a um talento único para compor músicas pop perfeitas. Com o passar dos anos tornou-se um guru cujo trabalho seria sempre sinónimo de qualidade e renascimento. É importante que se diga que destes há poucos: verdadeiros escritores de canções.

Aqui fica uma escolha do momento:

Marc Ribot - Delauney Waltz (Silent Movies)

sunday afternoon feeling

O Ravi Shankar além de ter feito boa música e tocado bem cítara, também soube fazer boas filhas

26.10.13

Booker T. & the MG's - Chicken Pox (Melting Pot)

...because it's never late to catch it

25.10.13

Red House Painters - Drop (Ocean Beach)

Red House Painters were another band that I've discovered at the Portuguese summer festival Paredes de Coura and the first album I could borrow was Retrospective. Drop, from Ocean Beach, is one of their best songs. They've started their gig quite earlier to an audience that wasn't ready for them. I guess Mark Kozelek got very annoyed with so much whistling. Despite all that noise the gig was amazingly beautiful. They've removed the plastic background of the stage and pointed the stage lights to the trees behind the stage. I don't remember any song. Only a great gig and a stupid audience.

24.10.13

Um cruzamento de vozes entre os Smashing Pumpkins e os Radiohead, letras dos Velvet, texturas frias de Liverpool... só podem ser os Clinic

Yo La Tengo - Let's Save Tony Orlando's House (And Then Nothing Turned Itself Inside-Out)

Yo La Tengo was another band that I've discovered in the good old days of the Portuguese summer festival Paredes de Coura. Things I remember: pure valve rock; a great juxtaposition of melodic quiet stuff with abrasive electricity à la Velvet; a lot of improvisational noisy parts; an unexpected choreography for the song You Can Have It All; the best female drummer I've ever seen on stage. And Then Nothing Turned Itself Inside-Out is probably their melhancolliest album. Still my favourite.

23.10.13

Robert Forster fala-nos de um dos seus músicos preferidos, Bill Callahan, e do seu novo álbum Dream River na ABC radio.

The Flaming Lips - Waitin' for a Superman (The Soft Bulletin)

Seeing The Flaming Lips in Paredes de Coura was a revelation. All the visuals, the clever videos, the juxtapositions of “bad” and good”, of “noises” and “melody”, produced one of the best gigs I've ever seen. Then I've listened to the album The Soft Bulletin and I got its meaning immediately. Perhaps it wouldn't be so fast if I hadn't seen the gig before. It would take a while to penetrate in The Flaming Lips world without seeing them on stage. This is how pop should be.

22.10.13

Mercury Rev – Holes (Deserter’s Songs)

The 90s were not only about grunge. A lot of distinctive bands came out  with brilliant albums. The  Flaming Lips for example. Or Mercury Rev. For a while Deserter’s Songs was my favourite album of the decade. The cover was appealing and I’ve listened to Holes for the first time I thought “what a great opening track”, so beautiful, so anchored in the past but at the same time pointing out the future, so lennonesque. Deserter’s Songs will always be a great album.

21.10.13

Spiritualized – Sweet Talk (A&E)

I went to see Spiritualized at Rough Trade when they’ve released Songs in A&E. They’ve played and short but powerful set and I’ve stayed until the end to have a chat with Jason. I bought the album and got an autograph for J. as a birthday present. I think I gave him some of my demo recordings but never heard back from him. Yet it was a great evening and they were very friendly.

20.10.13

Robert Wyatt - Heaps of Sheeps (Shleep)

I bought Shleep on Friday, a great double 180gr vinyl for only 13 pounds. It’s one of those albums that open your mind to its simple composition, astute arrangements and sophisticated production. Wyatt is an unique musician and his voice is both fragile and strong at the same time. If Heaps of Sheep doesn’t grab your attention immediately you surely need to revise your music appreciation skills and taste.

Robert Wyatt - Shleep



Soltei-me um pouco das amarras digitais e comprei um vinil na Fopp: um álbum obrigatório do Robert Wyatt chamado Shleep por £13: é duplo, traz a versão em CD e mais uma série de músicas que provavelmente nunca ouvi. Foi uma compra imprevista. A ideia inicial era escolher um ou dois livros essenciais ao desbarato. Já tinha na mão o 1984 do Orwell e o Bring The Noise do Reynolds (mais uma compilação de artigos e entrevistas) por uma nota de cinco. Demorei um pouco na secção do Miles cujos CDs estavam a módicas £3 ou £4, mas quando vi o duplo vinil Shleep achei melhor não pensar muito e arrumei os livros. Tenho um "fraquinho" pelo Wyatt (quem é que não tem?) e um carinho especial por este disco. A canção Maryan, por exemplo, tem tudo aquilo que uma canção deve ter: sonho, tacto e carisma.

Pelo caminho vim a pensar na, falta-me aqui vocabulário, na oportunidade que é poder encontrar discos destes a £13 (com CD dentro para outras audições mais cómodas) e nas reticências que temos em os comprar de imediato, porque vivemos numa era em que a música se desmaterializa e perde o valor. Ocupa espaço, sim, não o podemos ouvir em todo o lado, sim, mas é um objecto com o qual criamos um mundo mais nosso, com alguma identidade e apego, coisas que nos fazem imensa falta nos dias de hoje.

19.10.13

Daler Nasarov - Girl From The Village (Luna Papa)

I'm not sure, but I think that Luna Papa is one of those films that I've started from the soundtrack. It's quite interesting to learn about a story of a film through its music. We construct images, scenes and sometimes an entire imaginary script. This soundtrack is extremely rich in terms of cultural influences and somehow there's something in it that reminds me of Portuguese music. The roots are deep.

18.10.13

Air - High School Lover (The Virgin Suicides)

I remember going to see The Virgin Suicides at the cinema and feeling completely absorbed by the sadness and melancholic sounds of the soundtrack. It sounded like a XXI Century Pink Floyd band with vocoder. The opening scene is just about the music, isn't it?

17.10.13

Neil Young – Guitar Solo, n. 5 (Dead Man)

One of my favourite directors, Jim Jarmusch, have decided to invite the charismatic Neil Young to compose the soundtrack for his movie Dead Man. Young then decided to record the soundtrack “by improvising (mostly on his electric guitar, with some acoustic guitar, piano and organ) as he watched the newly edited film alone in a recording studio”. The result is quite deep. There are erupting noises here and there, and although the compositions are mostly improvised, Young keeps his sense of melody acute and creates an organic piece that seems to come from inside the film.

16.10.13

Angelo Badalamenti feat. Julee Cruise – Mysteries Of Love (Blue Velvet)

Facing the impossibility to use the Song To The Siren by This Mortal Coil in Blue Velvet, Lynch requested an original song from Badalamenti. He came up with Mysteries Of Love and it was the first great result of a very fruitful collaboration between Lynch/Badalamenti and Julee Cruise. It’s dreamy, haunting and simply beautiful.   

15.10.13

Respiga

O tímido Bill tem um novo disco. Por aqui ficamos a saber que o Bill escreve primeiro e só depois compõe. Mas afinal o que é que aproxima os The National de Bon Iver? São os hinos emotivos de composições sentidas ou o aspecto (corte de cabelo incluido) de solicitador? Alguma coisa deveriam ambos aprender com o sr. Jason, que fez algo muito interessante numa música de uma banda que não conheço e, depois de ver um pouco de um video, não me apetece nada conhecer. Enquanto isso David Byrne segue a mesma onda de Thom Yorke e dá uma desancada nos serviços de streaming.

Ry Cooder – Paris, Texas (Paris, Texas OST)

It’s one of my favourite opening scenes in a film: a man walking in the desert. You’re immediately in a slow pace mood. Then the music just fits perfectly as it’s inside the man’s mind: a guitar walking in the desert. The Paris, Texas is a beautiful piece of work and probably the best that Ry Cooder ever done. It’s slow, melancholic and tender. A perfect soundtrack for a perfect film.

14.10.13

Ennio Morricone – Man With A Harmonica (Once Upon a Time in the West)

A great film, a great soundtrack: Once Upon A Time In The West. Morricone introduces vulgar instruments in his music and it simply works amazingly. The harmonica is the object that resonates through the entire film and it’s hard not to think of it whenever we think of a spaghetti film. Yet my favourite bit is the electric guitar. More than its lines is its sound: guttural, harsh, rough, rotten.

12.10.13

Tortoise - Ten-Day Interval (TNT)

TNT was coming slowly as ambient jazzy music and I was quite far to understand how rock Tortoise were. Some weird electronics, experiments, and occasionally some guitars were not enough. Then I saw two drummers, a myriad of instruments and it was a revelation. It all makes sense when you see them on stage.

11.10.13

Encontros imediatos: Scott Walker



Eremita, anacoreta, solitário são adjectivos de Scott Walker. Um ser esquisito, ancorado em supostas depressões, auto-renegado do estatuto pop dos Walker Brothers e de uma carreira a solo de crooner e intérprete de Brel. De vez em quando lança um disco, mas o palco é uma miragem. Tilt, The Drift, Bish Bosch, discos avant-garde intragáveis para muitos e mesmo para os devotos da série de 60s de I a IV. Não obedecem a normas, dividem opiniões, mas são autênticos objectos de estudo de académicos, intelectuais da musicologia, e gurus do século XX: Bowie, Eno.

Não muito depois do lançamento de um livro e de uma espécie de debate no café Oto, fica no ar, via mensagens em fóruns, que Walker é por vezes avistado em Chiswick a andar de bicicleta. Isto em si é uma porta aberta para encontrar o homem. Primeiro, porque Chiswick é local de romaria laboral. Segundo porque sabendo-se que o homem não se veste de preto, de fato e gravata, nem anda de limusina, seria porventura fácil de reparar nele na fila do supermercado ou entre uma multidão de transeuntes.

Em agosto de 2012, durante a hora do almoço, a caminhar de cabeça baixa no passeio com uma sandes na mão, o aqui anónimo trabalhador de escritório cruza-se com Walker. Não é o tipo aprumado todo Divine Comedy ou todo Eno. É um tipo de roupas largas beije, boné quase a tapar os olhos, a empurrar uma bicicleta carregada de sacos de compras. Os olhares cruzam-se. "Aquele era o Scott Walker. Será que era o Scott Walker?" O momento torna-se impossível. O músico anacoreta, o homem impensável, aquele que não vai para o palco, o mito.

Inversão de marcha. "Excuse me, are you Scott Walker?" Voz grave (era ele): "Yes". Silêncio. "Great to see you". Com um sorriso: "great to see you too". Tradução: mas quem caralho és tu? O imprevisto desarma e fica-se sem palavras. O embaraço do anacoreta por ter sido reconhecido na rua não ajuda. "I really admire you". Olhos abertos: "thank you". O que escreve isto em camera lenta, a nem sequer se lembrar de perguntar pelo boato de um novo disco (Bish Bosch), e ambos a seguirem caminhos opostos.

Bill Callahan - The Sing (Dream River)

Just got two tickets to see Bill Callahan at Royal Festival Hall in February 2014. I usually don't buy tickets in advance but somehow his new album Dream River set me in the mood for it. "Beer, thank you, beer, thank you"...

10.10.13

Piano Magic - The Season Is Long (Writers Without Homes)

Writers Without Homes was one of the albums that I've listened a lot when I moved to London. It was cold, dark and a lot of doubts were upon the air. I couldn't look properly into the future without getting rid of the past. This song (but not only this one), provided me comfort and a good feeling about life.

9.10.13

The Doors - Indian Summer (Morrison Hotel)

I've listen to Morrison Hotel so many times that I probably know it by heart. I don't remember the first time I've listened to it, it was long time ago, and I'd probably already know about some of the most obvious songs through a Best Of compilation. Indian Summer is a beautiful tender song that somehow reminds me of Elvis. I'm quite sure that Morrison was his admirer.

8.10.13

Jeff Buckley – Dream Brother (Grace)

It wasn't love at first sight. It took me a while to overcome its trendiness and listen to Grace as it is. Soon I've discovered that it’s a great album and sonically on top by rock standards. I’d call this post-grunge, a kind of sophisticated dreamy rock where opposed styles are put together, e.g.. Eternal Life vs. Hallelujah. Somehow it works as a whole.

7.10.13

Tindersticks - Across Six Leap Years



O novo disco dos Tindersticks pode ser ouvido por inteiro na Quietus. Foi gravado em jeito de retrospectiva pelos 21 anos de carreira e não pretende ser uma espécie de greatest hits, mas simplesmente mostrar o quão longe eles chegaram. Foi gravado em Abbey Road nos míticos estúdios de Abbey Road e vai ser lançado no próximo dia 14 de outubro.

É muito difícil avaliar intenções numa banda como os Tindersticks. Se por lado, a banda já não é a mesma, por outro lado souberam manter uma sonoridade institucional e têm lançado muito bons discos. Se não fosse por isto, dificilmente conseguiriamos olhar para a idea de uma retrospectiva sem a acusar de uma solução desesperada de uma banda sem ideias e, lamentavelmente, sem futuro. Mas este não é o caso dos Tindersticks. Passou o tempo deles, é certo, seja porque já não há correntes como havia nos anos 90, seja porque na era de expansão digital não existe, ironicamente, mais espaço para bandas duradouras. Mas os Tindersticks já vivem numa outra dimensão. Não são uma banda de maiorias, mas continuam a encher salas. Não são uma banda para estes jovens de agora, mas continuam a ser uma influência para outras vindouras. São, no fundo, aquilo que se tornou comum designar de banda de culto, e como banda de culto dão-se ao luxo de entrar em Abbey Road, com a maior naturalidade do mundo, para regravar uma série músicas menos óbvias.

Tim Buckley – Pleasant Street (Goodbye and Hello)

I've heard about Tim after is son Jeff. Sometimes it happens. Then I've discovered his music on a tribute album called Sing a Song for You: A Tribute to Tim Buckley (curiously an album where Tram were featured and me far from wondering that one day I would meet them and play with them). Much later I've decided to buy his first two albums and I became more familiar with his 12 string guitar sound and charismatic vocals. I obviously preferred Goodbye and Hello to the debut. Pleasant Street explains it.

4.10.13

Waging Heavy Peace


A propósito de estatutos e obediência a estilos, pode ler-se no livro auto-biográfico de Neil Young, Waging Heavy Peace, que a pressão das editoras na mercantilização de produtos consegue ser cega ao ponto de acusarem o artista Neil Young de não andar a produzir música à Neil Young. Cultura das massas: o povo define o artista e quer obriga-lo a ser aquilo que ele deve ser. Nisto vai beber a postura mercantil das editoras, ou de certas editoras, ao quererem definir expectativas e subjugar o músico a uma clara des-integridade artística. Young não  obedece a nada a que não seja ao seu próprio instinto criativo. Duas passagens ficam fossilizadas nesta lição de princípios: (1) nos anos oitenta sob aquela pressão contratual de fazer "um disco à Neil Young", Young lança coisas menores e sem graça nenhuma, como Neil and the Shocking Pinks: Everybody's Rockin' numa clara teimosia rebelde de fazer os engravatados da editora trepar paredes; (2) não muito diferente foi a "graça" de Tonite's The Night em que, Young, de absoluto reconhecimento mainstream pós-Harvest, grava um disco cru, eléctrico, e sem uma pinga de continuidade de um disco folk "à Neil Young". Os concertos também deixaram de ser à Neil Young para serem à Crazy Horse: Tonight's The Night é tocado do princípio ao fim em palco em frente a uma audiência desagradada a reclamar Old Man e Alabama. No final do set Young vira-se para a audiência e diz qualquer coisa como "Ok, agora vamos tocar aquilo que vocês estão estiveram até agora espera" e arranca novamente com Tonite's The Night do princípio ao fim.

Waging Heavy Peace


A propósito de estatutos e obediência a estilos, pode ler-se no livro auto-biográfico de Neil Young, Waging Heavy Peace, que a pressão das editoras na mercantilização de produtos consegue ser cega ao ponto de acusarem o artista Neil Young de não andar a produzir música à Neil Young. Cultura das massas: o povo define o artista e quer obriga-lo a ser aquilo que ele deve ser. Nisto vai beber a postura mercantil das editoras, ou de certas editoras, ao quererem definir expectativas e subjugar o músico a uma clara des-integridade artística. Young não  obedece a nada a que não seja ao seu próprio instinto criativo. Duas passagens ficam fossilizadas nesta lição de princípios: (1) nos anos oitenta sob aquela pressão contratual de fazer "um disco à Neil Young", Young lança coisas menores e sem graça nenhuma, como Neil and the Shocking Pinks: Everybody's Rockin' numa clara teimosia rebelde de fazer os engravatados da editora trepar paredes; (2) não muito diferente foi a "graça" de Tonite's The Night em que, Young, de absoluto reconhecimento mainstream pós-Harvest, grava um disco cru, eléctrico, e sem uma pinga de continuidade de um disco folk "à Neil Young". Os concertos também deixaram de ser à Neil Young para serem à Crazy Horse: Tonight's The Night é tocado do princípio ao fim em palco em frente a uma audiência desagradada a reclamar Old Man e Alabama. No final do set Young vira-se para a audiência e diz qualquer coisa como "Ok, agora vamos tocar aquilo que vocês estão estiveram até agora espera" e arranca novamente com Tonite's The Night do princípio ao fim.

Smog - Permanent Smile (Dongs Of Sevotion)

This is an album by Smog that I've been discovering recently, Dongs Of Sevotion, and the last track struck me immediately. I really like the sound of the drums and the hypnotic repetitive piano motifs in the background. Just a great finale in the style of Faith / Void from Sometimes I Wish We Were an Eagle.

3.10.13

A Winged Victory For The Sullen @ Village Underground 1.10.2013

Na Cecil Sharp House terminaram o concerto com Pärt. No Hackney Empire tocaram uma versão da Jesus Blood Never Failed On Me Yet. No Village Underground, para evitar previsibilidades, Adam Wiltzie cantou. Sim, cantou. Uma versão de Spirit Ditch dos Sparklehorse com prévia dedicatória a Mark Linkous. A voz saiu-lhe ténue e frágil ao jeito de Linkous e pela primeira vez pairou pop na música para piano e quinteto de cordas dos A Winged Victory For The Sullen. Ficou-lhes bem. Mais do que tudo invocou fantasmas que fizeram lembrar momentos de um concerto dos The Dead Texan com Sparklehorse há uns anos no Shepherds Bush Empire (algo parecido com isto). 

A razão que traz os AWFTS novamente a Londres não é a apresentação de um disco, nem mais um aniversário da editora Erased Tapes. Desta vez, trata-se da apresentação dos temas compostos recentemente para a peça de dança moderna Atomos de Wayne McGregor, brevemente em estreia no teatro Sadler's Wells. Para quem já teve a curiosidade de espreitar o estilo de McGregor, a escolha não é de todo estranha. Estranho talvez tenha sido os AWVFTS, como sublinhou Wiltzie no início do concerto, terem aceitado compor música num tão curto espaço de tempo (3 meses) tendo em conta que Adam Wiltzie "demora 14 anos a compor duas músicas apenas". 

É difícil situarmo-nos num concerto destes, anunciado como um ensaio, um teste, uma experiência antes da estreia da peça final Atomos. Por um lado, os novos temas soam a rascunhos inacabados em estado pré-gravação (é claramente óbvio que este tipo de música precisa do processo meticuloso de estúdio para adquirir forma), e por muito que sejam pérolas ainda em formação, apenas podem ser apreciadas como retalhos num vulnerável esqueleto de ensaio . Por outro lado, embora a nova música destes AWVFTS possua já de si uma qualidade cinematográfica, estes são temas que foram compostos para um banda-sonora, e como tal, são peças de um todo orgânico que deambulam sem o elemento principal para o qual foram pensadas. Por isso tudo, soam a interlúdios colados uns nos outros, disjuntas erupções vulcânicas colocadas entre as obras mais ensaiadas e cristalizadas como We Played Some Open Chords and Rejoiced, for the Earth Had Circled the Sun Yet Another Year ou Steep Hills of Vicodin Tears. 

Não sendo o alinhamento mais estruturado para a mais terna degustação dos minimalismos bonitos, é uma segura amostra das possibilidades do que pode vir a seguir num novo disco: sons ainda mais ancorados na guitarra-drone de Wiltzie; ambiências electrónicas mais artificiais e granuladas; cordas com mais arestas e ligeiramente afastadas da dormência ambiente. No topo destes elementos novos fica no ar uma possibilidade pop remota na versão de Spirit Ditch, em contraponto com a tendência óbvia dos AWVFTS em preencherem a ainda parca produção de originais com o repertório de Arvo Pärt ou Gavin Bryars. Mas algo nos diz que esta voz de Wiltzie vai acontecer apenas uma vez por outra. É uma pena, mas a missão dos AWVFTS neste mundo é outra. 

A Winged Victory for the Sullen - We Played Some Open Chords and Rejoiced, for the Earth Had Circled the Sun Yet Another Year (A Winged Victory for the Sullen)

I went to see AWVFTS for the third time and I guess I’ve been to all the gigs they’ve played in London until now. I can’t get tired of their music but I’m sure if I want to see them again. It’s probably one of my favourite acts of the moment and their album  A Winged Victory for the Sullen is one of those that I’ll always listen. They’ve played this “We Played Some Open…” wonderfully and did a great cover of a Sparklehorse song with Adam singing.

2.10.13

Sparklehorse - Spirit Ditch (Vivadixiesubmarinetransmissionplot)

I went to see A Winged Victory For The Sullen last night and the unexpected happened. They did a cover of this song by Sparklehorse from the album Vivadixiesubmarinetransmissionplot with Adam Wiltzie singing. Beautiful.

1.10.13

The Velvet Underground & Nico - Heroin (The Velvet Underground & Nico)

Two chords, a viola drone, amazing guitar feedbacks, slow vs. fast train rhythms, noise. This is Heroin. First time I’ve listened to it was in the Oliver Stone’s movie about The Doors in a scene expressively related to drug trips. Who’s this band? What the hell? Lou Reed? John Cale? The Velvet Underground & Nico, for everything that it represents in style, is probably my top album of all time.