um blogfolio de coisas sonoras

31.8.13

Godspeed You! Rilke


(1) Ao ler um pequeno texto de Rainer Maria Rilke acresce a visão imediata da capa do disco mais emblemático dos canadianos Godspeed You Black Emperor. O texto intitula-se O Homem Desconhecido e faz parte do livro de bolso Histórias do Bom Deus editado pela Quasi. Abre-se com a proposição de que Deus não sabe qual é o aspecto final do Homem devido a uma feia desobediência das suas mãos. As mãos de Deus. Mãos que, sendo suas, parecem não fazer parte do mesmo corpo. Resumindo: um dia, Deus enviou a sua mão direita à terra e ordenou-lhe que tomasse forma humana e se colocasse nua no cimo de um monte para que Deus a pudesse ver bem. Assim, a mão foi cortada por um anjo e desceu à terra. O que se segue é digno de um pesadelo boschiano com homens com armaduras, um homem com um manto púrpura, e a outra mão, a esquerda, que tapava a ferida da outra, a ficar inquieta e a querer soltar-se. Depois, a Terra coberta do sangue de Deus e prestes a morrer. Quando, num derradeiro esforço, a mão direita regressa aos aposentos divinos há uma clara ideia de trauma terrestre. A mão regressa pálida e trémula sem se conseguir refazer da experiência. 

(2) É um texto abstracto, como se fosse tirado de um sonho. Existe nele algo de compreensão tácita. Ou talvez não. Sejam as ideias ou as imagens, existe algo nos desenhos do Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven que parece invocar os desígnios da parábola. A capa são duas mãos cortadas sobrepostas em raios divinos vermelhos. No interior duas ilustrações: uma figura mascarada (um anjo negro?) que corta as mãos; a mesma figura de braços cruzados e no canto superior a outra figura suspensa numa nuvem com os braços ligados. 



Os desenhos são de William Schaff, artista que tem colaborado com outros nomes da música como Okkervil River, Songs: Ohia, e The Mighty Mighty Bosstones. Numa entrevista para a Stylus, Schaff conta como surgiu o convite de Efrim e explica que os desenhos não foram criados com o propósito do disco, ou da música do disco. Foram antes escolhidos de um pequeno livro/catálogo. Num outro artigo, na Stylus, invoca-se o expressionismo alemão e nomes como Otto Dix, George Grosz e Max Beckmann. Não são apenas as figuras que se assemelham, existe também a ideia presente de amputações a soldados no período pós-guerra, muito ao estilo de Otto Dix.



(3) Existem obviamente referências bíblicas que podem explicar a justaposição do texto de Rilke e dos desenhos de Schaff. A mão direita invoca diferentes simbolismos: Deus como a mão direita do Homem, a mão direita de Deus como símbolo de poder, ou a mão direita como uma entidade individualizada. Poderemos conspirar as mais variadas interpretações dos desenhos de Schaff. Tanto podem ter uma inspiração biblíca como conter uma mera alusão aos efeitos dramáticos do expressionismo alemão. Repare-se ainda na folha de papel pousada na mesa. Terão as mãos sido cortadas antes ou depois? Independentemente disso, existe aqui uma mensagem qualquer, uma ideia de que há algo escondido ali, provavelemente um contrato simbolizando a perda da liberdade e uma consequente subserviência ao poder. Mas que poder é este afinal? Certamente algo que criou faísca nas mãos dos Godspeed.

The Dave Brubeck Quartet - Take Five (Time Out)

28.8.13

Miles Davis - Shhh/Peaceful (In a Silent Way)

Encontros Imediatos: John Paul Jones


Aos 15 anos, quando o grunge borbulhava, era um devoto ouvinte de Led Zeppelin. Não existia entidade mais rock. Vi o John Paul Jones com os Supersilent no Café Oto e cruzei-me com ele num dia como outro qualquer nas escadas do Barbican.

27.8.13

John Coltrane - Aisha (Olé Coltrane)

Quatro discos





Simon & Garfunkel - Parsley, Sage, Rosemary and Thyme
Camel - The Snow Goose
Felt - Forever Breathes the Lonely Word
Roberta Flack - First Take

O que é que estes quatro álbuns têm em comum? Tirando o facto de terem sido todos comprados na mesma loja,  provavelmente, nada. A loja chama-se Magpie e fica em Chippenham. Outrora a secção dos discos ficava num sótão, agora fica logo à entrada. Perdeu-se assim um pouco daquele ar nostálgico de telhados inclinados, madeiras e telhas expostas ao imaginário antigo dos gira-discos. Cá fora existem duas ou três caixas com discos a uma libra. Foi nelas que encontrei os três primeiros. A esse preço é impossível resistir à oferta.

O disco de S&G é uma obra que respira pormenores muito interessantes. Primeiro em títulos de canções como A Simple Desultory Philippic (Or How I Was Robert McNamara'd Into Submission) ou The Big Bright Green Pleasure Machine, depois a versão/adaptação de Silent Night justaposta com as notícias no rádio sobre guerra e descriminação. Ainda de salientar uma das melhores composições da dupla - For Emily, Whenever I May Find Her - que nunca deixa de surpreender pelo seu crescendo emocional em pouco mais de dois minutos. Lembremo-mos também que estamos em 1966 e este é já o terceiro disco da dupla folk num curto espaço de dois anos. Eram outros tempos. A música pop ainda dava os primeiros passos firmes - Among all the forms of entertainment we have, pop music has become the most alive medium (Garfunkel) - e Dylan abria uma nova paisagem literária. 

O Snow Goose é uma paixão antiga da descoberta musical pré adolescente e de uma vaga ideia de uma banda-sonora de um filme de animação que passava sempre na altura do Natal (o filme chamava-se KEI, creio). Tirando alguns devaneios progressivos, os Camel faziam coisas interessantes. Este disco é um bom exemplo. Mas, na verdade, não se trata de uma banda-sonora, antes uma obra inspirada no livro de Paul Gallico. Por questões de direitos, as letras com alusões óbvias ao texto, foram removidas e apenas foi lançada uma versão instrumental. Hoje é considerada uma das obras primas do rock sinfónico e está já anunciada uma tour deste álbum para outono de 2013. Se soar tão bem em palco como soa hoje em disco talvez seja uma razão válida para o regresso dos Camel, mesmo sem Bardens.

O disco dos Felt foi um encontro inesperado. Nunca pensei encontrar um disco destes numa caixa de uma libra e até há quem o venda online por mais de vinte. A capa é de uma simplicidade enigmática mas o conteúdo é abertamente pop. Melodias acentuadas, acordes maiores, canções concisas. A voz de Lawrence retira-lhe todo o soporífero mainstream da mesma forma que o fazia Lou Reed nos Velvet. Contudo, não é apenas no tom de voz que reside essa aura anti, é também nas letras ambivalentes entre a alegria pop e os espaços mais negros: I like those deep dark thoughts that leave you stranded way in mid-air

O álbum da Roberta Flack foi o mais caro. Custou quatro libras. Penso que o descobri, há não muito tempo, se não pela versão da Hey That's No Way To Say Goodbye, do Cohen, pela versão de The First Time Ever I Saw Your Face, de Ewan MacColl . Todo ele é melancólico e possui uma sonoridade fumarenta a fazer lembrar os melhores momentos jazzisticos de Nina Simone. Lançado em 1969, o álbum de estreia de Flack, apesar da melancolia, rapidamente chegou a primeiro lugar nos tops da Billboard. Tudo se explica com The First Time Ever I Saw Your Face. Não só porque fez parte da banda-sonora de Play Misty for Me, de Clint Eastwood, mas também porque é simplesmente uma música soberba que tem sido objecto de versões de gente como Johnny Cash ou The Flaming Lips.

19.8.13

Charles Mingus - Freedom (Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus)

Encontros Imediatos: J Spaceman


Ao domingo, Brick Lane é um mar de gente. J Spaceman (Jason Pearce dos Spiritualized e Spacemen 3) passa despercebido na direcção oposta. Não é a primeira vez que ele é visto por aqueles lados. Aliás, é muito provável que ele seja vizinho do Gilbert e do George.

Mixtape: Outsiders

Fazer mixtapes, playlists, ou o que lhe queiram chamar tem sido uma das tarefas mais habituais do dia-a-dia. Sublinhe-se desde já: não sou, por natureza, alguém que goste de ouvir aquilo que antigamente se chamava música variada. Quando tinha cerca de 11 ou 12 anos gravei uma cassete de música variada que nunca ouvi. Mesmo tendo nessa cassete uma colheita das músicas que eu considerava as minhas predilectas, preferia sempre ouvir o disco inteiro. Hoje é diferente. A mixtape está por todo o lado e eu até gosto de tópicos. O drums & guns tem sido uma terapia e talvez seja altura de me deixar da lista pela lista e começar a condensar melhor as ideias aqui pelo Hoi. Isto implica, claro, e talvez por bem, o congelamento do Drums. 

As canções desta, por exemplo, têm um tópico e por isso chamei-lhe Outsiders.

Mixtape: Outsiders

Fazer mixtapes, playlists, ou o que lhe queiram chamar tem sido uma das tarefas mais habituais do dia-a-dia. Sublinhe-se desde já: não sou, por natureza, alguém que goste de ouvir aquilo que antigamente se chamava música variada. Quando tinha cerca de 11 ou 12 anos gravei uma cassete de música variada que nunca ouvi. Mesmo tendo nessa cassete uma colheita das músicas que eu considerava as minhas predilectas, preferia sempre ouvir o disco inteiro. Hoje é diferente. A mixtape está por todo o lado e eu até gosto de tópicos. O drums & guns tem sido uma terapia e talvez seja altura de me deixar da lista pela lista e começar a condensar melhor as ideias aqui pelo Hoi. Isto implica, claro, e talvez por bem, o congelamento do Drums. 

As canções desta, por exemplo, têm um tópico e por isso chamei-lhe Outsiders.

Their Duets

14.8.13

Sala de Espera: The Smiths




(1) Existe algo nos Smiths que nunca me fez ouvir um pouco mais atentamente os discos. Conheço bem a voz de Morrissey, o jangly da guitarra de Marr. as linhas de um baixo em permanente movimento, os tiques de um baterista que tenta a todo o custo não deixar as músicas fugir de um epicentro punk para uma arena demasiado pop. Conheço as músicas, mais propriamente os singles, dos bares, da rádio, de uma vivência pura dos mais velhos durante os anos 90. Admito que Bigmouth Strikes Again continua a ser uma música suprema perfeita para lugares com muito fumo (coisa cada vez mais rara nos dias de hoje) e caves obscuras habitada por gente de sobretudo. Admito também que os Smiths possuem uma sonoridade que parece transportar os anos 80 para as décadas seguintes e uma atitude discreta que vincou muito aquilo o que é hoje tido como grande referência da música independente. Mas isto não chega. Quer dizer, não chega para me ver agarrado aos discos e escutar-lhes os mais ínfimos segredos e pormenores que me têm escapado todos estes anos. Descubro algumas coisas interessantes em Marr: um certo repetitivismo de loop, uma crescente exploração discreta de sons espaciais na excelente How Soon Is Now?, uma certa imprevisibilidade de composição que nunca é muito bem pop nem rock, fica ali algures, mas bem ancorada.

(2) Muita coisa tem sido dita sobre os Smiths. Que são o maior valor de uma geração pós-punk, que as letras de Morrissey são de rara poesia na pop, que não se vendem aos comebacks, que inventaram qualquer coisa ainda por descobrir. No entanto, ao vê-los num vídeo de um concerto de 1989 algures em Madrid, fico com a sensação de que há algo que pouco satisfaz quem quer mais do que uma banda que vive de culto. A atitude de Marr (louvável, diga-se) de não enveredar pelo uso rock da distorção deixa as músicas entregues a uma simplicidade que, embora seja uma imagem de marca, se torna uma prisão de dinâmicas. Morrissey em palco compensa o seu anti-vedetismo vocal com uma dança de moço tímido que deixa as canções num torpor nivelado às emoções básicas de adolescente. Dificilmente consigo desfazer-me destas ideias. 

Sala de Espera: The Smiths




(1) Existe algo nos Smiths que nunca me fez ouvir um pouco mais atentamente os discos. Conheço bem a voz de Morrissey, o jangly da guitarra de Marr. as linhas de um baixo em permanente movimento, os tiques de um baterista que tenta a todo o custo não deixar as músicas fugir de um epicentro punk para uma arena demasiado pop. Conheço as músicas, mais propriamente os singles, dos bares, da rádio, de uma vivência pura dos mais velhos durante os anos 90. Admito que Bigmouth Strikes Again continua a ser uma música suprema perfeita para lugares com muito fumo (coisa cada vez mais rara nos dias de hoje) e caves obscuras habitada por gente de sobretudo. Admito também que os Smiths possuem uma sonoridade que parece transportar os anos 80 para as décadas seguintes e uma atitude discreta que vincou muito aquilo o que é hoje tido como grande referência da música independente. Mas isto não chega. Quer dizer, não chega para me ver agarrado aos discos e escutar-lhes os mais ínfimos segredos e pormenores que me têm escapado todos estes anos. Descubro algumas coisas interessantes em Marr: um certo repetitivismo de loop, uma crescente exploração discreta de sons espaciais na excelente How Soon Is Now?, uma certa imprevisibilidade de composição que nunca é muito bem pop nem rock, fica ali algures, mas bem ancorada.

(2) Muita coisa tem sido dita sobre os Smiths. Que são o maior valor de uma geração pós-punk, que as letras de Morrissey são de rara poesia na pop, que não se vendem aos comebacks, que inventaram qualquer coisa ainda por descobrir. No entanto, ao vê-los num vídeo de um concerto de 1989 algures em Madrid, fico com a sensação de que há algo que pouco satisfaz quem quer mais do que uma banda que vive de culto. A atitude de Marr (louvável, diga-se) de não enveredar pelo uso rock da distorção deixa as músicas entregues a uma simplicidade que, embora seja uma imagem de marca, se torna uma prisão de dinâmicas. Morrissey em palco compensa o seu anti-vedetismo vocal com uma dança de moço tímido que deixa as canções num torpor nivelado às emoções básicas de adolescente. Dificilmente consigo desfazer-me destas ideias. 

Alexander Skip Spence - Little Hands (Oar)

7.8.13

instrumentos esquisitos e brinquedos educativos

Neste artigo da WIRE, Clive Bell fala-nos de caixas de música e na sua eficácia em fazer bem uma coisa só. O destaque vai para a katarynka dos polacos Male Instrumenty, um dos mais interessantes colectivos que opera com brinquedos e outros instrumentos esquisitos. Vi-os há cerca de três anos na primeira parte de um guru dos instrumentos improváveis, Pierre Bastien. Sem dúvida alguma um dos melhores concertos que ouvi em Londres. Ao ler este artigo fiquei com algumas ideias para rúbricas de investigação: uma dedicada a músicos que tocam com brinquedos (Pascal Comelade, Pierre Bastien, Male Instrumenty, e tantos outros habitantes da cena improvisada); outra, talvez mais vasta, dedicada à colecção de instrumentos esquisitos, no qual se podem incluir também brinquedos, evidentemente. Ambas as ideas me soam exaustivas. Deve certamente existir um mundo infindável de peças por descobrir. O difícil talvez seja mesmo conseguir balizar os objectos. O que é que define um brinquedo? Será o FM3 um brinquedo ou outra coisa qualquer? Até que ponto e quando é que um instrumento esquisito se torna uma escultura sonora? O que é que os distingue?

Talvez o melhor seja começar a coleccionar estes objectos aqui no blog, em posts curtos, e mais para a frente escrever algo mais analítico sobre as suas utilizações e enquadramentos artístico-musicais. Muita coisa há certamente a descobrir. O importante agora é definir as rúbricas: a primeira pode chamar-se simplesmente instrumentos esquisitos e deve excluir os brinquedos mais óbvios; a segunda pode ter como título algo mais castiço, tipo brinquedos educativos.

In C eléctrica


Adrian Utley's Guitar Orchestra - In C Preview from Mintonfilm on Vimeo.

Adrian Utley, guitarrista dos Portishead, anda a seguir os passos eléctricos de Glenn Branca e Rhys Chatham. Recentemente, agarrou-se ao minimalismo (já clássico) de In C de Terry Riley e gravou uma versão para dezanove guitarras eléctricas a ser lançada em Setembro pela Invada, editora de Geoff Barrow (também dos Portishead e Beak>). John Parish é um dos guitarristas, Jim Barr (Portishead) toca baixo, e Charles Hazlewood orgão. Mais informação aqui na WIRE: http://thewire.co.uk/news/26059/adrian-utley-records-terry-riley_s-inc

Isobel Campbell & Mark Lanegan - Honey Child What Can I Do (Ballad of the Broken Seas)

6.8.13

Rocketnumbernine - MeYouWeYou



MeYouWeYou é o disco de estreia dos Rocketnumbernine que acaba de ser lançado pela Smalltown Supersound. Nele há uma mistura, quase extrema, de elementos jazz, house, electrónica-psicadélica, e puro rock mecânico com evidentes resquícios krautrock. Menos pesados que uns Trans Am (mais atmosféricos, talvez) e mais abstractos que uns Beak> (claramente sem os vincos krautrock tão acentuados destes), os Rocketnumbernine mostram bem em MeYouWeYou toda a potencialidade sonora de um projecto que, apesar da clara vantagem disso, não se quer (apenas) na sombra de Four Tet ou de Neneh Cherry, músicos de nome com quem eles têm andado a partilhar o palco em interessantes colaborações.

Serge & Birkin - Je T'aime Moi Non Plus (Jane Birkin et Serge Gainsbourg)

The 99 Call - You Know Who You Are



Foi lançado ontem, em formato digital, o disco dos 99 Call, You Know Who You Are. O meu parco contributo resume-se a uma linha de baixo (muito pouco inventiva, diga-se) na versão de Shovelling Sons dos Radar Brothers, uma pequena impressão para assinalar em disco uma também discreta presença em concertos - cerca de três em pouco mais de dois anos. Se em palco os 99 Call obedecem a uma estrutura típica de guitarras, piano, baixo, bateria (talvez seja o trompete o único instrumento que se destaca), em estúdio as músicas ganharam formas mais elaboradas com arranjos semi-orquestrados, algumas tendo mesmo se tornado versões de si mesmas, ou mesmo versões de versões.

Este é também uma estreia da recém criada Magnetic Ribbon, editora que além das reedições dos álbuns dos Tram, Broken Dog, Wolf, se propõe lançar objectos de influências  ambientais, psicadélicas experimentais. Mais info aqui: http://www.magneticribbon.co.uk/

The 99 Call - You Know Who You Are



Foi lançado ontem, em formato digital, o disco dos 99 Call, You Know Who You Are. O meu parco contributo resume-se a uma linha de baixo (muito pouco inventiva, diga-se) na versão de Shovelling Sons dos Radar Brothers, uma pequena impressão para assinalar em disco uma também discreta presença em concertos - cerca de três em pouco mais de dois anos. Se em palco os 99 Call obedecem a uma estrutura típica de guitarras, piano, baixo, bateria (talvez seja o trompete o único instrumento que se destaca), em estúdio as músicas ganharam formas mais elaboradas com arranjos semi-orquestrados, algumas tendo mesmo se tornado versões de si mesmas, ou mesmo versões de versões.

Este é também uma estreia da recém criada Magnetic Ribbon, editora que além das reedições dos álbuns dos Tram, Broken Dog, Wolf, se propõe lançar objectos de influências  ambientais, psicadélicas experimentais. Mais info aqui: http://www.magneticribbon.co.uk/

5.8.13

Nancy Sinatra & Lee Hazlewood - Some Velvet Morning (Nancy & Lee)

Ocorreu-me este fim-de-semana fazer algo que já deveria ter feito há algum tempo: deixar-me de superficialidades, de inutilidades (Facebook e afins), e dedicar-me aos blogs com o mínimo de inteligência e profundidade que merecem, fazendo deles uma espécie de diário às descobertas e considerações do dia-a-dia. Por muito que ninguém os visite, faço-o, ou tento fazê-lo, por uma questão de ocupação do tempo livre com o mínimo de aprendizagem. Existem muitas coisas a gravitar por estes lados que nunca adquirem substância. Mesmo as coisas mais simples merecem algo. Merecem a escrita, merecem alguma atenção. Um dia mais tarde talvez façam algum sentido.

Deixando de fora os Facebooks, desocupo a cabeça (e o tempo) para outras coisas bem mais úteis. Está mais que visto que toda esta superficialidade a consultar o que este ou aquele dizem no Facebook ou no Twiter não vai dar frutos. Por outro lado, a última razão para estar ligado ao "mundo" é a ideia de divulgação das minhas próprias "cenas" e daquilo que se vai escrevendo por aqui, o que, sinceramente, não parece estar a acontecer. Talvez haja alguém que se dirija aqui pelo Facebook, mas porque não habituar as pessoas (aquelas que realmente se interessam) a vir aqui directamente?

Por enquanto mantem-se o diário TIMJ, algo que por enquanto tem sido divertido, mas há que dar também espaço a ideias que nunca se concretizam por falta de tempo, ou por demasiado tempo ocupado com coisas que não passam de inutilidades.
Ocorreu-me este fim-de-semana fazer algo que já deveria ter feito há algum tempo: deixar-me de superficialidades, de inutilidades (Facebook e afins), e dedicar-me aos blogs com o mínimo de inteligência e profundidade que merecem, fazendo deles uma espécie de diário às descobertas e considerações do dia-a-dia. Por muito que ninguém os visite, faço-o, ou tento fazê-lo, por uma questão de ocupação do tempo livre com o mínimo de aprendizagem. Existem muitas coisas a gravitar por estes lados que nunca adquirem substância. Mesmo as coisas mais simples merecem algo. Merecem a escrita, merecem alguma atenção. Um dia mais tarde talvez façam algum sentido.

Deixando de fora os Facebooks, desocupo a cabeça (e o tempo) para outras coisas bem mais úteis. Está mais que visto que toda esta superficialidade a consultar o que este ou aquele dizem no Facebook ou no Twiter não vai dar frutos. Por outro lado, a última razão para estar ligado ao "mundo" é a ideia de divulgação das minhas próprias "cenas" e daquilo que se vai escrevendo por aqui, o que, sinceramente, não parece estar a acontecer. Talvez haja alguém que se dirija aqui pelo Facebook, mas porque não habituar as pessoas (aquelas que realmente se interessam) a vir aqui directamente?

Por enquanto mantem-se o diário TIMJ, algo que por enquanto tem sido divertido, mas há que dar também espaço a ideias que nunca se concretizam por falta de tempo, ou por demasiado tempo ocupado com coisas que não passam de inutilidades.