um blogfolio de coisas sonoras

10.1.14

glassglue - Fantods

Fantods
Foi nas fundações da Klangbad, de Jochen Irmler (Faust), que os glassglue encontraram espaço. Parece fazer sentido. É que os glassglue nunca foram muito dos dias de hoje, nem nunca foram dados a ambiências retro. Pairaram sempre ali algures num meio-lugar, num não saber o que é aquilo, numa vertigem de possibilidades aéreas sem nunca existir poiso algum. Mesmo com toda a sonoridade de outras décadas, e o fantasma sempre presente de Captain Beefheart, nunca os glassglue foram um aglomerado de influências. Tal nunca seria possível vindo destes quatro tipos de raízes afirmadas no seu próprio mundo solipsista. Às vezes, parecem génios incapazes de estar juntos no mesmo lugar por mais de dez minutos (talvez isso explique a razão pela qual as músicas sejam tão curtas) e apenas conseguimos imaginar neles jams de três minutos, durante as quais cada um toca para si, ou pior, tenta destruir o que o outro está a fazer. Provavelmente, estamos enganados. É música demasiado pensada. Daquele laboratório nascem coisas com nexo improváveis e, às vezes, até algum romantismo psicadélico (sim, Like the Shadow Of a Fly, continua a ser a música preferida por estes lados), uma mistura de punk, jazz e, porque não, krautrock. Quase todo o mundo dos glassglue está neste disco conciso e pragmático (o que seria deles se não o gravassem? o que seria destas músicas sem o registo que as inscreve?). Só não está todo porque a gravação e produção não são perfeitas. A título de exemplo: Embarassing, Spiral Stair ou Steal Your Time No More não soam em disco como deveriam soar. Parecem parcas de energia e afogadas em efeitos de estúdio que já pouco se usam. Vindo dos glassglue só nos cabe perguntar: terá sido propositado?