um blogfolio de coisas sonoras

31.7.13

Para quem vem a Londres em Agosto: Hack The Barbican

hack the babican black
Durante quatro semanas, entre 5 e 31 de agosto, o foyer cavernoso do Barbican vai ser palco do maior evento de sempre de colaborações multi-disciplinares em Londres. Há de tudo no Hack The Barbican - artistas, tecnólogos e empresários - sendo o objectivo explorar novas fronteiras e reinterpretar um dos grandes centros culturais do mundo. Não existem limites. Tudo é uma questão em aberto.

Mais info: http://hackthebarbican.org/

29.7.13

Será que a Björk gosta desta versão?

hum?!

Há quem se irrite com a televisão alta do vizinho, com o som de um mero frigorífico, com a tonalidade da voz de alguém, ou com os sons de quem mastiga de boca aberta. Há quem fique tão irritado/a com estes sons que chega mesmo a desenvolver estados de ira, raiva ou pura depressão. É algo muito estranho, mas talvez seja mais comum do que parece. Chama-se a isso, caso a tradução esteja correcta e seja aceitável, misofonia. Podem ler mais sobre a condição num muito interessante artigo da New Republic intitlulado The Chewing Sound and the Fury: What if small, everyday noises ruined your life?.

Outra coisa bem diferente é o The Hum (ou O Zumbido) que, embora envolvido numa aura muito mais misteriosa, é capaz de produzir um grau de irritabilidade bastante considerável a quem, infelizmente, o consegue ouvir. São poucos aqueles os que possuem a capacidade de ouvir tais frequências e não se sabe muito bem ao certo de onde vem tal "poluição sonora", ou se é mesmo de poluição que se trata. O Daily Mail aborda o assunto no artigo Can you hear The Hum?.

hum?!

Há quem se irrite com a televisão alta do vizinho, com o som de um mero frigorífico, com a tonalidade da voz de alguém, ou com os sons de quem mastiga de boca aberta. Há quem fique tão irritado/a com estes sons que chega mesmo a desenvolver estados de ira, raiva ou pura depressão. É algo muito estranho, mas talvez seja mais comum do que parece. Chama-se a isso, caso a tradução esteja correcta e seja aceitável, misofonia. Podem ler mais sobre a condição num muito interessante artigo da New Republic intitlulado The Chewing Sound and the Fury: What if small, everyday noises ruined your life?.

Outra coisa bem diferente é o The Hum (ou O Zumbido) que, embora envolvido numa aura muito mais misteriosa, é capaz de produzir um grau de irritabilidade bastante considerável a quem, infelizmente, o consegue ouvir. São poucos aqueles os que possuem a capacidade de ouvir tais frequências e não se sabe muito bem ao certo de onde vem tal "poluição sonora", ou se é mesmo de poluição que se trata. O Daily Mail aborda o assunto no artigo Can you hear The Hum?.

Brokeback - Runnin Scared (Morse Code in the Modern Age: Across the Americas)

27.7.13

Nodar


De Portugal, chega-me às mãos o catálogo "Três Anos Em Nodar - Práticas Artísticas Em Contexto Específico No Portugal Rural". Vi-o pela primeira vez na livraria do Camden Arts há cerca de 3 anos e só agora, aproveitando um desconto que as Edições Nodar estão a fazer, o tenho como objecto nas mãos a descobrir. A ouvir também porque o catálogo (um belo livro de capa dura, diga-se) vem acompanhado de dois Cds com os registos dos trabalhos desenvolvidos naquela pequena comunidade. É também uma edição bilingue em português e inglês, o que é bom, porque estas coisas são de um circuito tão pequeno (uma pequena aldeia, um pequeno isolado projecto) que a melhor forma de as ter entre nós é pensar nelas como projectos para um mundo inteiro. Mas esta não será, porventura, a única razão. A grande maioria dos artistas que participaram no projecto são estrangeiros e decerto que não poderia ser de outra forma.

Os diferentes projectos dividem-se em três secções - Paisagem, Som e Comunidades - o que dá para perceber bem que as intenções se expandem muito para além da recolha sonora. Existe uma componente artística óbvia, mas esta vai ao encontro dos lugares, das tradições, das pessoas que eventualemente não possuem conceito artístico e que simplesmente ouvem o vento como ele é, escutam o rio como um rio. Vale a pena comprar o catálogo. E muito mais a pena deve valer ir a Nodar.

http://binauralmedia.org/

Rothko - Bloodtied (A Continual Search for Origins)

24.7.13

Silêncio


Trata-se de um filme sobre um homem que grava sons nas paisagens bucólicas da Irlanda. Chama-se Silêncio. Título simples. Quase irónico, porque quem grava sons não quer silêncios. Ou quer? Quer, pelo menos, uma certa solidão ou o direito a não ser importunado. O que lhe importa é poder ler os lugares, escutá-los na sua dimensão sonora, e talvez descobrir a partir desses retratos algo mais profundo, uma identidade desse lugar e, claro, uma ideia de pertença. Neste caso de alguém que regressa às origens depois de 15 anos em Berlim.

Por muito que a componente sonora seja de uma importância imensa num filme, ela é sempre vista num plano secundário. Porque se situa no plano do não-visível, talvez, ou simplesmente porque o visionamento das coisas é de tal forma importante que não existe espaço para outros elementos sensoriais. Não se esqueça, também, que as gravações de campo também fazem parte da realização fílmica. Dai não ser de todo descabido mencionar aqui um outro filme que se centra num personagem que grava sons. Em Lisbon Story, de Wim Wenders, o artista é o homem dos sons. É ele que grava os sons da cidade, das pessoas, da música dos Madredeus, dos espaços silenciosos e dos ruidosos. No fundo, documenta uma cidade, um tempo, um filme, no fundo documenta-se a si próprio (o homem) nos encontros com os lugares. 

Talvez este Silêncio não seja de uma rede de interpretações tão complexa como em Lisbon Story, mas é certamente um encontro de um homem com a leitura do seu lugar e eventualmente de si próprio. 

Silêncio


Trata-se de um filme sobre um homem que grava sons nas paisagens bucólicas da Irlanda. Chama-se Silêncio. Título simples. Quase irónico, porque quem grava sons não quer silêncios. Ou quer? Quer, pelo menos, uma certa solidão ou o direito a não ser importunado. O que lhe importa é poder ler os lugares, escutá-los na sua dimensão sonora, e talvez descobrir a partir desses retratos algo mais profundo, uma identidade desse lugar e, claro, uma ideia de pertença. Neste caso de alguém que regressa às origens depois de 15 anos em Berlim.

Por muito que a componente sonora seja de uma importância imensa num filme, ela é sempre vista num plano secundário. Porque se situa no plano do não-visível, talvez, ou simplesmente porque o visionamento das coisas é de tal forma importante que não existe espaço para outros elementos sensoriais. Não se esqueça, também, que as gravações de campo também fazem parte da realização fílmica. Dai não ser de todo descabido mencionar aqui um outro filme que se centra num personagem que grava sons. Em Lisbon Story, de Wim Wenders, o artista é o homem dos sons. É ele que grava os sons da cidade, das pessoas, da música dos Madredeus, dos espaços silenciosos e dos ruidosos. No fundo, documenta uma cidade, um tempo, um filme, no fundo documenta-se a si próprio (o homem) nos encontros com os lugares. 

Talvez este Silêncio não seja de uma rede de interpretações tão complexa como em Lisbon Story, mas é certamente um encontro de um homem com a leitura do seu lugar e eventualmente de si próprio. 

Dead Can Dance - Devorzhum (Spiritchaser)

19.7.13

Sigur Rós - Svefn-G-Englar (Ágætis byrjun)

Discos Voadores: Tindersticks - Curtains



Hoje, num dia quente de Julho logo pela manhã, ouço o Curtains dos Tindersticks. Soa a paradoxo. O Curtains é quente e melancólico. A temperatura destes dias pede coisas mais leves, mais alegres, mais qualquer outra coisa de praia, mar e sorvetes. Mas isso não parece importar muito. Another Night In produz ainda os mesmos efeitos quando escutada pela primeira vez: um piscar de olho melodioso a todo o universo de Cohen, e muito em particular, talvez pela sequência de acordes, à Famous Blue Raincoat. No caminho para a estação, esqueço as alamedas de árvores, as casas de janelas abertas, as pessoas que passam, uma rapariga loira que corre demasiado equipada para entrar num filme dos Tindersticks. Lembro-me dos concertos: um na Union Chapel, um numa Queima, outro, o primeiro, em Paredes de Coura. Maldito público de festivais. Toda a música que desça abaixo de um certo volume ou tempo é inundada por um coro de assobios. Pouco importa, perto do palco tudo se esquece e, sendo o último concerto de domingo, os assobios já saem com pouca força. Ainda assim, quem é que se lembra de colocar Tindersticks e a merda dos Moonspell na mesma noite?

Esqueço o calor do dia. Tenho uma vaga ideia de Paredes de Coura. A noite fria, as árvores iluminadas no fundo do palco, os últimos momentos daquele ano. Lembro-me de no fim, na última cerveja da noite, barracas a fechar, um segurança com uma vassoura (de bateria, diga-se) em risos com um amigo. "Onde é que arranjaste isso?", pergunto-lhe. "Lá atrás", diz ele. "Qual banda?" Ele fica sério. Raciocínio rápido: "Isto é de tocar? Eu pensei que era um cabo eléctrico e achei piada. É de tocar não é? Queres? Quanto?" Pergunto-lhe novamente: "Qual banda?". Ele olha para mim de cima a baixo, analisa o aspecto festivaleiro, e diz o nome, provavelmente a única banda que conhece: "Moonspell!" Ri-me tanto na cara dele que ele acabou por me dar a vassoura a troca de um última senha de cerveja que já não me apeteceu beber. A vassoura estava demasiado destruída para não ser dos Tindersticks. Tirando talvez a Dancing, todas as músicas são tocadas por Al Macauley de uma forma destrutivamente bela.