um blogfolio de coisas sonoras

7.9.14

Tape ('Casino') + Lucasse @ café Oto 31.8.2014


Não demora muito tempo a perceber que o coração dos Tape é uma Gibson semi-acústica a criar melodias tristes em ciclos repetidos. O som dela é de uma beleza singela, e a forma como Johan Berthing vai desfiando acordes e arpejos torna-se um carrossel lento e hipnótico que nos transporta para os aposentos mais secretos da melancolia. Poderíamos ficar horas e horas a ouvir aquele som, músicas simples, canções sem voz. Depois vem aquele triângulo de improbabilidades tecidas pelo sintetizador modular de Tomas Hallonsten e pelos teclados de reminiscências progressivas de Andreas Berthling. No café Oto tocam o novo Casino de fio a pavio. Nada sobra. Palavras, nenhumas. Música apenas. Tal como ela é e sem grandes erupções só porque é a apresentação do disco. Terminaram com o belíssima repetição de guitarra de Eagle Miaows e verdade seja dita que poderíamos ficar ali mais uma hora a ouvir aquilo.

Os Lucasse foram duas guitarras, sendo uma delas a de Andrew Telling, artista de filme e vídeo que vai fazendo as suas próprias bandas-sonoras. Ao vivo, a margem de improviso proporcionou momentos interessantes

Devendra Banhart - Santa Maria de Feira (Cripple Crow)

4.9.14

Gastr del Sol - The Seasons Reverse (Camoufleur)

Oliver Cherer + Robin Saville + Glen Johnson - Second Language @ Café Oto 29/8/2014


Três nomes da editora Second Language no Café Oto: Glen Johnson, Oliver Cherer e Robin Saville. Glen Johnson, o único sobrevivente dos Piano Magic, aparece a solo pela primeira vez, num formato exclusivamente electrónico. Os sons são misteriosos e obscuros, mas quando dá a voz nota-se ainda a presença das planícies mais experimentais dos Piano Magic, e claro, a voz é inconfundível. Imagens curiosas foram projectadas: caras em colagem e movimentos repetidos. Oliver Cherer, apresentou músicas do mais recente álbum Sir Ollife Leigh & Other Ghosts. Notou-se uma certa fragilidade no ensaio do grupo, muita conversa entre as músicas e uma certa ideia ficou de estarem um pouco à deriva. Fora isso, as músicas respiraram bem os ambientes melancólicos e pastorais do disco, um belo disco folk, diga-se. Robin Saville, uma metade dos Isan, mostra mais ao vivo todas os detalhes e pequenos sons do álbum Public Flowers. Nota-se uma clara atitude em usar o menos possível o laptop a ter recrutado três músicos extra sendo um deles Oliver Cherer na guitarra acústica e no baixo. Realce para Bryophite Society Annual Picnic e A Fall All Girl, autênticas pérolas da melhor electrónica exótica feita neste planeta.